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11/07/2011

Quem Autorizou?

Fonte da foto:Ezaro
Quem autorizou?
Nos países em que as eleições são sempre plebiscitárias vota-se em tudo, até em normas para se recolher o cocô do cachorro nas calçadas.
Li, certa vez, que num desses países — acho que era a Noruega — não era incomum um eleitor ficar até meia hora na cabine eleitoral, marcando numa célula tamanho ofício suas opções, não só entre candidatos para representá-lo mas entre grandes e pequenas questões da vida comunitária, como usinas nucleares, sim ou não? Ou: cocô na calçada, quem é o responsável?
Pensei nesse eleitor e no seu poder de escolha lendo as notícias sobre as lambanças no nosso Ministério dos Transportes. Não podemos querer imitar os escandinavos e trocar nossas maquininhas de votar ligeiro por plebiscitos demorados, certo.
Mas quando foi que nos perguntaram se concordávamos que o Ministério do Transportes fosse doado ao PR? Quem autorizou o feudo com seu voto?
Quem, entre os eleitores, sabia da cláusula de exclusividade do acordo com o PR, quem aprovou a troca de um ministério, e um ministério cheio de dinheiro, por votos no Congresso? E logo com o PR, um partido que — pelo que se sabe — não representa nada a não ser sua própria gana?
Claro, ao apertar os botões da maquininha de votar o eleitor está dando aos candidatos da sua escolha o direito de fazer o que for necessário para governar, inclusive barganhas — ou alianças, que fica mais bonito. Está votando implicitamente em tudo que imagina que os candidatos pensem e pretendem.
Quem votou em Dilma ou no PT na maquininha fez, de certa forma, todas as opções que encontraria numa cédula plebiscitária, inclusive sobre como dispor do cocô de cachorro, para insistir na metáfora nojenta.
O acordo com o PR foi feito pelo Lula, decepcionando quem esperava que esse tipo de aliança o PT nunca fizesse. Mas a Dilma presidente também foi feita pelo Lula, que certamente sabia das suas implicâncias e da sua determinação. Dilma, desfazendo o acordo, estará redimindo Lula e o PT dos seus pecados por associação.
Luíz Fernando Veríssimo
Fonte: Jornal Zero Hora

06/10/2010

"Estamos vivendo um momento de ruptura"

Entrevista com: Robinson Cavalcanti

A que o senhor atribui a inesperada votação obtida por Marina Silva?

Acho que ela representou uma proposta de ética, não só de discurso mas de exemplo de vida. Somaram-se a ela muitos dos que apoiaram o Governo Lula e tinham críticas a possíveis comportamentos éticos, os que tinham maior preocupação com o meio ambiente, pessoas da uma classe média e de uma juventude que não se identificava com as duas propostas, de Dilma e de Serra. Também os setores religiosos, tanto de católicos quanto evangélicos que enfatizam muito valores na questão da vida. É até uma identificação simbólica porque, ao mesmo tempo que Marina foi militante católica da Teoria da Libertação, incorporou os pentecostais porque é membro da Assembleia de Deus e viu uma adesão grande das igrejas protestantes históricas.

O que mais lhe chama a atenção e que pode ser importante no voto do segundo turno?

Há um ponto central: Por herança do positivismo, indo para o marxismo, as pessoas não entenderam que há uma diferença entre Estado e nação. O nosso Estado é laico, mas a nação é religiosa. As elites pensantes não entenderam que o Estado é um ente político-jurídico, enquanto a sociedade tem uma história, cultura e valores. Isto antropologicamente é denominado nação e ela é formada por religiosos. Detectar que os eleitores querem a expressão das suas crenças e valores é entender que existe uma nação pulsante dentro do Estado. Estamos num momento de ruptura, de compreensão desses novos paradigmas. Os políticos vão ter de entender isso, senão vão perder a eleição.

E qual seria essa ruptura?

A discussão é: os eleitores fazem parte da nação e não se pode dizer numa eleição 'por favor, não leve em conta suas crenças religiosas no espaço público'. Esse é um discurso da ideologia secularista que nos une agora no século 21 à Europa Ocidental. Ocorre que não estamos na Europa Ocidental. É preciso se entender que o ser humano não é só economia, não é só racionalidade. É um ser múltiplo, um ser cultural e um ser ético.

Olhando pelo ângulo inverso: o que teriaatrapalhado a candidata da ex-ministra Dilma?

Por um lado, um papel não isento da imprensa. Segundo lugar, o escândalo da Erenice (Guerra) porque a bandeira do PT sempre foi da ética. Depois, a candidatura de Marina, que quebrou a polarização. Há outros fatores, como a orquestração suja de boatos em que se passou a acusar a Dilma com frases como "nem Jesus Cristo é capaz de me derrotar". Isso teve um efeito muito grande. Tenho uma rede de igrejas e projetos sociais que me faz circular e noto que as pessoas estão profundamente confusas com isso.

Em virtude desses boatos, é possível se apontar uma tendência dos evangélicos para o segundo turno?

As pessoas estão muito mais fazendo perguntas que elaborando respostas. Estão num momento de dúvida. Pouco se fala da questão religiosa, mas ela é profunda e representa muito, inclusive porque é grande a percentagem de protestante na população.

E qual será a lógica predominante entre os evangélicos na hora da escolha?

Para mim, o discurso que sensibilizará é um discurso que caminha para o social-progressista e de uma lógica moral conservadora.
 
Fonte: Diário de Pernambuco

05/10/2010

"A política é um bom meio de vida para quem é ladrão e mentiroso"

"Eu quero pensar, mas pensar objetivamente e emocionalmente. Eu sei que a política é um bom meio de vida para quem é ladrão e mentiroso. Para quem é do bem e honesto é uma tarefa difícil de sempre nadar contra a corrente todos os dias".

Dois dias após as urnas confirmarem sua derrota oficial na disputa ao Senado, a vereadora Heloísa Helena (Psol) apareceu publicamente na primeira sessão da Câmara Municipal em Maceió. Não fez discursos e atendeu muitos telefonemas. "Agradeço aos 417.636 votos. Foi uma eleição difícil".

Mapa político: veja os eleitos e a composição do Senado

Há dois meses, Heloísa Helena estava na ponta nas pesquisas ao Senado. A entrada do presidente Lula, pedindo votos ao deputado federal Benedito de Lira (PP) e Renan Calheiros (PMDB), no guia eleitoral, causou um efeito devastador. Ela ficou em terceiro lugar, com 16,6% dos votos.

"Tive de enfrentar a máquina dos governos federal, estadual e municipais. Foi uma máquina de moer gente", disse. "Desde o início, eu sabia que seria difícil. Mas, o que é difícil a gente faz. O impossível a gente tenta".

O candidato ao governo de Alagoas pelo Psol, Mário Agra, ficou com 1,37% dos votos na disputa. Benedito de Lira era apoiado pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB); Renan pelo ex-governador Ronaldo Lessa (PDT). Teotonio e Lessa se enfrentam no segundo turno. Ambos elogiam Lula em seus palanques. Lessa, oficialmente, é o candidato do Palácio do Planalto em Alagoas.

O Psol nacional não pedia votos a Heloísa, que declarou preferência por Marina Silva (PV). O candidato do partido à presidência da República, Plínio de Arruda Sampaio, não pisou em Alagoas. José Serra esteve duas vezes, em encontro com os tucanos; Dilma Rousseff recusou até os convites para receber títulos de cidadã alagoana e maceioense. O senador Fernando Collor (PTB) pedia votos para a petista.

O tostão e o milhão

"Foi uma vitória nossa. Não tínhamos riqueza e havia o poder político e econômico. Enfrentei desde o presidente da República até as instâncias locais", disse a vereadora.

"Eu quero pensar, mas pensar objetivamente e emocionalmente. Eu sei que a política é um bom meio de vida para quem é ladrão e mentiroso. Para quem é do bem e honesto é uma tarefa difícil de sempre nadar contra a corrente todos os dias", disse, negando que vá desistir da política.

"Todas as pessoas dignas que estão na política pensam em deixar. É natural. Mas, não vou dar este gosto aos meus adversários políticos. Não vou dar a eles esta dupla vitória. A gente tem que pensar no papel que a gente cumpre na sociedade".

Em feiras no interior de Alagoas, onde aparecia para distribuir santinhos, era acompanhada por jagunços de prefeitos e vereadores. Na capital, o prestígio de Lula "demonizou" Heloísa. Chegou a ser hostilizada em alguns lugares. Não fala do assunto. Derrotada, fica mais dois anos na Câmara. Ela é oposição ao prefeito Cícero Almeida (PP), apesar de evitar críticas a administração dele.

Em 2003 era senadora pelo PT. Por críticas a Lula e a política econômica, foi expulsa do partido. Com ex-petistas fundou o Psol. Em Alagoas, o partido tem, além de Heloísa, o vereador Ricardo Barbosa, que era candidato a deputado estadual. Ele também perdeu a eleição.

Fonte: Terra

PS.Não consegui entender aqui do Rio Grande do Sul, como uma pessoa da estirpe de Heloísa Helena não conseguiu se eleger. 
Realmente esse governo é insano, o Lula pedindo votos para o Renan Calheiros é de doer e falam que o pior está por vir.

06/02/2010

Leitura da Bíblia gera controvérsia





Vereadores têm deixado de ler passagens bíblicas, descumprindo regra e irritando padre da cidade


Por Leandro Belles (Jornal Zero Hora) Rio Grande do Sul


Vereadores de Carazinho, no norte do Estado, devem decidir nos próximos dias sobre a continuidade de um ritual que tem provocado polêmica na cidade. A obrigatoriedade da leitura de trechos da Bíblia no plenário divide opiniões e provoca debates na comunidade.

O padre João Gheno Netto, 80 anos, conta que foi ele quem, há mais de 40 anos, sugeriu que trechos do texto sagrado fossem lidos no legislativo local durante as sessões. Há cerca de uma década, a prática foi incluída no regimento da Casa. Na semana passada – ao saber pela imprensa local que vereadores estavam deixando de ler o livro –, o religioso resolveu se manifestar. Diz ter sido comunicado por amigos que a leitura havia sido abandonada porque alguns dos membros da Câmara não saberiam ler corretamente termos bíblicos.

– Não vou e não posso tomar medida nenhuma. Não sou padre para destruir, mas sim para construir. Só acho que eles deveriam seguir a regra. Além do mais, como vão legislar sem ter senso de fraternidade e justiça? Isso se aprende na Bíblia – aponta o padre.

A discussão foi levantada pelo próprio presidente da casa, Gilnei Jarré (PSDB). Ele conta que, desde o ano passado, há resistência de alguns colegas em cumprir o ritual. O presidente recorda que, por diversas vezes, era sempre o mesmo colega que lia o trecho, contrariando o rodízio de vereadores previsto no regimento.

– Se está no regimento, todos têm de ler. A partir de segunda-feira, quem não ler o trecho vai ter o nome divulgado – disse Jarré.

O vereador Erlei Vieira (PSDB) se coloca contra a obrigatoriedade da leitura. Para ele, o ambiente atual da Casa não seria adequado para a pregação.

– Levei tanta rasteira de colega este ano, que acho contraditório ler a Bíblia e depois acontecer isso.

Felipe Sálvia (PDT) é um dos que defendem publicamente a continuação do hábito. Para ele, a palavra de Deus ajuda em qualquer ambiente. Além disso, a determinação do regimento deve ser cumprida por todos. Na esteira da repercussão, o promotor Cristiano Ledur, do Ministério Público Estadual, em Carazinho, esclarece que o regimento da Câmara desrespeita a Constituição. A Carta, segundo Ledur, diz claramente que o país é laico (um Estado sem religião oficial) e por isso não se pode impor o ritual
.

PS. "A palavra de Deus ajuda em qualquer ambiente". Ainda acreditam que a leitura da boca para fora possa "ajudar", ainda mais com caráter legal. 
Reforçam o significado mágico que dão a simples leitura da Bíblia e negam que o que vale não é a leitura, mas a prática dos ensinos de Jesus nela contidos, como fruto de vidas transformadas pelo evangelho.
Como Jesus denunciou "hipócritas" pura teatralidade, esta notícia denuncia também o que acontece em alguns lugares que convencionaram chamar de igreja. 

18/05/2009

Farra Gospel com dinheiro público!


DENÚNCIA




O deputado Robson Rodovalho (DEM-DF), decidiu fazer uma farra gospel e contratou artistas e pastores para o evento, que contou com o apoio da Sara Nossa Terra, igreja fundada por Rodovalho em 1992. Acontece que, para deslocar essa galera, o nosso amigo não quis meter a mão no bolso, e decidiu usar a “cota” de passagens aéreas para pagar a passagem da turminha. Isso mesmo: ele fez o evento, mas na hora de meter a mão no bolso, ele meteu a mão no teu e no meu! Que fanfarrão...


Segundo levantamento do site “Congresso em Foco”, a Câmara pagou passagens para oito integrantes da banda Oficina G3 e o rapper DJ Alpiste. Eles foram de São Paulo para Brasília, onde participaram da segunda edição do "Desperta, Brasília", realizado no estacionamento do ginásio Nilson Nelson. O pessoal que quis assistir as apresentações, teve que pagar 10 reais, além de levar 1 quilo de alimento não perecível. O alimento eu sei que foi destribuído para os pobres, mas sobre o destino dos 10 pilas do ingresso, não me pergunte que eu não sei. Mas o surpreendente mesmo foi a notícia divulgada nesta sexta-feira, na qual Rodovalho informa que devolveu R$ 41.196,40 à Câmara no dia 14 de maio de 2009, referentes às passagens. Que bacana, hein, Rodovalho?! Mas não espere ovações da minha parte: na minha opinião, você não fez mais do que a sua obrigação. Aliás, melhor seria que o sr. não tivesse usado a cota para fins particulares, e já que usou, que pelo menos não demorasse tanto para consertar a palha-assada que você fez!


Porém, não se enganem. Apesar de ter devolvido o dinheiro, o deputado não está arrependido. Questionado sobre o tema, Rodovalho disse: "Todos os deputados federais da Casa receberam instruções de que a cota existia e poderia ser usada da forma mais conveniente para o trabalho parlamentar", e ainda ressalta que em 2007 o uso da cota de passagens aéreas dos deputados por terceiros não era motivo de questionamento. Ou seja: “que se dane todo mundo. Usei mesmo, pronto e acabou!”. Sacanagem é pouco, né Rodovalho?!


O pior de tudo é que eu sei que agora vai chover gente aqui no blog me chamando de anticristo, acusando-me de tocar no ungido do Senhor. Engraçado que ele pode “tocar” no bolso da galera, sem maiores constrangimentos, né? Quanta hipocrisia! Portanto, caro apologista do torto, pense duas vezes antes de deixar um comentário execrável desses aqui.

Já basta o bispo Rodovalho pra “defecar” a imagem do evangélico brasileiro.


Como diria Bóris Casóy É uma vergonha

26/10/2007

O País do "Falta um Dedo"


A propósito da sessão do Senado Federal para cassação de Senador


Bispo Josué Adam Lazier


Pensava que vivia num país do “falta um dedo” e que isto simbolizasse que mesmo no meio das carências as pessoas submetidas aos maus tratos ou ao trabalho forçado e sem cuidado, poderiam buscar e alcançar a dignidade na vida.


Pensava que neste país do “falta um dedo” faltavam outras coisas também, como a água, a luz, o pão, o chão pra plantar, a casa, o trabalho, a saúde, a educação, o mínimo para se viver com dignidade, etc.


Pensava que neste país faltava uma política de inclusão das pessoas portadoras de deficiências, dos velhos, dos menos favorecidos e dos que sempre foram impedidos de se incluírem com dignidade na vida social.


Pensava que no período do governo do “falta um dedo” estas carências e estas faltas seriam combatidas e supridas, mesmo que com muito trabalho e com muito enfrentamento político, porque para mudar o país do “falta um monte de coisas” para um mais justo, fraterno e humano, as forças do mal teriam que ser combatidas com justiça, com a força do voto do povo, com a lei e com o direito.
Pensava que mudanças ocorreriam na cultura política e na estrutura de poder deste país do “falta um dedo”, pois a dor do povo, a dor da fome, a dor do não ter onde morar, trabalhar e estudar, estava simbolizado no dedo que faltava.
Pensava, esperava, votava e aguardava.


Agora estou descobrindo que o país do “falta um dedo” é também um país do “falta ética na política”, falta “vergonha na cara” de alguns políticos, falta dignidade em alguns que assumiram pelo voto sagrado do povo o dever sagrado de cuidar do povo e não o fazem, pois preferem cuidar de si mesmos, ao invés de desempenharem suas funções de forma legal, de legalidade e legal, de legal mesmo e por fazer “coisas legais” para o povo.


Agora descobri que o erro, o crime, a violência contra a mulher, a exploração da criança, o roubo, a bandalheira, a corrupção e outros adjetivos, só são considerados erros passíveis de punição se houver quem consiga convencer os “juízes” da veracidade dos fatos que são fatos no mundo real.


Descobri que aqueles que foram eleitos para cuidarem do povo, estão cuidando dos que foram eleitos pelo povo e constrangendo os representantes “legais” do povo para que não punam os que cometem crimes e, mesmo que no vocabulário desta elite política as palavras tenham outras conotações, crimes são sempre crimes.


Descobri que a falta que angustia o povo é a falta de vergonha e de respeito para com a população, que está presente entre os que foram eleitos pelo voto popular.


Descobri que nem Igreja ecumênica, nem não ecumênica, nem carismática, nem progressista, nem tradicional, nem pentecostal, se faz presente nesta hora para denunciar profeticamente e indicar o caminho do direito e da justiça, pois o que acontece no Senado Federal deste país do “falta ética” é coisa para o juízo divino, é coisa para a justiça de Deus, uma vez que nos nossos “juízes” não têm competência para julgar e condenar.


Acho que estou vivendo no país do “falta respeito para com Deus”, pois se houvesse muitas coisas mudariam, pois não dá para ir ao culto ou à missa em respeito a Deus e não ser impulsionado pelo Espírito de Deus para a prática da justiça e do direito que Ele mesmo criou para orientar a vida e os relacionamentos. As leis nós criamos, mas o direito e a justiça são de Deus e elas nunca faltam, em algum momento da vida julgarão a todos, sobretudo os que roubam e impedem a vida digna e a esperança do povo pobre e sofrido. O dedo que ninguém vê é o dedo indignado de Deus apontado para os poderosos.


Bispo Josué Adam LazierPastoral Universitária da UNIMEP

27/09/2007

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA

Quem estiver sem pecado, que atire a primeira pedra... Lembrei desta frase ao saber da absolvição do senador Renan Calheiros na última quarta-feira. Atolado num mar de acusações que vão desde envolvimentos com lobistas de empreiteiras, desvios de verbas públicas, crescimento vertiginoso e mal explicado do patrimônio pessoal, fraudes fiscais e contábeis, mentiras ao fisco e à Polícia Federal, utilização de “laranjas” para esconder negociatas ilícitas, abuso de autoridade e poder, enfim uma lista inconcebível para qualquer cidadão, mais ainda ao presidente do Senado, a casa maior do poder legislativo da República, não há outra explicação para que tenha sido evitada sua cassação senão a máxima estabelecida por Jesus: o Senado é uma casa onde macacos não criticam o rabo dos outros porque têm vergonha dos seus próprios rabos.O senador Renan Calheiros sabe demais. Sabe dos pecados e crimes de tantos outros senadores, sabe dos expedientes dos que se locupletam no exercício do poder: compra de votos, beneficiamento de empresas, manipulação de verbas orçamentárias, recebimento de doações para “fundos de campanha”, comércio de concessões de veículos de mídia, sistemas de corrupção, loteamentos de estatais, “caixas dois”, os “por fora” das privatizações, além das escapadelas hedonistas dos engravatados da corte. Fosse escrever na areia, o senador Renan Calheiros encheria o chão com um triller de romances ilícitos, negócios espúrios, crimes grotescos, expondo a podridão dos bastidores do poder que nada mais são do que reflexo e expressão dos lixos guardados nom porão da alma humana conquistada pela diabólica trindade dinheiro, sexo e poder.Não me admira que os senadores tenham escolhido a escuridão de uma seção secreta com o manto para uma votação secreta não menos tenebrosa: “as pessoas preferem a escuridão porque fazem o que é mau. Os que fazem o mal odeiam a luz e fogem dela para que ninguém veja as coisas más que fazem”, diz a Bíblia Sagrada (João 3.19,20 – BLH). Escondidos nas trevas, os homens maus são incapazes de promover processos de justiça, primeiro porque não têm autoridade moral para executá-los, mas também e principalmente porque temem a exposição de sua própria impiedade, vivem aterrorizados pela possibilidade de que sua vergonha seja exibida pelas esquinas, vire manchete de jornais, capas de periódicos, corpos nus em revistas de fetiche.Ao denunciar o pecado dos impiedosos apedrejadores Jesus pretendia convocar todos à dignidade humanizadora, fraterna, conciliadora, mostrando que a culpa e a vergonha não são purgadas pelo achincalho, o enxovalho e a pena capital em praça pública, mas pela outorga mútua da compaixão e da misericórdia, própria dos que enxergam as sombras de suas próprias almas e estendem a mão e se irmanam na súplica para sejam guiados ao caminho da luz.A proposta cristã da recusa ao apedrejamento não é uma licença para a manutenção de um sistema imundo perpetuado por almas sujas. A proposta cristã para que ninguém atire a primeira pedra é a afirmação de que ninguém precisa temer vir para a luz: a confissão a Deus não implica colocar a cabeça na guilhotina, mas o abrir do coração para que o poder de Deus anule a força da maldade, o perdão de Deus anule poder da culpa e da vergonha, e o amor de Deus se derrame sobre todos, para que se tornem desnecessários os bodes expiatórios e os processos vitimários. Jesus pretendia que os homens soltassem as pedras para que tivessem as mãos livres para receber perdão e amor, e pudessem se abraçar em justa e fraterna comunhão. Os senadores brasileiros que soltaram as pedras o fizeram por outras razões: ficaram com as mãos livres para agarrar as pontas do manto da escuridão a fim de que pudessem permanecer escondidos nas trevas e continuassem a fazer o mal.
Ed René Kivitz

Fonte Blog Outra Espiritualidade http://www.outraespiritualidade.com.br/

25/09/2007

"Não verás país como este"

“Não verás país como este” (Olavo Bilac)


“Em parceria com a Ação Educativa, o Ibope
informou que 75% dos brasileiros são analfabetos ou semi-analfabetos;
oscilam entre não saber ler, ler e não entender e entender pouquíssimo do
que leu.” Gilberto Dimenstein



Um amigo me enviou os dados mencionados por Dimenstein, fiquei e ainda estou em estado de choque. Esses dados revelam que o “apartheid”, vencido na África do Sul, se instalou por aqui de forma, aparentemente, inexorável, pois, esse é uma quadro irreversível a curto e a médio prazo. Nós não temos uma nação, de fato, nem mesmo um país. O que temos é um estado de espoliação de seres humanos, submetidos a um estado aquém da escravidão, porque o escravo, pelo menos, sabe de sua condição. A esses brasileiros tem sido negado o direito ao conhecimento e ao reconhecimento, até mesmo de si; estamos, portanto, diante de um crime contra a humanidade.



Esses dados fazem os arautos da teoria da conspiração se encher de razão. Como explicar um dado dessa magnitude? O que houve com nosso sistema educacional? Sim, porque, desses, aproximadamente 128 milhões de brasileiros, cerca de 104 milhões passaram por algum tipo de escola. E quanto dessa realidade as escolas estão gerando em seus bancos? Lembro-me de ter conversado com um jornalista que, na construção de uma matéria sobre educação fundamental, colocou diante de um menino da quinta série um livro de historia infantil dos mais simples, apenas para, constrangido, assistir ao choro sentido e envergonhado de um pré-adolescente incapaz de ler o que estava diante de si.



Crime, crime, crime... Não há outra afirmação a fazer. Temos de repensar tudo. A começar do que significa caminhar para a justiça social. Se simplesmente redistribui-se a renda sem a correção dessa ignominiosa situação, basta pouco tempo para que a distorção econômica volte a ocorrer. A primeira de todas as socializações necessárias para a superação da miséria é a do conhecimento. Temos de revisitar nossas ênfases; no Brasil, qualquer governo só poderá ser tido por bem sucedido se conseguir reverter esse quadro desesperador. Tanto quanto Fome Zero, necessitamos de Ignorância Zero!



Esses dados falam da sucessão de governos irresponsáveis, para dizer o mínimo, e de uma elite maligna e deletéria. Aliás, não é elite é conluio de apropriadores indébitos. Tínhamos todos de sair às ruas, tínhamos de cobrar responsabilidades. Todos os nossos políticos tinham de ser cassados. Temos de reinventar o Brasil, se quisermos ver-nos pais, e ainda não falamos de nação. Agora sabemos o porque não veremos país como este. É que este não é país nenhum. Atribui-se a Charles De Gaulle a frase: “O Brasil não é um país sério.” Ele errou, faltou-lhe uma virgula, a frase deveria ser: “O Brasil não é um país, sério!”



As Igrejas não têm mais o direito a adorar a Deus. As instituições financeiras não têm mais o direito a lucrar como o logram. As indústrias não podem mais produzir o que produzem e como o produzem. As escolas que ensinam não têm mais o direito a ensinar o que ensinam a quem ensinam. O aparato policial não tem mais o direito a prender a quem prendem. As autoridades não têm mais o direito a estar onde estão - não têm mais o direito a governar, a legislar, ou a julgar. Os partidos políticos não têm mais o direito a pedir voto. Continuem calados os intelectuais. A imprensa não tem mais direito a notícia, a opinião ou a liberdade. Nada mais será legítimo, até que todos se comprometam a envidar todos os esforços para sanar essa dívida social que está exterminando um povo. Tiremos os chapéus, todos, o féretro que passa é o nosso.

Fonte http//kerigmaonline.blogpost.com/

Ariovaldo Ramos

Creio que os números falam por mesmo, só não entendo coisas do tipo o Brasil ter enviado um astronauta no espaço, ser sede do Pan, se candidatar a sede da Copa do Mundo, sem falar das maracutaias, valeriodutos, mensalões, os anões do orçamento, sanguessugas e as vacas e a vaca (do Renan) só para mencionar o que me vem na mente. O circo continua armado, e nós ainda não nos demos conta que os palhaços somos nós. Deus tenha misericórdia de nosso país, perdoe nossos pecados principalmente o da omissão.
Cláudio

13/09/2007

Senado a vergonha nacional






Ordem, um pouco de vergonha e ética não seriam nada mal ao Congresso, em especial ao Senado que mostrou nessa semana como não se presta um serviço a nação ao absolver Renan Calheiros,
o que vamos dizer aos nossos filhos quando for a hora de votar.
Depois a Globo vem com a retórica da "Festa da democrácia" para ganhar audiência, aliás são eles os que mais ganham, audiência nos debates, nas eleições, na posse e durante todas as falcatruas dos mandatos. Só o povo perde.
Como li em um livro do Eduardo Galeano " Se voto mudasse alguma coisa seria proibido"
Pense nisso.
Claudio Silva