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10/08/2010

A Nova Reforma Protestante

 

Matéria publicada no dia 9 de agosto de 2010

Inspirado no cristianismo primitivo e conectado à internet, um grupo crescente de religiosos critica a corrupção neopentecostal e tenta recriar o protestantismo à brasileira.
Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.

                                                                                  

Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

O cirurgião Irani Rosique (sentado, de camisa branca, com a Bíblia aberta no colo). Sem cargo de clérigo, ele mobiliza 2.500 pessoas no interior de Rondônia

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.

Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade” (leia o quadro abaixo). Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.



Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”


Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”

Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”

Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis. Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de border=0>recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste (foto ao lado), pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”

Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores ”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”

Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus(Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.

Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.

Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.

O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”

A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”

Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”

O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis (lembre AQUI) condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.

Sites como Pavablog, Veshame Gospel, Irmãos.com, Púlpito Cristão, Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.


A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”

Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.

A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.

O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”

A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.

Fonte: Revista Época


26/07/2010

Deus no Gibi

Uma dica bem legal!



Recebi um e-mail do criador do site que repassa abaixo.

"A página tem a proposta de ser um apoio para professores e líderes cristãos que tem dificuldade de se comunicar com crianças e adolescentes. Usando personagens dos quadrinhos, da TV e do cinema, apresenta textos fazendo a conexão entretenimento - espiritualidade. Quando tiver tempo, dê uma passada lá no Deus no Gibi para ver as novidades que estão no ar. Tem um texto bacana falando que Chico Bento é o menino segundo o coração de Deus e uma entrevista com o autor da história em quadrinhos Yeshuah, que apresenta um Jesus feio e uma Maria adolescente.
Valeu, abraços



Fernando
 
Bom então é só voces conferirem acessando Deus no Gibi .

07/10/2009

Para que outros possam viver

Juliano Son, ministério Livres para Adorar

Transcrição C. L. Costa
Texto base: 2 Coríntios 4:1-18


Para que outros possam viver vale à pena morrer. Nas palavras de II Coríntios, capítulo 4, para que outros possam viver, não apenas vale à pena morrer, como, deve-se morrer. Para que outros possam viver, deve-se. É necessário morrer para que haja vida. Trazendo sempre em nosso corpo o morrer de Jesus para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo. Pois nós que estamos vivos somos sempre entregues a morte por amor a Jesus para que sua vida também se manifeste em nós de modo que, em nós, atua a morte para que em vocês e em outros atue a vida.

Assim como a semente que não morre não germina e é incapaz de gerar frutos, aquele que não morre é incapaz de gerar vida. Se não fosse o sangue do cordeiro; se não fosse o sangue de todos os mártires que vieram antes de nós; se não fossem aqueles que vivem como se não pertencessem a este mundo; não seriamos conhecedores das boas novas da vida.

Mas se as coisas são assim, se isso é a verdade, se isso reflete a realidade, se o Senhor teve toda a intenção de dizer exatamente o que ele disse, por que é então que não morremos? Por que é então que o mundo está cansado de ver uma igreja que deveria carregar a mensagem da morte, mas não carrega? E não carrega é porque ela mesma se recusa a morrer. E se a ordem é essa por que é então que não vemos mais vida sendo geradas; nações sendo alcançado em meio à voluntária entrega da vida por parte daqueles que dizem ser cristãos? Por quê?

Porque existe algo de muito errado em nosso meio que chamamos de evangelho do reino de Deus. O evangelho do reino de Deus e não o evangelho dos homens para os homens; não o evangelho do reino desta terra para esta terra; não o evangelho do seu reino para você mesmo para seu beneficio; mas o evangelho do reino de Deus para o beneficio de Deus.

Existe algo de muito errado porque estamos confundindo o evangelho do reino de Deus que é para Deus com outros evangelhos e o povo por falta de líderes que preguem o que o povo precisa ouvir e não o que o povo quer ouvir, o povo está adorando outros bezerros de ouro. E o grande bezerro de ouro dos nossos dias é a “benção”, é a “vitória”, é a “conquista”. É o bezerro da prosperidade: é a minha saúde, é o meu bem estar, é o meu conforto, é a minha necessidade, é o meu reino, é a minha vida.

Sete passos para alcançar a bênção aqui; quarenta dias do jejum da vitoria ali; doze maneiras para ser prospero um pouco mais adiante; e trezentas e dezoitos formas para você fazer com que Deus faça aquilo que você quer que ele faça. Não importa se ele queira fazer ou não. Porque afinal o modelo de Jesus: “não seja feita a minha vontade, mas a sua”; serve para Jesus, serve para o filho de Deus, não serve para mim, não serve para a igreja.

Quantos já foram a uma campanha que dizia: “campanha do negue-se a si mesmo”, “campanha dos três passos para morrer”, ou “campanha das sete maneiras de amar o meu próximo como a si mesmo”, ou “campanha de quarenta dias de jejum para que eu possa carregar a minha cruz”. Não? Nunca foi? Por que não?

“Ora, porque o importante não é isso. O importante é ter o carro do ano. O importante é ser abençoado e mostrar o quão abençoado sou, eu preciso mostrar... Porque afinal de contas se ando de carro importado é porque Deus me deu. Porque é muito obvio que Deus está muito mais preocupado com meu ego. Eu sou tão espiritual e abençoado que é muito óbvio pra mim, e é muito óbvio só pra mim; que Deus está mais preocupado em colocar dinheiro em minhas mãos para que eu possa comprar coisas caras e tolas do que estar preocupado em colocar recursos sobre os meus cuidados para que eu possa de alguma maneira aliviar a dor dos aflitos. Porque Deus é tão bom para mim, ele é tão sábio e misericordioso, que prefere que eu compre para mim o meu centésimo par de sapatos. Ele prefere que eu faça isso mais que comprar algumas marmitas para dar de comer as crianças de rua. Porque o importante é encher o meu celeiro até onde der. O importante é o meu reino, é a minha justiça.”

“Eu trabalhei, eu suei... Não, não, não... não foi Deus quem me deu, não foi Deus quem me abençoou. Fui eu quem ganhou. É justo, eu trabalhei é meu! Porque o importante é viver como se não houvesse morte. E Deus que me livre de pensar em morte. Coisa negativa não é de Deus. O importante é eu viver como se não houvesse morte para que quando minha hora chegar eu venha morrer como alguém que nunca quis viver.”

Porque está escrito na palavra de Deus em Marcos capítulo 8:31-38 e Mateus 16:21-28:

“E começou a ensinar-lhes que importava que o Filho do homem padecesse muito, e que fosse rejeitado pelos anciãos e príncipes dos sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, mas que depois de três dias ressuscitaria. E dizia abertamente estas palavras. E Pedro o tomou à parte, e começou a repreendê-lo.” (vs. 31, 32)

Vejam, desde o inicio a igreja se escandalizou com a mensagem da morte!

“Mas ele, virando-se, e olhando para os seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: Retira-te de diante de mim, Satanás; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens. E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.” (vs. 33, 34)

Se quiser, se alguém quiser...

“Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará. Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? Ou, que daria o homem pelo resgate da sua alma? Porquanto, qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos.” (vs. 35-38)

Quem fizer de tudo para garantir a sua vida neste mundo não merecerá a vida no outro. E quem fizer de tudo para garantir a sua vida no outro mundo, perderá a sua vida neste. Perderá o controle de sua vida neste mundo. Quem viver de olho nos tesouros deste mundo receberá somente aquilo que este mundo é capaz de dar, mas quem viver com os olhos fixos no tesouro eterno, este receberá aquilo que a eternidade tem para dar.

Entendam algo, sabem por que existem religiosos fanáticos que se matam, que se suicidam, que dão sua vida para ser destruída? Porque eles estão pensando na eternidade, estão de olho na eternidade. E sabe por que você se recusa a negar a si mesmo e entregar o controle de sua vida a Deus? Porque você está pensando demais nesta vida. E mais, sabe por que estes fanáticos acabam dando suas vidas? Porque eles passaram a vida toda ouvindo de seus mestres que morrer é algo valioso, bom, nobre e honroso. Que morrer gera vida.

Mas, e a igreja? Onde está a igreja? Onde está a voz profética? Onde estão os que pregam a verdade? Onde estão os que pregam: morram! Onde estão os mestres de Deus a gritar: morram!... Pra viver, morram! Por amor a Cristo, morram! Por amar a Deus acima de tudo, morram! Onde estão?

Por que os missionários Moravianos se vendiam como escravos para poderem pregar aos escravos? Porque alguém os ensinou que essa vida não vale a pena ser vivida se não for vivida para Deus. Porque alguém os ensinou que para que outros pudessem viver valia à pena morrer.

Enquanto muitos parecem estar fascinados demais com mestres que pregam apenas vida nesta vida. Mestres que destorcem o significado de vida em abundancia. Apesar disso existem alguns remanescentes que se recusam a se prostrar diante dos bezerros de ouro. Existem ainda alguns que se permitem ser afligidos por amor a Cristo. Alguns que entenderam a voz do Espírito de Cristo, do Cristo que deu o exemplo a ser seguido não apenas em vida, mas na morte de cruz e são capazes de dizer: já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim!

Amados, a vida é para os que crêem e os que crêem não devem ter medo da morte. Quem tem medo da morte não crê e quem não crê não viverá. A morte é o maior medidor da fé, os que morrem são os que crêem. E termino com o texto bíblico que está em II Timóteo, capítulo 4, versículos 2 a 4. Diz assim:

Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda a longanimidade e ensino. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos; e não só desviaram os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas.

Preferindo acreditar nas mentiras de finais felizes. Que este não seja você para a gloria de Cristo Jesus. Amem!


Fonte: Urro do Leão

07/04/2009

O Evangelismo que mata

Por Paul Walscher




Pau Washer fala sobre como o evangelismo moderno tem deturpado Romanos 10.9 e, por causa disso, almas tem sido enganadas e transformadas em números.

Transcrição:

Você vê?
Aqui está o que o evangelismo moderno não entende: você só consegue levar uma pessoa até certo ponto.
Você não percebe isso? E você não pode substituir o trabalho do Espírito de Deus por algum pequeno método de tirar um versículo fora de contexto, levar a pessoa a orar uma oraçãozinha e a declarar salva, de forma papal.

Você não percebe isso?

E você rouba isso das pessoas com seu pequeno e estúpido evangelismo. Você rouba isso das pessoas.

Você me diz: Você está tão bravo, suas palavras são tão duras...Porque eu não deveria estar ao ver o evangelho ser prostituído desta forma?

E homens correm por um algum processinho.

Você não entende?

Pessoas não são números. Elas têm olhos com cores diferentes. E eles têm cabelos com cores diferentes. E eles são diferentes em seus corações, com diferentes com problemas e choram por razões diferentes.

E eles são pessoas! Eles não são grupos de pessoas. Eles são pessoas. E eles precisam de Cristo.

E você os faz passar por um método patético e assinar um cartão de decisão e os declara salvos.

E pela graça de Deus alguns realmente são salvos, mas não é por causa de você; é apesar de você.

E quanto a lidar com uma alma? Qual valor você põe em uma alma?

Em um caso um evangelista disse: ore e convide Jesus para entrar em seu coração.

A pessoa disse: "Bom, eu não me sinto confortável em orar em voz alta".

Não tem problema. Simplesmente ore em seu coração.Bem, eu realmente não sei como orar.

Está tudo bem. Eu oro por você e você repete as palavras depois de mim.

Quantos vocês já viram isso acontecer? Você repete depois de mim."Como é mesmo?".OK, nós faremos assim: eu irar orar e se é o que você quer dizer a Deus aperte a minha mão.Eis o poder de Deus...

Eles nem sequer mencionam Jesus.

Eles mencionam uma decisão e uma oração e a sinceridade deles, ou suposta sinceridade, no lugar de:

eu sei que estou salvo;
eu estou olhando para Jesus.
Eu estou confiando nEle.
Eu me lancei sobre Ele.
Eu fiz meu depósito e eu sei que Ele é capaz de guardá-lo até aquele último dia.

Algo contínuo e não uma vacina.

Já fiz isso.

Não, a evidência que você já fez aquilo é que você continua o fazendo.

Você vê?

O primeiro se posiciona e ele está tremendo.
O soldado o acerta com a lança e diz: confesse.
E ele diz: Iesous estin Kyrios - Jesus é Senhor.
E o soldado corta a cabeça dele e ele cai no chão.
E o próximo toma seu lugar. Jesus é Senhor. E eles o matam.
E o próximo toma seu lugar. Jesus é Senhor. E eles o matam.

E, então, o evangelismo moderno na América pega essa passagem [Romanos 10.9] e eles dizem: se você orar agora essa oraçãozinha, você confessou Jesus como Senhor e você está salvo.

Você vê o que nós fizemos?Isso não é nem perto o que o texto significa.

É lamentável o que nós fazemos.

Você é salvo somente através fé, crendo e olhando as Escrituras e o Espírito testemunhando a você que isso é verdade e você confiando em Cristo.
A evidência disso, que você realmente creu e que sua vida foi transformada pela obra regeneradora do Santo Espírito, é que você passa a ser uma pessoa confessional.
Com sua vida, você produz fruto.
Com sua boca, você confessa a Jesus Cristo, mesmo que isso custe sua vida.

Fonte: http://voltemosaoevangelho.blogspot.c...
Dica: Pr. Leandro Barbosa