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06/06/2009

Culpa ecológica




Por CLÁUDIA LAITANO


Aldous Huxley e George Orwell bem que tentaram, mas não chegaram nem perto de imaginar o nível de interferência nos hábitos da vida privada a que as campanhas de conscientização ecológica chegariam neste começo do século 21. Molhar as plantas, enxaguar a calçada, escovar os dentes, nada disso pode ser feito de forma inconsequente em 2009. Todas aquelas rotinas banais que antes podiam ser cumpridas com a cabeça lá longe, sonhando com o bem-amado ou montando mentalmente a lista do supermercado, hoje ganharam o peso de gestos políticos. Uma distração, a torneira ligada por dois minutos e 50 litros de água a mais do que o recomendado pelo Greenpeace, e você se sente não apenas culpado, mas burro e incivilizado – uma criatura tão alienada da realidade global a ponto de ser incapaz de incorporar ao dia a dia os cuidados mínimos para que seus netos não sejam obrigados a extrair água de pedra daqui a 50 anos.




Nenhuma pessoa razoavelmente bem-informada fica feliz em encarnar essa figura imprudente que desperdiça recursos naturais como se eles fossem ilimitados. Estamos, sim, dispostos a trocar nossos hábitos ecologicamente pré-históricos por práticas mais razoáveis e inteligentes. O problema é que quando você fica contente por ter automatizado rotinas simples como desligar a torneira na hora de escovar os dentes, separar direitinho o lixo ou apagar as lâmpadas desnecessárias, surge uma nova ordem do comando de caça aos ecologicamente imprudentes, levando ao limite extremo (bom, pelo menos até onde eu consigo imaginar) o patamar de intervenção na intimidade alheia: a campanha “faça xixi no banho”, lançada no mês passado pela fundação SOS Mata Atlântica, sob o argumento de que é possível economizar até 4.800 litros de água por ano simplesmente trocando o WC pelo ralo do chuveiro. (Alguns marotos acabam de lançar, só de sacanagem, a campanha “cocô no banho” – e não duvido que já existam voluntários dispostos a testar na prática essa radicalização da ideia original.)






O fato é que pouco importa onde você prefere (ou aceita) fazer xixi: a sensação é de que estamos sempre em dívida, como se tudo o que fazemos individualmente fosse insuficiente para compensar o milenar desperdício de recursos naturais. Mais do que nunca, somos levados a pensar em grupo – é preciso agir não só na nossa casa, mas na rua toda, no bairro, na cidade. Mas todo esse esforço para mudar hábitos domésticos particulares contrasta, em essência, com o individualismo dominante da nossa época. Preservar a natureza acaba se tornando, portanto, uma das poucas manifestações de ideologia coletiva, em que a ideia de um bem comum, agir além dos nossos interesses imediatos e da nossa comodidade, volta a fazer sentido.



Mas essa “revolução ecológica” – a transformação de um pensamento ligeiramente excêntrico em moeda corrente nos departamentos de marketing das maiores empresas do mundo – não aconteceu de forma uniforme. Quem assiste aos comerciais que vendem roupas, cremes de beleza e até serviços bancários com o apelo do “ecologicamente correto” pode ter a falsa impressão de que o ambientalismo triunfou sobre o consumo inconsequente e ganancioso – o que está longe de ser verdade.



Os departamentos de marketing podem ter percebido que consumidores conscientes, e muito culpados, preferem usar sabonetes que prometem preservar a Floresta Amazônica. Mas no mundo real, pelo menos nos países onde ainda não existe uma política ambiental consistente, a destruição de recursos naturais permanece tão predatória como sempre foi. E sem culpa nenhuma.




15/02/2009

O buraco perfeito




Por Leonardo Boff

Ignace Ramonet, diretor do Lê Monde Diplomatique e um dos agudos analistas da situação mundial, chamou a atual crise econômico-financeira de “a crise perfeita”. Putin, em Davos, a chamou de “a tempestade pefeita’. Eu, de minha parte, a chamaria de “o buraco perfeito”. O grupo que compõe a Iniciativa Carta da Terra (M. Gorbachev, S. Rockfeller, M.Strong e eu mesmo, entre outros) há anos advertia: “não podemos continuar pelo caminho já andado, por mais plano que se apresente, pois lá na frente ele encontra um buraco abissal”. Como um ritornello o repetia também o Fórum Social Mundial, desde a sua primeira edição em Porto Alegre em 2001. Pois chegou o momento em que o buraco apareceu. Lá para dentro caíram grandes bancos, tradicionais fábricas, imensas corporações transnacionais e US$50 trilhões de fortunas pessoais se uniram ao pó do fundo do buraco. Stephen Roach, do banco Morgan Stanley, também afetado, confessou: “Errou Wall Street. Erraram os reguladores. Erraram as Agências de Avaliação de risco. Erramos todos nós”. Mas não teve a humildade de reconhecer:” Acertou o Fórum Social Mundial. Acertaram os ambientalistas. Acertaram grandes nomes do pensamento ecológico como J. Lovelock, E. Wilson e E. Morin”.


Em outras palavras, os que se imaginavam senhores do mundo a ponto de alguns deles decretarem o fim da história, que sustentavam a impossibilidade de qualquer alternativa e que em seus concílios ecumênicos-econômicos promulgaram dogmas da perfeita autoregulação dos mercados e da única via, aquela do capitalismo globalizado, agora perderam todo o seu latim. Andam confusos e perplexos como um bêbado em beco escuro. O Fórum Social Mundial, sem orgulho, mas sinceramente pode dizer: “nosso diagnóstico estava correto. Não temos a alternativa ainda mas uma certeza se impõe: este tipo de mundo não tem mais condiçãoes de continuar e de projetar um futuro de inclusão e de esperança para a humanidade e para toda a comunidade de vida”. Se prosseguir, ele pode pôr fim a vida humana e ferir gravemente a Pacha Mama, a Mãe Terra.


Seus ideólogos talvez não creiam mais em dogmas e se contentem ainda com o catecismo neoliberal. Mas procuram um bode expiatório. Dizem: “Não é o capitalismo em si que está em crise. É o capitalismo de viés norteamericano que gasta um dinheiro que não tem em coisas que o povo não precisa”. Um de seus sacerdotes, Ken Rosen, da Universidade de Berkeley, pelo menos, reconheceu: “O modelo dos Estados Unidos está errado. Se o mundo todo utilizasse o mesmo modelo, nós não existiríamos mais”.


Há aqui palmar engano. A razão da crise não está apenas no capitalismo norte-americano como se outro capitalismo fosse o correto e humano. A razão está na lógica mesma do capitalismo. Já foi reconhecido por políticos como J. Chirac e por uma gama considerável de cientistas que se os paises opulentos, situados no Norte, quisessem generalizar seu bem estar para toda a humanidade, precisaríamos pelo menos de três Terras iguais a atual. O capitalismo em sua natureza é voraz, acumulador, depredador da natureza, criador de desigualdades e sem sentido de solidariedade para com as gerações atuais e muito menos para com as futuras. Não se tira a ferocidade do lobo fazendo-lhe alguns afagos ou limando-lhes os dentes. Ele é feroz por natureza. Assim o capitalismo, pouco importa o lugar de sua realização, se nos EUA, na Europa, no Japão ou mesmo no Brasil, coisifica todas as coisas, a Terra, a natureza, os seres vivos e também os humanos. Tudo está no mercado e de tudo se pode fazer negócio. Esse modo de habitar o mundo regido apenas pela razão utilitarista e egocêntrica cavou o buraco perfeito. E nele caiu.


A questão não é econômica. É moral e espiritual. Só sairemos a partir de uma outra relação para com a natureza, sentindo-nos parte dela e vivendo a inteligência do coração que nos faz amar e respeitar a vida e a cada ser. Caso contrário, continuaremos no buraco a que o capitalismo nos jogou.


17/10/2008

O Sonho

Para quem não conhece ai vai a música O Sonho do Conjunto Novo Alvorecer.

http://www.4shared.com/file/67362246/7f644ea6/Novo_Alvorecer_-_O_sonho.html

O usuário é claudiocsilva@terra.com.br

A senha é sobrefe

Boa audição

16/10/2008

O choro de Lulu





Ontem minha filha Luísa de seis anos chorava muito e após várias tentativas de saber o motivo de seu choro ela falou com muita dificuldade que “-...a Lia (sua irmã de 14 anos), não havia desligado a lâmpada da sala e com isso ela não estava ajudando a economizar e salvar o planeta.” Após avisar a Lia que ela desligasse o interruptor, usasse por menos tempo o chuveiro para economizar energia e assim utilizasse racionalmente a energia e água, conversei com a Lulu falando que cada um deveria fazer sua parte e que eu estava muito feliz por ela se preocupar, mas que não precisava chorar.

A Lulu já aprendeu a separar o lixo para reciclagem, não desperdiçar água, reconhecer quando tem água parada no quintal para evitar focos de dengue, não jogar lixo na rua, diz para eu utilizar o carro menos do que utilizo (confesso que não é fácil) entre outras coisas. Por isso me encho de esperança pelo dia de amanhã, pois se dependermos dos boçais que “des-governam” esse país, em breve os rios e matas serão belas imagens armazenadas em algum canto da memória dos mais antigos e nos banco de dados de computadores.

Isso tudo me deixou a pensar sobre a simplicidade das crianças e como fixam os exemplos muito mais do que os adultos, que em tese teriam a responsabilidade em fazer as mudanças necessárias para que o mundo seja de fato habitável. Talvez seja essa a razão do reino de Deus estar mais para uma criança do que para um adulto que não tem o coração e a compreensão da vida como elas.

Mas a preocupação com o meio-ambiente da Lu e de muitos é algo que passa de roldão para a maior parte da atual geração gospel, lembro-me de uma canção lá dos anos 80 do Conjunto Novo Alvorecer que se chamava O Sonho :

“De repente eu me vejo numa nova cidade
Onde não há guarda e nem há ladrão
Onde os peixes do riacho não respiram detergente
Onde não há falta d’água e também não há enchente”

Um louvor que demonstrava já na época a agonia de uma natureza caotizada e explorada, hoje águas nos cânticos é só a dos “rios de Deus”, “chuvas de Deus” ou “águas do Trono”. Claro que é necessário lembrar dos rios de água viva fluindo, mas na maior parte destas canções são subjetivas e abstratas que fazem bem a emoção mas sem nenhum compromisso, preocupação ou responsabilidade em administrar e preservar os recurso que Deus colocou a nossa disposição para usar em favor de todos e que ano após ano vão sendo degradados e escasseados.

Se em Cristo foram criadas todas as coisas em cima da terra (Col. 1:16) não seria também nossa responsabilidade como seus seguidores preservar a criação? Lembro em muito as palavras do Rev. Floyd (hoje com 91 anos e muita lucidez), em uma mensagem que trouxe na Congregação Presbiteriana de Charqueadas há uns anos atrás sobre a responsabilidade do discípulo de Cristo com a criação e, sobretudo, com preservação dos recursos naturais principalmente à água potável, que é escassa, não renovável e fundamental para a vida e que esta vida seja com qualidade.

Hoje olho ao redor e percebo os filhos de Deus reivindicando e esbanjando a herança (que é de todos) nos prazeres e deleites da vida. Pedindo ao Pai benesses (confortos pessoais) que não são para o bem comum, senão para satisfazer o ego. O Pai é paciente e misericordioso, mas não queremos que reste apenas bolotas dos porcos para saciar a fome e sede (fato este que já é realidade em muitos lugares).

Há uns dias atrás estava em uma reunião do grupo caseiro de compartilhamento da Palavra e um irmão citou que queria ser abençoado com um carro, eu respondi que esse pedido de todo não era uma benção, pois aquilo que para ele era uma benção, na verdade para o meio-ambiente não era, se todos os amados de Deus tivessem um automóvel não haveria mais ar respirável no mundo, pois cada vez que acionamos a chave de nossas “bênçãos motorizadas” antecipamos um pouco mais o apocalipse do planeta. Claro que ele não concordou comigo, mesmo eu falando que como proprietário de veículo também tinha minha parcela de culpa.

Mas os corações engessados da religião consumista e predatória não se dão conta que a simplicidade, a comunhão e o partir do pão permitem que não haja escassez, geram qualidade de vida, corações fraternos, comunhão e proporcionam o uso racional dos recursos que Deus colocou a nossa disposição e das próximas gerações.

Eu espero de todo o coração que esta nova geração tenha sempre a capacidade de chorar como a Lulu, cada vez que testemunharem o desperdício e o descaso para com nossa casa comum chamado Terra.

Teria mais a escrever, por ora é isso.

Claudinho

PS. Em breve postarei a letra e a música de O Sonho para vocês conferirem o conteúdo de um louvor com os pés no chão e o coração em Deus.

11/02/2008

Às voltas com o "teólogo" Satanás

O calendário desse ano nos fez ter uma mais curta estação lúdica (Natal-Carnaval) no Brasil. Mas, creio, deverá ter sido o suficiente para que muitos de nós tenhamos tirado férias, ou alguns dias de folga, para repouso, lazer, sociabilidade, festa, cuidado com a saúde, higiene mental, viagens etc. E, quem sabe, fizemos uma avaliação de pelas quantas andamos e/ou deveríamos andar.

Sempre iniciamos aquela estação ao final da Quadra do Advento (a primeira do Ano Cristão), com sua ênfase na Escatologia Messiânica, e o início da Quadra do Natal (com o Ano Novo e a Epifania, em datas diferentes nas Igrejas do Ocidente e do Oriente), com sua ênfase na Encarnação e na destinação universal do Messias. Terminamos, porém, na quadra pagã do Culto a Baco, na despedida da carne (Carne Vale).

A Quaresma, quadra que se inicia hoje no Ano Cristão, nessa “quarta-feira ingrata” para os fiéis de Baco, e “Quarta-Feira de Cinzas” para os fiéis de Javé: um momento de “saco e cinzas” (próximo do Yon Kipur dos judeus), nos vai preparando para os grandes temas da Salvação, para o lugar da Cruz e do túmulo vazio. A Quaresma antecede a Paixão, que antecede a Ressurreição, que antecede a Ascensão, que antecede o Pentecostes. Cada ano, como Igrejas históricas, procuramos refazer essa peregrinação existencial.

Em nossas férias, tivemos a oportunidade de usufruir dessa abençoada natureza que o Senhor agraciou o Brasil, enquanto, no globo todo, ela “geme” na esperança da sua redenção, numa “morte da terra”, para usar a expressão de Francis Shaeffer, em obra tanto pioneira quanto profética.

Nesse período os “nacionalistas” (agro-negócio, madeireiras, carvoarias) desmataram a Amazônia de um território maior do que o município de São Paulo. Obviamente que não devemos prestar a atenção aos índios, aos padres, ou aos missionários protestantes estrangeiros, que “querem tomar o que é nosso”... Ou seja, “nosso”, quer dizer “deles”.

Na estação lúdica as elites e as classes médias (inclusive evangélicas), curtiram, deslumbradas, os templos do consumismo (os seus cartões de crédito e cheques especiais revelam algum desconforto...) enquanto 40 milhões de brasileiros vivem esbeltos de sub-nutrição e 70 milhões enveredam pela obesidade da super-nutrição.

Como já se disse que o sono do segundo grupo é intranqüilizado pelo ronco da barriga do primeiro grupo. Mas, para sermos “bíblicos”, “por ventura sou eu guardador do meu irmão?”. A Igreja evangélica brasileira “cresceu”, a miséria e a violência não decresceram, pelo caráter mutilado da mensagem e da prática evangelizadora. Mea Culpa, Mea Culpa, Mea Máxima Culpa! “Senhor, tem piedade de nós!”.

O Messias não começou o seu ministério com prosperidade, mas com o deserto. É difícil entender que Ele tenha sido levado para lá pelo Espírito, e, justamente, para ser tentado pelo diabo. Mas o Messias começa o seu ministério pela obediência, pelo sofrimento, e, também, pela vitória, sendo, por fim, servido pelos anjos. Que caminho tão diferente daqueles confortáveis propostos pelo mundo de hoje, e, também, por Igrejas de hoje!O Messias inauguraria a Era dos Mártires. De Paulo a Luther King, cristãos louvaram na cadeia, e nas prisões escreveram páginas indeléveis da trajetória da Igreja. Não é que hoje não existam mártires em muitos países, mas as razões porque os “apóstolos” e “bispos” contemporâneos são detidos, não correspondem aos mesmos motivos espirituais. Afinal, Miami não é Patmos...

Algo que nos chama a atenção na leitura do Evangelho é o “conhecimento bíblico” de Satanás, e o fato de que ele teve a pretensão de tentar o Filho de Deus justamente citando a Bíblia. Esse não é um fato do passado. Não nos enganemos: o ataque ao Messias em nossos dias não vem apenas dos que fazem escárnio da Bíblia, mas pelos que – dentro e fora da Igreja – a citam, por conhecê-la, para corromper o povo de Deus e impedir ou distorcer a sua missão. O ex-anjo de Luz (“Lúcifer”), e os seus conscientes ou inconscientes seguidores, estão aí de Bíblia na mão, sutis, ensinando falsas doutrinas, corrompendo a Verdade, atentando contra a Unidade, sob a indiferença de muitos.

Não se prega mais, com a mesma clareza e a mesma ênfase, o Novo Nascimento. Não se ensina “todo o conselho de Deus”, mas apenas alguns. Não se cria comunidades novas de todas as gentes. Não se serve ao faminto. Não se chama Herodes de “raposa”. As confrarias de iguais, blindadas dos problemas do mundo e da Igreja, vão contentando a alienada e alienante espiritualidade burguesa, ou o legalismo reducionista, no fundo, auto-indulgente (pecado sério é o dos outros), ou, para os em declínio de hormônios, se dá oportunidade para uma saída honrosa para a castidade. O “teólogo” Satanás está satisfeito, porque domesticamos e selecionamos os textos bíblicos, atrelados ao espírito do século globalizado, à nossa cultura ou à cultura da Nova Roma.

Que o Tempo da Quaresma tenha densidade bíblica e espiritual para cada um de nós, seguindo os passos dolorosos de Jesus. Que a nossa cristificação não nos leve ao objetivo último de fazer crescer a Igreja, mas de promover o Reino de Deus – que é de paz como fruto da justiça – (que é a única razão para o crescimento da Igreja).

Quando o Reino não é promovido – apesar dos números – a Igreja não tem crescido. Um tempo não de desculpas menores para os pecados maiores, para as distorções das heresias, para a indiferença diante da miséria, para a promiscuidade com os poderosos, para a tragédia do dilaceramento do Corpo de Cristo em milhares de “denominações” (termo que, por não estar na Bíblia, não foi citado por Satanás, mas, temos certeza, dele recebe irrestrito apoio).

O Messias foi tentado por Satanás citando a Palavra, e o derrotou por conhecer mais a Palavra do que o príncipe das trevas.

Estamos, junto com a Sociedade Bíblica do Brasil, no “Ano da Bíblia”, e a Igreja será sarada por “engolir” esse Livro.

Dom Robinson Cavalcanti, bispo diocesano

Fonte Pavablog

06/02/2008

Tempo (in) comum

Por Edemir Antunes http://edemirantunes.blogspot.com/

Eu li nas Sagradas Escrituras que “os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos” [Sl 19,1].


Fiquei preocupado e me perguntei: quais céus? Digo isso porque o céu criado por Deus, azul tão belo, fora azulejado por um cinza que dá desgosto.

Nada contra o cinza. Mas esse acinzentado que se vê tem a cor do pecado da ganância e do desamor.

Por conseguinte, hoje eu descarto o tom bem-humorado, poético e/ou acadêmico...
Segundo o calendário litúrgico vivemos o Tempo Comum.

Neste período é ressaltado que Deus age no cotidiano, nas coisas simples da vida e em toda a Criação.

Por isso, muitos templos são ornamentados com a cor verde nesta época. Pensando nisso, eu questiono a ação profética da maioria das pessoas que se afirmam cristãs neste país, porque a profecia cristã foi pervertida ao ponto de ser confundida com adivinhação do futuro.

Além disso, várias novelas e programas televisivos reforçam tal idéia “emburrecendo” as gentes.

A quantidade de católicos/as, ortodoxos/as e evangélicos/as é imensa. Conforme o último senso o grupo evangélico é 15,7% da população brasileira. Imagine todo esse povo reunido contra todas as ações governamentais e privadas que agridem a Natureza e a Vida Humana.

Imagine que todos/as os/as cristãos/ãs têm consciência de que toda a forma de agressão ao mundo criado é uma afronta contra Deus.

Imagine que tais pessoas parem de trabalhar, comprar e pagar impostos em protesto às bestialidades que são praticadas nesta terra de ninguém até que as coisas se normalizem.

Digo normalizem porque a anormalidade é normal por aqui.

Na frente de todos os templos poderiam ser colocados cartazes com a envelhecida frase atualizada: “Brasil: ame-o ou deixe-o. Pois, conforme o Evangelho, quem ama cuida, corrige, reage, muda, critica e age.”


Em outros termos, não dá para ficar nos templos buscando benefícios individuais de um “deus mesquinho e capitalista”, enquanto a Criação é deflorada e moída... há quem chame isso de conivência e/ou pecado.Se de um lado a Criação é violentada, do outro observa-se a busca, nos redutos cristãos, pelo poder do Espírito Santo para mandar nos/as outros/as e pisar naqueles/as que impedem os/as crentes de prosperar. Esquecem que o poder é concedido para servir a Deus e ao/à próximo/a com amor, liberalidade e alegria. O poder, quando exercido na perspectiva do Reino, faz brotar vida irrigando e adornando a Criação.(grifo meu)

Todos/as fazem parte do mundo criado, no entanto muitos/as se deslembram disso.

Contemplam-se políticos/as e poderosos/as viajando pelo mundo em seus jatos particulares despreocupados/as com a destruição da Terra, por outro lado alguns/algumas crentes ficam “viajando” nos templos em meio aos seus êxtases egoístas e às suas tradições idolátricas.

Muitas pessoas não reciclam o lixo.

Não cuidam dos rios e das matas.

Não tomam uma atitude com relação às empresas petrolíferas que forçam a todos/as a usarem seus produtos poluidores.

Aliás, os veículos continuam usando gasolina, álcool ou diesel, ao invés de energia elétrica, água, luz solar ou força eletromagnética.

Não reagem à desigualdade social, por isso ela aumenta celeremente.

Não cuidam das pessoas mais frágeis da sociedade, porque preferem o descaso e a insegurança generalizada.

Não fazem nada diante dos poderes corroídos pelo mau uso do dinheiro.

Não promovem a paz.

Não votam direito... na maioria das vezes por falta de boas opções.

Não punem os/as corruptos/as, afinal eles/as merecem desfrutar do conforto de suas mansões e de todo tipo de regalias.

Enfim, amam única e parcialmente os seus umbigos, logo ficam nos lugares de culto com as mãos levantadas ao céu glorificando a Deus e não dão crédito àqueles/as que asseveram profeticamente que a vida cristã envolve todas as áreas do viver. (grifo meu)

Eu poderia jogar a culpa para o Criador declarando que faltou conceder aos seres humanos inteligência e sensibilidade, mas não é o caso. Alguma coisa está errada.

Talvez não se façam mais discípulos/as de Jesus Cristo como antigamente.

Ser cristão/ã não necessariamente é o mesmo que ser católico/a, evangélico/a ou ortodoxo/a. Ser cristão/ã não é repetir rituais ou manter a família debaixo de um tradicionalismo inoperante e hipócrita.

Ser cristão/ã é assemelhar-se a Cristo, é segui-lo, é experimentá-lo dia-a-dia na comunhão com seu Espírito Santo, é agir de modo semelhante a Ele, é pastorear o mundo com amor.

Neste Tempo Comum a Criação geme... envergonhar-se diante de tanta pornografia seria um passo inicial oportuno.

Graça, paz e bem!
Postado por Edemir Antunes Filho


Sábias palavras de meu irmão Edemir que me autorizou a reproduzir o texto de sua autoria em sue blog.

Devemos refletir mais sobre nosso consumismo, vemos na mídia e aplaudismos quando vemos máquinas de milhões de dólares, automóveis com rodas de diamante fruto de uma cultura suícida e descomprometida com o futuro.

E no meio cristão se confunde a bondade de Deus e até comunhão com prosperidade material querem ter sem ser, quando a essência do cristianismo é ser.

Os desmatamentos, o desperdício de água em nossas casas, desperdício de tempo e dinheiro na construção de templos sofisticados para adorar Deus que vive e quer ser adorado em nossos corações.

Enfim teria muito que falar, mas no fundo cada um sabe o quão egoísta é, inclusive eu, e o que precisamos mudar para dar uma sobrevida a este planeta e aos nossos descendentes, que não tem culpa da ganância das gerações que as sucederam.
Abaixo uma letra regional do RS que expressa um pouco do que sinto quanto a ganância que campeia em nossas terras.

Cláudinho


Herdeiro da Pampa Pobre
Engenheiros do Hawaii
Composição: Gaucho da Fronteira - Vaine Darde


Mas que pampa é essa que eu recebo agora

Com a missão de cultivar raízes

Se dessa pampa que me fala a história

Não me deixaram nem sequer matizes?


Passam as mãos da minha geração

Heranças feitas de fortunas rotas

Campos desertos que não geram pão

Onde a ganância anda de rédeas soltas


Se for preciso, eu volto a ser caudilho

Por essa pampa que ficou pra trás

Porque eu não quero deixar pro meu filho

A pampa pobre que herdei de meu pai


Mas que pampa é essa que eu recebo agora

Com a missão de cultivar raízes

Se dessa pampa que me fala a estória

Não me deixaram nem sequer matizes?


Passam as mãos da minha geração

Heranças feitas de fortunas rotas

Campos desertos que não geram pão

Onde a ganância anda de rédeas soltas


Se for preciso, eu volto a ser caudilho

Por essa pampa que ficou pra trás

Porque eu não quero deixar pro meu filho

A pampa pobre que herdei de meu pai


Herdei um campo onde o patrão é rei

Tendo poderes sobre o pão e as águas

Onde esquecido vive o peão sem leis

De pés descalços cabresteando mágoas


O que hoje herdo da minha grei chirua

É um desafio que a minha idade afronta

Pois me deixaram com a guaiaca nua

Pra pagar uma porção de contas


Se for preciso, eu volto a ser caudilho

Por essa pampa que ficou pra trás

Porque eu não quero deixar pro meu filho

A pampa pobre que herdei de meu pai


Eu não quero deixar pro meu filho

A pampa pobre que herdei de meu pai

Eu não quero deixar pro meu filho

A pampa pobre que herdei de meu pai

28/07/2007

A ILHA DE PÁSCOA E O APOCALIPSE

É a primeira vez que a Humanidade chega tão perto de ter que se encarar, numa Terra que não tem saída, a menos que essa saída seja alcançada no coração dos homens.
Sim! Porque o único chão que poderia salvar os Homens está dentro do coração de cada um. Mas ninguém quer nada para dentro. Só se quer mundo para fora.
Total tragédia, pois, o reino de Deus não chega em nenhum lugar se não se fizer plantar no único chão que lhe aceitável: o interior humano, conforme Jesus disse.
E que mundo de paz, justiça, vida e harmonia se pode ter fora do reino de Deus?
São as muitas construções apenas para fora as que agora matam o mundo exterior a nós, a Terra; enquanto, pela própria prática delas (das construções externas), nosso homem interior se pedra cada vez mais...
O pecado é um ciclo de morte com uma ou todas as supostas desculpas de vida...
Somos todos como os antigos habitantes da “Ilha de Páscoa”, no meio do Oceano Pacifico.
Como todas as demais civilizações que se auto-extinguiram, os moradores de Páscoa criam que sem a proteção de seus ancestrais, eles não sobreviveriam naquele lugar.
Por tal razão, eles que eram gente nômade do mar, ao pousarem definitivamente naquela ilha, decidiram que sua sobrevivência vinha da proteção concedida pelos ancestrais mortos.
Assim, cada uma daquelas figuras esculpidas em pedra (cujo tamanho varia de dois metros e meio a vinte metros de altura) é a própria pretensão de escultura do ancestral ali falecido.
Ora, eles nada mais fizeram do que passar mil anos construindo cerca de 900 estátuas gigantescas; mobilizando quase seu inteiro contingente de trabalho para essa finalidade; usando quase todos os recursos da ilha a fim de fazerem a remoção das estatuas por cerca de 20 km, até aos pontos de fixação delas, olhando para o oceano.
Dessa forma, veio a necessidade. Veio a fome. E, com parcos recursos, eles puseram-se a lutar entre si, provocando um enfrentamento que os levou ao canibalismo.
Ora, quando o homem come o homem, que mais pode sobreviver?
Morreram de si mesmos!
Assim, o Apocalipse aconteceu para eles...
E logo eles, que chegaram lá sem chão; pois eram nômades da água, sendo até então pessoas tão sensíveis; que eram capazes conviver pacificamente em barcos a maior parte do tempo; sendo também hábeis para ler o retorno das ondas com os pés, no meio do mar, e, em comparação com ventos e estrelas, tornavam-se também capazes de calcular com a mente a distancia de uma ilha ou terra não visível aos olhos.
Mas contra a própria natureza nenhuma cultura prevalece.
Viveram para se sepultar na busca de segurança e conforto!
Tornaram-se “fim em si mesmo”; e creram que a terra era suficiente para conter a ignorância humana.
Nem Júpiter é suficiente para conter a ignorância e a estupidez da humanidade. Especialmente a loucura dos seus líderes voluptuosos e cegos.
Esse tipo de espírito que parece possuir a Humanidade carrega aquele terrível vaticínio que diz: “Ainda que tu faças o teu ninho nas estrelas, de lá te derrubarei, diz o Senhor”.
Desse modo, agora, a Humanidade toda terá que saber que “treino é treino e jogo é jogo”.
Agora a coisa é séria, e ninguém poderá em apenas mais alguns anos fugir das expectativas acerca das coisas que sobrevirão ao mundo; e, depois, não se poderá fugir também das conseqüências globais.
Entretanto, na hora de escolher, a Humanidade nunca escolhe o caminho simples da bondade e do amor. Ela sempre escolhe aquilo que ela confessa odiar “intelectualmente”.
E a escolha não será a simples. Não! Será uma do tipo “Como Deus sereis conhecedores do bem e do mal”.
Ou, então, será aquela de “Paz! Paz! Segurança! Segurança!” — até que venha repentina destruição.
O fato é que Jesus disse que a Humanidade não estaria olhando para o alto quando o Dia chegasse. Ao contrario, a maioria estará apenas pensando em casarem-se e darem-se em casamento; enquanto outros estariam completamente absorvidos pelas preocupações deste mundo.
Desse modo eu creio que o espírito do futuro é este:
Seremos levados a uma situação de calamidade pré-vista. Depois sentiremos algumas conseqüências. Então as necessidades se imporão como inadiáveis. As necessidades estabelecerão o regime. Então virão algumas soluções. E, com elas, um crescente culto do homem ao homem. Mas, então, de súbito algo acontecerá. Os poderes dos céus serão abalados.
Assim, teremos ondas de terror e de suposto alivio. E viajaremos desde os desmaios de terror até aos gritos de “Viva o Homem!”
Até aqui eu vou.
O mais, ninguém sabe.
E não sabemos também nada sobre o tempo da consumação de todas essas coisas!
Nele, em Quem somos chamados aos trabalhos da esperança,

Caio
21/03/07