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10/08/2010

O colapso do Movimento Evangélico



Por Ricardo Gondin

Dois pastores paulistas se fantasiam de Fred e Barney. Isso mesmo, fantasiados de Flintstone, entre gracejos ridículos, acreditam que estão sendo "usados por Deus para salvar almas". Na rádio, um apóstolo ordena que tragam todos os defuntos daquele dia, pois ele sente que Deus o "ungiu para ressuscitar mortos".


Os jornais denunciam dois políticos de Minas Gerais, "eleitos por suas denominações para representar os interesses dos crentes", como suspeitos de assassinato. O rosário se alonga: oração para abençoar dinheiro de corrupção; prisão nos Estados Unidos por contrabando de dinheiro, flagrante de missionários por tráfico de armas; conivência de pastores cariocas com chefões da cocaína .

Fica claro para qualquer leigo: O movimento Evangélico brasileiro se esboroa. O processo de falência, agudo, causa vexame. Alguns já nem identificam os evangélicos como protestantes. As pilastras que alicerçaram o protestantismo vêm sendo sistematicamente abaladas pelo segmento conhecido como neopentecostal. Como um trator de esteiras, o neopentecostalismo cresce passa por cima da história, descarta tradições e liturgias e se reinventa dentro das lógicas do mercado. É um novo fenômeno religioso.



É possível, sim, separá-lo como uma nova tendência. Sobram razões para afirmar-se que o neopentecostalismo deixou de ser protestante ou até mesmo evangélico.É uma nova religião. Uma religião simplória na resposta aos problemas nacionais, supersticiosa na prática espiritual, obscurantista na concepção de mundo, imediatista nas promessas irreais e guetoizada em seu diálogo cultural.



Mas a influência do neopentecostalismo já transbordou para o "mainstream" prostestante. O neopentecostalismo fermentou as igrejas consideradas históricas. Elas também se vêem obrigadas a explicar quase dominicalmente se aderiram ou não aos conceito mágicos das preces. Recentemente, uma igreja batista tradicional promoveu uma "Maratona de Oração pela Salvação de Filhos Desviados".


Pentecostais clássicos, como a Assembléia de Deus, estão tão saturados pela teologia neopentecostal que pastores, inadvertidamente, repetem jargões e prometem que a vida de um verdadeiro crente fica protegida dentro de engrenagens de causa-e-efeito. Os "ungidos" afirmam que sabem fazer "fluir as bênçãos de Deus". É comum ouvir de pregadores pentecostais que vão ensinar a "oração que move o braço de Deus”.



O Movimento Evangélico implode. Sua implosão é visceral. Distanciou-se de dois alicerces cristãos básicos, graça e fé. Ao afastar-se destes dois alicerces fundamentais do cristianismo, permitiu que se abrisse essa fenda histórica com a tradição apostólica.



1. A teologia da Graça



Desde a Reforma, protestantes e católicos passaram a trabalhar a Graça como pedra de arranque de um novo cristianismo. O texto bíblico, “o justo viverá da fé”, acendeu o rastilho de pólvora que alterou a cosmovisão herdada da Idade Média. A Graça impulsionou o cristianismo para tempos mais leves. Foi a Graça que acabou com a lógica retributiva que mostrava Deus como um bedel a exigir penitência. Devido a Graça entendeu-se que a sua ira não precisa ser contida. O cristianismo medieval fora infectado por um paganismo pessimista e, por isso, sobravam espertalhões vendendo relíquias e objetos milagrosos que, segundo a pregação, “ garantiam salvação e abriam as janelas da bênção celestial”.



Lutero, um monge agostiniano, portanto católico, percebeu que o amor de Deus não podia ser provocado por rito, prece, pagamento ou penitência. Graça, para Lutero, significava a iniciativa de Deus, constante, unilateral e gratuita, de permanecer simpático com a humanidade. Lutero intuiu que Deus não permanecia de braços cruzados, cenho franzido, à espera de que homens e mulheres o motivassem a amar. O monge escancarou: as indulgências eram um embuste. Assim, Lutero solapava o poder da igreja que se autoproclamava gerente dos favores divinos.



Passados tantos séculos, o movimento neopentecostal, responsável pelas maiores fatias de crescimento entre evangélicos, abandonou a pregação da Graça. (É preciso ressaltar, de passagem, que o conceito da Graça pode até constar em compêndios teológicos, mas não significa quase nada no dia-a-dia dos sujeitos religiosos).



Os neopentecostais retrocederam ao catolicismo medieval. É pre-moderna a religiosidade que estimula valer-se de amuletos “como ponto de contato para a fé”; fazerem-se votos financeiros para “abrir as portras do céu”; “pagar o preço” para alcançar as promessas de Deus. Desse modo, a magia espiritual da Idade Média se disfarçou de piedade. A prática da maioria dos crentes hoje se concentra em aprender a controlar o mundo sobrenatural. Qual o objetivo? Alcançar prosperidade ou resolver problemas existenciais.


2. A compreensão da Fé


“A Piedade Pervertida” (Grapho Editores) de Ricardo Quadros Gouvêa é um trabalho primoroso que explica a influência do fundamentalismo entre evangélicos.


“O louvorzão, assim como as vigílias e as reuniões de oração, e até mesmo o mais simples culto de domingo, muitas vezes não passam de um tipo de superstição que beira a feitiçaria, uma vez que ele é realizado com o intuito de ‘forçar’ uma ação benévola da parte de Deus, como se o culto e o louvor fossem um ‘sacrifício’, como os antigos sacrifícios pagãos. Neste caso, não temos mais liturgias, mas sim teurgias, nas quais procura-se manipular o poder de Deus” (p.28).


Ora, enquanto fé permanecer como uma “alavanca que move os céus”, as liturgias continuarão centradas na capacidade de tornar a oração mais eficaz. Antes dos neopentecostais, o Movimento Evangélico já se distanciara dos Místicos históricos que praticavam a oração com um exercício de contemplação e não como ferramenta de como tornar Deus mais útil.



Fé não é uma força que se projeta na direção do Eterno. Fé não desata os nós que impedem bênçãos. Fé é coragem de enfrentar a vida sem qualquer favor especial. Fé é confiança de que os valores de Cristo são suficientes no enfrentamento das contingências existenciais. Fé aposta no seguimento de Cristo; seguir a Cristo é um projeto de vida fascinante.



O neopentecostalismo ganhou visibilidade midiática, alastrou-se nas camadas populares e se tornou um movimento de massa. Por mais que os evangélicos conservadores não admitam, o neopentecostalismo passou a ser matriz de uma nova maneira de conceber as relações com o Divino.



A alternativa para o rolo compressor do neopentecostalismo só acontecerá quando houver coragem de romper com dogmatismos e com os anseios de resolver os problemas da vida pela magia.

O caminho parece longo, mas uma tênue luz já desponta no horizonte, e isso é animador.


Soli Deo Gloria


9-08-10

Fonte: Ricardo Gondin

23/11/2009

Ninguém merece!




Certamente você já deve ter ouvido alguém contar alguma história sobre a mãe que doa um órgão para salvar a vida do filho, como um rim ou medula, por exemplo. Provavelmente, se fosse possível, qualquer mãe ou pai, que realmente amasse ao seu filho, seria capaz de dar o próprio coração e a vida para salvá-lo.

Há uma frase muito comum entre as mães, elas dizem assim: “desde que meu filho nasceu minha barriga nunca mais encheu”, apesar da brincadeira, a frase denuncia a preferência natural que qualquer mãe do mundo teria em, possuindo apenas um pão para comer, dar ao filho para saciar sua fome.

Não é muito difícil aceitar ou pensar em sacrifícios desta magnitude, vindo de pais e mães, nosso imaginário está povoado de muitas lembranças com exemplos deste tipo de entrega. A própria lei reconhece que em casos extremos um pai de família ou uma mãe desesperada são capazes de roubar comida para dar aos filhos, este tipo de crime é atenuado pela lei por entender que a motivação é justificada pelo instinto natural de preservação e defesa dos filhos.

Diante da eminente possibilidade de morte, qualquer pai ou mãe do mundo, sendo bons, certamente escolheria preservar a vida do filho do que a sua própria vida.

Por outro lado, imaginando alguém como Fernandinho Beira-mar ou os jovens criminosos que arrastaram o pequeno João Hélio pelas ruas do Rio de Janeiro, certamente é muito fácil pensar em exercer justiça neles prendendo-os numa carceragem pelo resto de suas vidas ou, como é comum em alguns estados norte-americanos, mandá-los para uma cadeira elétrica, câmara de gás ou forca. Alguém mais “animado” com o gosto do sangue vingado poderia sugerir que aos perversos criminosos fosse imputada a mesma ação de crueldade. Condená-los com o mesmo tipo de condenação que eles mesmos aplicaram a quem não merecia tal agressão. Olho por olho, dente por dente. Estupro por estupro, morte por morte.

Na carta aos Romanos, no capítulo 5, o apóstolo Paulo diz que por uma pessoa boa ou querida pode ser que alguém se anime a dar a própria vida para livrá-la da morte, mas Deus prova o seu grande amor pelo fato de Jesus ter se entregue e morrido por nossa causa, sendo nós ainda maus, pecadores, sem merecimento algum.

O fato é que, para nossa surpresa, Jesus deu a vida por Fernandinho Beira-mar sim, pelos jovens que arrastaram o João Hélio, pelo pai que jogou a filha pela janela do prédio, pelo pior, pelo mais malvado dos seres humanos e também por quem se sente bom, por aquele que talvez nunca tenha cometido um crime hediondo, por aquele incapaz de levantar a mão ou a voz contra outra pessoa. Jesus deu a vida por Madre Tereza de Calcutá, por Ghandi e por você também.

Paulo ainda escreve dizendo que todos pecaram. Toda a humanidade, sem distinção, se afastou de Deus por causa dos seus crimes, maldades, perversidades, mentiras e todo tipo de insulto a Deus e sua criação, consciente ou não. Ele diz que não há ninguém que possa se auto intitular justo ou santo, não existe qualquer homem ou mulher nesta terra que possa simplesmente dizer: “eu não tenho pecado algum”.

O fato é que Deus, através de Jesus, ou seja, em si mesmo, perdoou nossas dívidas de pecado se entregando e se sacrificando em nosso lugar. Todo pecado exige um sacrifício para ser quebrado, alguém precisa morrer, derramar sangue, para que a maldição do pecado seja desfeita. Como concessão o sangue dos cordeiros e das aves eram oferecidos nos templos para purificar os pecados daqueles em lugar de quem os inocentes animais morriam, mas agora o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo foi entregue, oferecido no altar de toda a existência humana. Não precisamos mais de outro sangue para limpar pecados, de uma só vez e por todas as vezes, Jesus se entregou e se derramou por todos. Tendo a opção de deixar tudo como estava, por amor, o Justo pagou pelo pecador. O lugar da cruz era meu e seu, quem deveria ter subido lá era você, era eu, era o Beira-mar e nossos filhos, mas Jesus escolheu subir e morrer em lugar de todos.

Ninguém merece o que Deus fez! Não é por sermos bons ou maus que a condenação do pecado e da morte foi eliminada, foi por amor. Por um amor que dificilmente entenderemos, mas que é possível ser experimentado por aqueles que, agora estão e querem continuar em Cristo, em Jesus.

Para alguém que não tenha familiaridade com os escritos judaicos ou cristãos, pode ser que alguns conceitos passem desapercebidos ou sem significado profundo na sua alma. Mas sendo você agnóstico ou não, dando o nome que quiser ao Criador, cultuando-o ou simplesmente ignorando Sua existência, entenda que você é alvo irremediável deste gigantesco e infinito amor. Pode ser que nunca venhamos a descobrir o verdadeiro nome de Deus, pode ser que nunca saibamos que tipo de culto realmente O agrada, podem ser muitas outras questões que fiquem sem resposta para sempre, mas podemos vê-lo em Jesus, podemos falar com Ele e ouvi-Lo através de Seu Espírito.

O Criador não precisa de templos construídos por mãos de homens para ser adorado, não precisa da instituição de alguma religião, não precisa nem de palavras nem de ritos, nem de entendimento para ser recebido ou aceito. Ele simplesmente é o autor da criação, da grande salvação que recebemos sem merecimento algum.

Ele é quem sonda cada pensamento nosso, sabe das profundas intenções escondidas em cada coração humano.

Ninguém merece todo este amor e entrega do próprio Deus, mas teimosamente Ele escolheu nos amar com todas as nossas manias, defeitos, resistências, impedimentos e falta de desculpas. Ele é quem falou sem nojo para o leproso: “quero, fica limpo!”, tocou o morto sem medo de se contaminar e o fez ressuscitar, conversou com pecadores e os amou. Foi perseguido, ofendido, sofreu dores de angústia, foi amaldiçoado, esbofeteado e nos perdoou. Ele é quem disse ao ladrão arrependido, pregado na cruz ao lado: “hoje mesmo estarás comigo no paraíso!”.

É sobre Ele que o apóstolo Paulo afirma: “crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa!”. É a respeito dele que está dito e profetizado em toda a existência, imaginário, arquétipo e cultura humana sobre “aquele que viria”, Ele nos resgatou do Império das Trevas e nos transportou para o Reino da Luz, para o Reino do Filho do seu amor, Ele é quem tem o nome que é sobre todo nome, sobre todos os poderes, é diante Dele que, crendo ou não, todo joelho se dobrará!

É Ele quem nos convida, como gente que não merece bem algum, a sermos chamados de filhos amados, resgatados e restaurados. Sim! Sem merecimento, somente pela fé!

Você crê?


O Deus que nos ama sem merecimento algum te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

13/06/2009

IDOLATRA! EU?











CONCEITOS E VALORES








Por Carlos Roberto Martins de Souza



Eu sou o Senhor; este é o meu nome a minha glória, pois a outrem não darei, nem o meu louvor à imagens de escultura





Isaias 42 :8



Para os evangélicos o conceito de “idolatra” se aplica literalmente às práticas do catolicismo nas suas relações de fé quando adotam imagens para se interporem nas formas de culto e de relacionarem com Deus. É exatamente assim, os “crentes” pensam exatamente desta forma e relacionam diretamente uma coisa com a outra sem darem conta de que o fato é muito mais abrangente do que imaginam.




Mas, e você se considera um “idolatra”? Com certeza absoluta sua resposta será não. Eu! Idolatra? Imagina, não confunda as coisas. Mas, você tem a “plena convicção” que não é um idolatra? Provavelmente a sua resposta possa ser sim, mas continuo a insistir, o que você define por “idolatria”? Espero que depois do que vou tratar aqui você possa chegar a uma conclusão: “Preciso mudar meus atos diante de Deus”.




Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo...” - I Coríntios 3:10 e 11.



Para a maioria dos evangélicos e isto vem de longe, “idolatria” reside apenas o fato de pessoas “adorarem imagens de escultura” feitas por mãos humanas, motivo esse que sempre foi o principal ponto de divergências com o catolicismo. No entanto, diante dos absurdos que temos visto dentro das igrejas evangélicas, podemos sem nenhum constrangimento ou medo de cometer heresia, questionar até que ponto a “IDOLATRIA”, ainda que praticada de forma diferente, têm sido uma realidade assustadora entre nós. Durante séculos os cristãos “evangélicos” têm vivido na defensiva imputando aos outros segmentos religiosos a prática da “idolatria”, isto porque estes grupos inseriram em suas práticas e rituais de culto o uso direto e obrigatório de imagens de escultura. Assim, objetivamente os crentes classificam as pessoas que prestam culto através de um objeto qualquer como “idolatra”, o que não é errado, mas também não é o a única forma de se desviar do verdadeiro sentido de “cultuar a Deus”.




Para fugirem da sentença de condenação eterna e divina imposta pela santa “lei de Deus”, a Igreja Católica serve-se de “sutilezas teológicas” a fim de ludibriar os fiéis. Dizem e vivem a repetir os fâmulos católicos que os protestantes não levam em consideração a diferença entre “venerar” e “adorar”, argumentam ainda que o culto de adoração é prestado somente a Deus, mas que prestam um culto de veneração às imagens, às relíquias aos santos e a Virgem Maria. Dizem: O católico venera os santos, não as imagens, mas o que elas representam, assim como sentimos amor por uma pessoa querida ao ver a sua foto. Veja que neste exemplo não sentimos amor pela foto, mas pela pessoa que nela está representada.




De fato, para o catolicismo "a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo original", e quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está esculpida ou pintada. A honra prestada às santas imagens, dizem, é uma "veneração respeitosa", e não uma “adoração”, que só compete a Deus. Como dizia John Wycliff e Savanarola, este último cuja voz de protesto foi sufocada pelas “fogueiras inquisitoriais”: “Eles adoram, com efeito, no sentido próprio da palavra, as imagens, pelas quais sentem uma afeição especial” - A Imagem Proibida pág. 280




Frei Basílio Rower, em seu “Dicionário Litúrgico” na pág. 15 sobre o verbete: “Adoração da Cruz”, comenta: “A ADORAÇÃO DOS SANTOS E DE SUAS RELÍQUIAS E IMAGENS CHAMA-SE GERALMENTE VENERAÇÃO.” (ênfase do autor)




Bastaria uma consulta a de nossos dicionários para desmascararmos esta suposta diferença, esta distorção dos fatos, pois venerar e adorar são “sinônimos” sendo que venerar é palavra “latina” e adorar é palavra “grega” tendo o mesmo significado. Sendo assim, o dicionário coloca acertadamente “adorar” no mesmo patamar de “venerar”. Mas os católicos insistem em fazer vistas grossas a este fato e saem pela tangente com o argumento de que adorar e venerar pelo dicionário da língua portuguesa, nos dias atuais, não têm qualquer diferença. Mas, não se esqueça de que a nossa fé tem mais tempo do que a história de Portugal e Brasil. Na literatura católica, por “conveniência” e apenas por ela, há distinção entre adorar - latria - e venerar - dulia - mas, como eles mesmos admitem e qualquer católico poderá conferir, “adorar” é o mesmo que “venerar” e isto é uma pedra de tropeço para a teologia católica.




O problema fundamental é que ninguém em pleno século XXI vai “admitir” que adora uma imagem. É algo repugnante à moderna mente tecnológica de nosso século. Acontece que entre a teoria e a prática, há, no entanto, um grande abismo. E é este abismo que tem levado muitas pessoas ao engano e a se posicionarem numa estratégia de defesa argumentando que no culto que prestam a “idolatria” está excluída e que vivem em função de adorarem somente a Deus.




O que seria “idolatria”? Apenas o fato de alguém adorar a imagens? Obviamente que não! Ela não se resume a tão pouca coisa, IDOLATRIA é tudo aquilo que “substitui” a Pessoa de Jesus Cristo na vida de uma pessoa. A referência Bíblica apresentada por Paulo nos ensina que ninguém pode lançar outro fundamento além do que já foi posto, que é Cristo. Quando passamos a lançar outros fundamentos que não seja Jesus, logo estamos tentando substituí-lo e por isso nos tornamos IDÓLATRAS.




As igrejas evangélicas não possuem imagens de “santos” nem de outros deuses o que é natural, mas praticam a idolatria devido a tantos outros “fundamentos” que se têm lançado. Por esta razão Paulo faz um alerta: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo” - II Coríntios 11:3. E como nós evangélicos temos nos afastado da simplicidade que há em Cristo! Como temos idolatrado tanta coisa com a maior naturalidade. Via de regra ouve-se um irmão de fé afirmando categoricamente: ”Eu adoro isto”! Viva o chocolate!




Como se tem lançado neste tempo tantos outros fundamentos fora de Cristo e por isso, muitos de nós tem se tornado “idólatra” na concepção da palavra. É fácil constatar isso mediante os “falsos ensinos” e “heresias” que estão se alastrando como praga no meu evangélico. Prega-se por ai tantas “abobrinhas”, valendo-se de passagens Bíblicas fora de contexto e interpretações equivocadas. Até parece que o sacrifício de Jesus Cristo na cruz não tem mais valor, pois damos mais espaço para outras formas de “redenção” e “justificação”. São muito hereges induzido o povo a confessar os seus pecados cometidos desde a infância, mas aonde entra a nossa total redenção conquistada lá na Cruz? E o que dizer do perdão e da vida nova em Cristo? Deixaram de existir ou perderam o seu valor? Segura o “shofar”, lembra-te do sábado, olha o jejum de quarenta dias, não quebre a corrente e vai por ai! Heresias, tudo heresias...




Enquanto a Palavra de Deus nos revela as suas maravilhas através de Jesus, muitos, mal orientados ou por interesses duvidosos, preferem os rituais e as técnicas e tantos outros fundamentos fora do Salvador. Como se fosse pouco, a barbaridade religiosa transvestida de cristianismo, tenta anular a graça lançando outro fundamento, muitos corrompem o Evangelho e acentuam a ganância do homem institucionalizando a “cobiça” como uma prática comum. A teologia da prosperidade tem colocado dentro das igrejas um altar para o “deus da riqueza”, Mamom. Toda sorte de “barganhas” e “negociações” têm sido ensinadas aos cristãos, inclusive atribuindo o tamanho da “bênção de Deus” aos bens materiais que se possui, como se nossa herança não fosse eterna.



Dessa forma, como podemos chamar de “idólatras” aqueles que se curvam diante de esculturas, se nós temos as nossas próprias “idolatrias” personalizadas ao melhor estilo gospel?



Carlos Roberto Martins de Souza


crms2casa@otmail.com

Fonte Texto Enviado por e-mail



02/06/2009

Desconstrução

Não quero reformar nada! Não quero reformar ninguém! Apenas quero desconstruir minha religião e dar-me a oportunidade de começar novamente. Do zero! Quero aprender a orar porque suspeito que nunca aprendi em todos esses anos de eloquentes orações entonadas no conjunto de súplicas adornadas de lindos verbos.


Tenho a ligeira impressão de que todas as vezes em que falei em línguas na roda de oração para fazer notório o meu nível espiritual, não me valeram de edificação alguma. E que minhas devocionais carregadas de desânimo e obrigação para com a minha "consagração" no ministério de louvor não resultaram em nenhuma intimidade com Deus!


Quero desfazer de tudo que sei, ou que penso saber, e de tudo que não sei, e penso não saber, para aprender paulatinamente através de uma busca sincera, paciente, desobrigada, verdadeiramente motivada e autêntica, tudo quanto preciso, quanto quero e quanto me é essencial na jornada da fé. Quero despojar-me dos manuais religiosos, das doutrinas inquestionáveis, das tradições incoerentes e da estupidez e falácia da religião.


Quero duvidar de tudo e de todos, porque minha alma contorce pela verdade e tem sede de justiça. Quero abrir os meus olhos e enfrentar o ardor da luz cortante da revelação. Quero ficar cego por um tempo em virtude do impacto que a luz da verdade traz. Ficar cego para o enlatado evangélico, cego para o cauterizado cristianismo institucional. Quero ficar cego para as fórmulas instantâneas da fé, da sua comercialização e do abuso espiritual. Quero recobrar a visão aos poucos. Enxergar com sanidade a vida, as pessoas, a família, os amigos, o futuro, o presente e o passado. Quero aprender a enxergar tudo que enxergava errado. Usar minha visão pela primeira vez!


Quero me desviar dos caminhos da "i"greja que não segue o Caminho de Cristo. E andar na contra-mão desse sistema religioso elaborado sobre outro fundamento que não Jesus, a Rocha Viva. Quero tirar a capa que me identifica como "cristão" com o emblema da cruz para vestir-me de amor pelo próximo e por esse amor ser conhecido como discípulo de Cristo. E carregar não o emblema da cruz, antes, tomá-la dia após dia em meus ombros e renunciar à volúpia e morrer para o pecado.


Quero fugir dos grandes eventos de milagres e shows da fé, patrocinados por sórdida ganância e puro estrelismo. E me juntar aos homens de Deus presenteados com o dom da cura que trocam o palco pelo corredor dos hospitais. Que ao invés de pedirem que vão a eles, se disponhem a IR aos que necessitam.


Cansei de viver sob maldição financeira! E, agora, não gasto meu dinheiro patrocinando esse sistema putréfulo de escravizar a fé dos pequeninos. Não quero participar de tal infâmia! Que o pouco que tenho sirva não ao luxo dos templos e de seus donos, mas, aos que realmente necessitam da minha fidelidade financeira resultante da confiança no Jeová Jiré. E não da ameaça pastoral de maldição da pobreza versus prosperidade.


Quero ser livre para pecar! E da mesma maneira não pecar por entender que não me convém. Mas, se o desejo do pecado ronda a minha mente e não peco por causa da pressão de ter que me consagrar no ministério da "i"greja, que pobre que sou. Porque ainda não seria livre do pecado, mesmo não o praticando... Quero aprender a conduzir meu estilo de vida como resposta de gratidão à aceitação e perdão de Cristo, não como regras e proibições eclesiásticas que não tem efeito nenhum contra o pecado.


Estou desconstruindo a minha fé míope e doente para cultivá-la de forma autêntica, sincera, humana e verdadeira. Estou disposto a arriscar minhas crenças pelo conhecimento da verdade eterna, de modo, que mesmo vendo-a como em espelho, possa um dia conhecê-la completa assim como sou conhecido. Se para encontrar o Deus que está estampado no caráter de Cristo, me tornar necessário descrer do Deus pregado, e tornar-me ateu, que assim seja. E que possa, conhecê-Lo de forma pura, única, pessoal e intransferível.


Quero derrubar meus pilares espirituais porque não sei de onde vieram. Estavam lá no discurso e na retórica que pseudonimamente aceitei como sendo Jesus Cristo. Agora, nego a cartilha que reza, nego a teologia pronta que engoli e dou-me a oportunidade de aceitar, de fato, Cristo meu Senhor e Salvador, pura e simplesmente.


Se fosse possível voltar ao ventre de minha mãe e carregar em meus genes a luz que agora vejo, para que ao nascer, soubesse desviar dos caminhos que para o homem parecem bons, poderia começar de novo sem incongruências e inverdades ludibriosas.


Talvez, só agora tenha entendido o que significa "nascer de novo"...


Autor: Thiago Mendanha

http://thiagomendanha.blogspot.com/2008/05/desconstruo.html via e-mail por ">Djair

Assino em baixo o texto do Thiago se ele me permite.

Tenho me desconstruído dia-após-dia e principalmente tenho achado pessoas que estão fartas do "sistema e da sistemática da fé dos manuais e da religiosidade" e que estão aprendendo a rever e a interpretar a vida pela práxis do Evangelho de Jesus.

Ando pela Graça de Deus que age pelo amor, e com isso vou reconstruindo em Jesus minha vida, certo que a única coisa que permanece da Lei é o amar a Deus amando o próximo.

"Deus seja gracioso para conosco e nos abençoe"



11/05/2009

Pastor Zapatta

"Esse pastor é que devia estar em horário nobre na tv"


Este é o pastor Francisco Zapatta, um homem que tem impactado as nossas vidas aqui nas terras cálidas do norte peruano, através do seu testemunho de fé. Cego e tetraplégico, ele pastoreia igreja na cidade de Piura e recentemente abriu uma nova obra na serra piurana, para onde viaja amarrado numa maca em cima de uma caminhonete, para pregar e ministrar a Santa Ceia. Em outubro de 2008 o pastor Pontes esteve com um grupo da missão JUVEP aqui no Peru, por ocasião do aniversário de 6 anos da nossa igreja, e foi quando ele gravou este vídeo. É possível ouvir o choro dos seminaristas Marcão, Sayonara, Rosilda, Josefa e Celso, todos comovidos pelo testemunho do pastor. Há planos para levá-lo ao Brasil em setembro deste ano, para realizar conferências para pastores e líderes.

Dou graças a Deus pela vida do pastor Zapatta, e de tantos outros que Deus tem levantado aqui no norte peruano para fazer a diferença. Não deixe de assistir o vídeo: É realmente impactante!



Fonte Emeurgente

29/04/2009

Repensando a fé

Ricardo Gondim

Certas coisas perderam ímpeto dentro de mim. Certas afirmações se esvaziam antes que alcancem o meu coração. Certas concepções já não fazem sentido quando organizo o meu dia.

Minha fé deixou de ser uma força dirigida a Deus que o induz a agir. Entendo fé como coragem de enfrentar a existência com os valores do Evangelho. Fé significa uma aposta; a verdade vivida e revelada por Jesus de Nazaré tornou-se suficiente para que eu encare as contingências do mundo sem me desumanizar. Fé não movimenta o Divino, mas serve de pedra de apoio onde me impulsiono para a deslumbrante (e perigosa) aventura de viver.

Já não espero que uma relação com Deus me blinde de percalços. Não acredito, e nem quero, que Deus me revista com uma carcaça impenetrável. Acho um despautério prometer, em meio a tanto sofrimento, que uma vida obediente e pura gere segurança contra doenças, acidentes, violência.

Considero leviano afirmar que, quando as mulheres oram, Deus poupa seus filhos de se envolverem com drogas, promiscuidade e outros males. Por que Deus ficaria de mãos atadas ou indiferente diante das opções, muitas vezes atrapalhadas, de rapazes e moças? Quer dizer que, se os pais não vigiarem, Deus permite que os filhos se percam? Como Deus induz alguém a se arrepender; Ele arrasta pela força em resposta ao pedido dos pais? Será se a "salvação" dos filhos não depende tanto de uma intervenção divina, mas do exemplo dos pais?

Tanto no Antigo Testamento como no ministério terreno de Jesus, há relatos de que Deus se recusa a manipular ou coagir para trazer qualquer pessoa para si. Deus é amor e quem ama se torna vulnerável ao abandono. Um exemplo clássico vem do profeta Oséias que encarnou um repudio semelhante ao de Deus.


Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei o meu filho. Mas, quanto mais eu o chamava mais eles se afastavam de mim (11.1).

No evangelho de Lucas, Jesus lamentou sobre a cidade de Jerusalém que, além de repetir o padrão de perseguir os profetas, o rejeitou:

Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram! (13.34).

Não acredito que, para os que cumprem ritos religiosos, a existência se transforme em céu de brigadeiro. Não imagino que, ao obedecer corretamente os mandamentos, o mar da vida deixe de ser arriscado.

Orar de olhos fechados, debulhar terços em rezas, pedir ajoelhado, fazer campanhas, interceder ferozmente nas vigílias, clamar aos gritos, nenhuma dessas expressões religiosas significa devoção, se contempla vantagens que outros mortais, que não fizerem o mesmo, não alcançarão. Considero-as puro clientelismo, vãs repetições, murros em ponta de faca, mistura de ilusão com esperança.

Assemelham-se ao esforço da tartaruga que sonha com as altitudes, mas se vê obrigada a respirar o pó da estrada.

Acho indigno um cristão pedir que Deus lhe ajude a passar em concurso público. Aliás, considero um horror ético. Da mesma forma, em economias que produzem excluídos, não é lícito rogar que “o Senhor abra uma porta de emprego”. Não faz sentido conceber que o Todo Poderoso consiga recolocar mais pessoas no mercado de trabalho de países emergentes do que nos bolsões miseráveis do mundo, onde bilhões sobrevivem com menos de 1 dólar por dia.

Já me indispus com grandes segmentos do mundo evangélico, mas não consigo calar. Por todos os lados, ouço clichês como se fossem afirmações piedosas de fé. Infelizmente, tais jargões cumprem o papel ideológico de afastar as pessoas da realidade, empurrando-as para o delírio religioso. Religião, nesse caso, não passa de ópio.


Soli Deo Gloria.

Fonte: Site Ricardo Gondin

30/03/2009

O Evangelho de Paulo


Por Nando

Para mim, está muito claro que Paulo pregava o mesmo Evangelho que Jesus, mas também, ao mesmo tempo, um Evangelho muito diferente.

A mensagem era a mesma: “abandonar a neurótica busca de justiça própria, libertando-se do jugo escravizante da autojustificação, e correr para a justificação em Cristo, pela fé na Justiça do Calvário”.


Entretanto, há um “Evangelho da circuncisão“ e um “Evangelho da incircuncisão” (Gl 2:7).

E onde está a diferença?


Nas pessoas às quais a mensagem - "única" – de libertação e justificação em Cristo é direcionada. A Pedro (e aos demais apóstolos) foi confiado o Evangelho da “circuncisão” (observem as introduções das epístolas neo-testamentárias não-paulinas). A Paulo foi confiado o Evangelho da “incircuncisão”.


O contraponto do Evangelho para os judeus era a Lei Mosaica, que a eles foi dada. De modo que os judeus que se convertiam deixavam de buscar "autojustificação" na Lei Mosaica, embora - como cidadãos - devessem continuar observando-a e submetendo-se a ela em seus aspectos civis (At 23:1-5).

É da insuportável exigência de justiça da Lei Mosaica (At 15:10) que a Graça de Cristo liberta os judeus (e gentios que espontaneamente – ou amarrados pelo cristianismo judaizado – a ela se submetem Gl 5:3-4).

O apóstolo dos gentios, entretanto, pregou o Evangelho da incircuncisão, que tem como contraponto apenas as normas instaladas na consciência humana desde a queda no jardim do Éden, qualquer que seja a religião do homem (Rm 2:11-16; 12:2).

Diferente dos apóstolos que escreveram aos “judeus convertidos” (os quais estavam livres do jugo autojustificador da Lei Mosaica, mas não de submeterem-se a ela como parâmetro de conduta, por isso muitos cristãos “da Graça” têm problemas para engolir a epístola de Tiago e alguns detalhes das epístolas de João), o apóstolo dos gentios não usou a Lei como referencial de condenação (a não ser para os que a ela se submetiam – Gl 4:21) nem jamais apontou a Lei Mosaica como parâmetro de conduta para gentios convertidos.

Por isso ele "desceu a lenha" no irmãozinho que estava transando com a própria madrasta (I Co 5:1), mas não o “enquadrou” em Dt 22:30 (como a “igreja” seguramente faria). Ele viu a idolatria de imagens em Atenas, mas não saiu berrando o Ex 20:4-6 (como a “igreja” sempre fez, ainda faz e sempre fará) nem ameaçou com as duras penalidades mosaicas os irmãos de Corinto que saíram com prostitutas (I Co 6:15-16).

E onde fica Cristo nessa história toda? Ora, Cristo era “ministro da circuncisão” (Rm 15:8), por isso (diferentemente do apóstolo dos gentios) falou do Evangelho sob a perspectiva da Lei Mosaica (“evangelho da circuncisão”) ao seu povo “segundo a carne” (Rm 9:5).

Por acaso, não é notório que Cristo sempre tentou evitar que houvesse gentios entre seus ouvintes? (nem preciso listar as muitas referências). Não é notório que as primeiras instruções aos discípulos foram para que eles evitassem pregar aos gentios? (Mt 10:5-6) A quem foi Cristo enviado? (Mt 15:24) Por quê?

Ora, porque o que se anunciava naquele momento era apenas o “Evangelho da circuncisão”, voltado exclusivamente para libertar judeus do jugo da Lei Mosaica como seu instrumento de justificação. Só depois o foco se voltaria para os gentios (Rm 1:16). Por isso, quando leio os evangelhos, mesmo nas palavras do próprio Jesus, submeto-o a uma “peneira”. Quando Cristo fala da Lei - para judeus (fariseus ou não) – não percebo suas palavras como direcionadas a mim. Não sou nem nunca fui judeu. Nunca estive debaixo da Lei Mosaica. Nunca aceitei esta imposição da “igreja” (como um todo).

Mesmo quando ministrados pelo próprio Cristo, os ensinos sobre a Lei me são úteis apenas para tentar libertar algum irmão de consciência fraca, bem como os neurotizados e endoidecidos pela arrogância legalista, a ponto de sentirem-se justificados em Moisés (embora afirmem que é em Cristo).

Quanto à minha pessoa - quanto à minha condição espiritual - palavras sobre a Lei Mosaica “entram por um ouvido e saem pelo outro”. Não perco tempo “gracificando” as aulas de “legislação mosaica” dadas por Cristo, como ministro da circuncisão, e que assustam muita gente “da Graça”, e ao mesmo tempo são úteis para os “legisladores” de plantão (Mateus 5:17-48, por exemplo). Dali, o que é Graça para a minha consciência, recebo. O que é Lei, não é pra mim, pois, no tocante a ela, estou crucificado e morto (Gl 2:19). E é isto que Cristo diria para nós hoje (e diz através do apóstolo dos gentios) a respeito de passagens como aquela.

A única serventia da Lei é apontar para a justificação em Cristo (Gl 3:24). Se passar disto, ela só gera o medo neurótico da condenação, e o meu problema com uma possível condenação já foi resolvido na cruz do Calvário. Nisto eu creio. Ah, se creio... Quero agora aperfeiçoar-me no amor (I Jo 2:5-6), e nem o medo nem a própria lei aperfeiçoam coisa alguma (I Jo 4:18; Hb 7:18-19).

Não tenho nenhum interesse em dissecar a Lei em busca de possibilidades de condenação (o que a “igreja” – salvo raras e preciosas exceções - vive fazendo). Eu, particularmente, concordo com Paulo que até os debates sobre a Lei são inúteis e fúteis (Tt 3:9).

Antes, porém, que alguém distorça o que aqui afirmo, quero deixar claro que, para mim, Cristo é o referencial absoluto do Evangelho. Ele “É” o próprio Evangelho e a Graça de Deus encarnados. Mas quanto à APLICABILIDADE do Evangelho na vida dos discípulos, Cristo fez uma aplicação exclusivamente para judeus (ou isto não está claro na Bíblia?), mas separou alguém, antes mesmo que este nascesse, para pregar o Evangelho entre os não-judeus, sem vinculá-lo às suas tradições e raízes judaicas (“não consultei carne e sangue” – Gl 1:15-17), tornando-se o “apóstolo dos gentios” (Rm 11:13). Ou isto também não está claro na Bíblia?

Por isso, mesmo no que o “Evangelho de Paulo” difere do “Evangelho de Cristo” (a Lei como parâmetro de condenação e de conduta) ele o faz em obediência ao próprio Cristo (I Co 14:37-38), que, através de Paulo, ministra aos gentios (o que ele não fez enquanto esteve corporeamente sobre a Terra).

A questão é: Por que Deus julgou tão importante separar Evangelho da Circuncisão e da Incircuncisão? Por que ele – definitivamente - não quis que o Evangelho da Circuncisão fosse pregado aos gentios? Que problemas poderiam surgir se o Evangelho da Circuncisão (que tem como contraponto a Lei Mosaica) fosse pregado aos gentios?

A resposta está na história da religião cristã, que - agindo fora do plano de Deus - sempre misturou "Evangelho da Circuncisão" e "Evangelho da Incircuncisão" e, assim, acabou criando o “evangelho da autojustificação na Lei, mas proclamado em nome de Cristo” (o “outro evangelho” Gl 1:6-9), onde prevalece a cegueira religiosa, que não liberta para Cristo e só gera escravidão à justiça própria (jugo da Lei). Ah, se algum dia a “igreja” entender isso...

Enfim, sou discípulo de Cristo, que é tudo e em todos – judeus e gentios (Cl 3:11). Mas sou gentio e não conheço nenhum judeu, por isso, mesmo crendo em uma só Graça, quanto ao papel da Lei na vida cristã, prego o “Evangelho da Incircuncisão”. Sim, neste ponto, prego o “Evangelho de Paulo”.

Autor: Fernando C. M. Rodrigues Via Djair Soares por e-mail

(Fortaleza-CE, Mar/2009)

11/01/2009

DEUS NÃO VIVE ONDE TRABALHO: NO IML!



Dúvidas e medo sobre a fé

Olá Pastor Caio Fábio!Eu sou professor e leciono em vários colégios. Fiquei sabendo a respeito do senhor por intermédio de uma colega de profissão em uma das escolas onde leciono. Foi então que li algumas cartas respondidas no seu portal, fiz um cadastro e resolvi escrever para o senhor. Bem, eu sou uma pessoa muitíssimo complicada. Eu fui policial de necropsia da polícia civil por aproximadamente um ano, e nesse período pude ver todo o resultado da violência humana nas salas e nos corredores do IML (Instituto Médico Legal).

Os colegas mais antigos de profissão costumavam dizer: "... se há um lugar onde Deus definitivamente não está são nos corredores do IML...".

Em um dia de trabalho me deparei com uma criança de uns três anos de idade, sexo masculino, que fora vítima, de acordo com o laudo cadavérico após exame necroscópico, de espancamento seguido de morte por hemorragias internas múltiplas.

Embora fôssemos instruídos para que nunca entrássemos na história de sofrimento da vítima, não podia deixar de passar pela minha cabeça o seguinte questionamento:

"Onde estava Deus nessa hora em que a criança estava sendo agredida e espancada até à morte?"

Devido a esse fato e muitos e muitos outros... Inclusive coisas da minha própria vida que eu vivenciei e experimentei a respeito das pessoas, fui gradativamente perdendo a minha fé. E hoje parece que não me resta mais nada a não ser a minha razão. Será que o senhor poderia me ajudar ?Muitas Felicidades a todos!______________________________________
Resposta:


Meu mano amado: Graça e Paz!


O que dizer então de Deus, que deixou crianças inocentes morrerem enquanto Jesus, Seu Filho, era levado em fuga para o Egito?

Nessas horas todos viram “Deus”! Sim! Todos têm idéia a dar a Deus. É a Síndrome de Jimmy Carrey!

Ora, se é assim, pergunto:

Como “Todo-Poderoso” o que você faria?

Que “soluções” traria ao mundo?

Faria o quê? Violaria as leias da Física sempre que alguém fosse fazer mal a alguém?

Sim! A faca entortaria sempre que fosse ser enfiada em alguém. Ou quem sabe o braço do espancador caísse morto quando ele fosse atacar um inocente. Ou, quem sabe, o pênis do estuprador pudesse ter um ataque de candiru e se auto-enfiar no anus do próprio agressor.

O fato, meu irmão, é que ninguém numa hora assim pensa na criança espancada!

Sim! Pois, caso a mesma criança estivesse na esquina, quem de vocês no IML, a levaria para casa para criar?

É tão fácil dar idéias para Deus acerca das coisas que nós, mesmo podendo, não fazemos nada para resolver em vida!

Em horas como essa o nosso egoísmo é tão grande que a gente só pensa em nós mesmos, que vemos a tragédia e ficamos sem esperança, ou nos que ficam sem esperança e injustiçados diante do ocorrido perverso. Entretanto, no fundo, o que fica não é a dor pela criança, mas o choque da brutalidade, a qual, de modo inconsciente, lembra que aquele corpo poderia ser o nosso ou de gente que nós amamos.

Mas e a criança? Foi mal para ela encontrar com o Pai de amor? Foi mal para ela ter sido tirada do inferno para o Paraíso do amor? Foi mal para ela nem ter sabido que teve um corpo mutilado ante ao fato de que ganhou um corpo eterno? Foi mal para ela não mais ter que sofrer os abusos dos homens de modo indefeso?

Foi mal o amor de Deus por ela, que a tirou do poder das maldades dos homens? Foi má a alegria de Deus ao acolher mais um de Seus santinhos?

Sua reação é como a de um habitante do inferno que fica muito triste com Deus por Ele tirar de lá tanta gente boa!

“Preciosa é aos olhos do Senhor a morte de Seus santos!”

Sabe o que falta a você?

Consciência e alegria na vida que é!

Meu irmão, se meu corpo chegar a algum IML todo lacerado e arrebentando, não sinta nada, pois, de fato, aquele corpo é de morte, e se não morre hoje, morrerá amanhã, mas certamente morrerá.

Sim! Poderá não ser lacerado por homens, mas, sem duvidas, será banquete de vermes!

Mas e daí?

Meu irmão, você escreveu para um homem que já perdeu muito, segundo os homens, que já sofreu muitas dores, segundo os homens, e que já sentiu quase todos os sentimentos desta vida, segundo os homens — e que, apesar disso, não tem perguntas filosóficas a fazer a Deus.

Há quase cinco anos meus filhos e minha mulher não quiseram que eu visse o corpo atropelado de meu filho Lukas, pois, não queriam que eu visse o estado de deformidade inicial no qual o atropelamento deixou o seu corpo de 22 anos.

Eu, no entanto, nunca gastei cinco minutos para pensar no que o atropelamento fez a ele, embora, todos os dias, eu imagine, ainda que de modo pobre [pelas minhas limitações], a Glória que hoje o veste em eternidade!

O que falta a você é uma fé que seja fé, segundo o Evangelho; pois, a fé que você tem é segundo a “igreja triunfalista e mentirosa”, a qual vive de sua propaganda enganosa, vendendo Seguro de Vida e contra Acidentes aos crentes incautos.

Alguém lembra de Jesus dizendo:

“Meu Pai! Puxa Vida! Por que Pilatos tinha que misturar o sangue dos Galileus com os sacrifícios que eles ofereciam?”

Ou ainda:

“Pô, Pai! Por que aqueles dezoito homens que visitavam a Torre de Siloé tiveram que estar lá justamente na hora em que a Torre caiu?”

Sim! Você escreveu para um homem não ter perguntas e, por isto, não tem respostas humanas, visto que, para mim, a resposta não é a longevidade na Terra, mas a segurança na eternidade.

Sou um alienado? Não! Apenas sou coerente com o que Jesus ensinou e com o modo silencioso com o qual Ele tratou de todas essas coisas.

Sim! Ele nada disse, embora, muitas vezes, tenha salvado a muitos, enquanto andava entre nós.

Entretanto, quando Ele quis ilustrar o amor, a imagem escolhida foi a do absurdo e a do casuísmo de um assalto na baixada para Jericó. E mais: na “história” Ele não impediu o assalto. Sim! Não enviou anjos e nem exércitos. E qual foi a “solução” de Jesus? Ora, foi fazer um homem de amor passar, ver e agir.

A resposta de Jesus às calamidades deste mundo é o amor de todos os Samaritanos Gente Boa de Deus!

Em horas como essa não se deve fazer perguntas a Deus, mas apenas a nós mesmos; tipo: O que eu posso fazer para ajudar quem está vivo?

Sua fé, aparentemente, era o produto evangélico de crença mágica, e que, aparentemente, se tornou “cristã” sem levar em consideração que somos discípulos de uma fé que não liga para a morte [que já foi vencida e que não mata mais], não se espanta com catástrofes e não demanda de Deus que no mundo não haja aflições.

E mais: esquecemos tudo o que Jesus disse que poderia acontecer aos discípulos, tanto como perseguição dos homens, como também no que tange a todo tipo de violências que poderíamos sofrer.

Releia os Evangelhos e veja se você encontra alguma promessa de suspensão do mundo real apenas porque alguém disse que crê em Jesus.

Meu irmão, se o precursor de Jesus teve a cabeça cortada porque causa dos meneios de uma bunda jovem, a de Salomé, e da cobiça de um rei semi-brocha, Herodes; e se o Messias foi morto de modo estuprado de violências impensáveis... — por que você alimenta as ilusões de que nesta vida o amor de Deus pode ser medido pela ausência de dor e de maldades?

Largue essa fé de crenças mágicas e entre de cabeça no sentido do Evangelho, onde aprendemos que a morte já não mata mais ninguém, especialmente crianças inocentes, cujas faces são vistas de dia e de noite pelos anjos de Deus, conforme Jesus garante no Evangelho.

O mais, mano, só mesmo você escrevendo para Deus, ou, se quiser simplificar, apenas crendo Nele!


Receba meu abraço!

Procure um grupo do Caminho em sua cidade a fim de se congregar sem falsas expectativas sobre a existência.

Ah! Um problema:

O corpo de Jesus sumiu do IML de Jerusalém!


Um beijo!


Nele, que ainda demorou mais dois dias antes de se mover na direção da casa de Lázaro, o amigo que morria,


Caio
30 de dezembro de 2008


Ajudai-me, Senhor

Ó Santíssima Trindade, quantas vezes o meu peito respirar, quantas vezes o meu coração bater, quantas vezes o meu sangue pulsar em mim, outras tantas mil vezes desejo adorar Vossa misericórdia.

Desejo transformar-me toda em Vossa misericórdia, para tornar-me o Vosso reflexo vivo, ó meu Senhor! Que a Vossa misericórdia, que é insondável e de todos os atributos de Deus o mais sublime, se derrame do meu coração e da minha alma sobre o próximo.

Ajudai-me, Senhor, para que os meus olhos sejam misericordiosos, de modo que eu jamais suspeite nem julgue as pessoas pela aparência externa, mas perceba a beleza interior dos outros e possa ajudá-los.

Ajudai-me, Senhor, para que os meus ouvidos sejam misericordiosos, de modo que eu esteja atenta às necessidades dos meus irmãos e não me permitais permanecer indiferente diante de suas dores e lágrimas.

Ajudai-me, Senhor, para que a minha língua seja misericordiosa, de modo que eu nunca fale mal dos meus irmãos; que eu tenha para cada um deles uma palavra de conforto e de perdão.

Ajudai-me, Senhor, para que meu coração seja misericordioso e se torne sensível a todos os sofrimentos do próximo; ninguém receba uma recusa do meu coração. Que eu conviva sinceramente mesmo com aqueles que abusam de minha bondade.

Quanto a mim, me encerro no Coração Misericordiosíssimo de Jesus, silenciando aos outros o quanto tenha que sofrer.

oração extraída do Diário de Santa Faustina, freira e mística polaca.

Fonte Pavablog

21/12/2008

A Igreja daqui a 50 anos.

Por Alex Esteves

Daqui a cinquenta anos serei um velhinho octogenário. Se Jesus não houver buscado Sua Igreja, ou se eu mesmo não tiver ido de outra forma, estarei aqui nesta Terra com meus cabelos brancos, uma família bem grande e muita história pra contar aos meus netos. Mas, como estará a Igreja brasileira? Que Igreja as minhas cãs verão? Vamos fazer uma projeção mambembe?

.Daqui a cinquenta anos o Brasil será uma nação evangélica. Teremos passado por um presidente da República evangélico, um ministro do STF evangélico, e muitas autoridades políticas evangélicas, como vários senadores de destaque. Muitos deles terão cometido crimes de corrupção, improbidade administrativa, e haverá escândalos em diversos Municípios e Estados com o franco envolvimento de pastores, líderes evangélicos e igrejas.
A maioria dos crentes evangélicos em 2058 será nominal. Dizer a palavra "evangélico" será como anunciar uma importante insígnia, o termo cairá na boca de todo mundo como açúcar. Ser evangélico abrirá muitas portas, e fechará outras a quem não se identificar como tal. Em razão de disputas de poder, haverá grandes divisões nas maiores denominações do país. Todas as denominações ficarão rachadas em vários pedaços. O pentecostalismo passará por uma transformação enorme, quase desaparecerá debaixo de heresias e duros golpes dos sensacionalistas e personalistas, que se apoderarão de suas igrejas. Mas alguns crentes verdadeiros sobreviverão a isso, tendo que se reinventar..
Crescerá um movimento informal de igrejas menores, pequenos grupos que se reunirão por extrema necessidade espiritual, não por uma questão de estratégia de crescimento, nada disso. Haverá pastores sendo consagrados por sua vocação, dentro desses pequenos grupos, e não por causa de promoções políticas dos sistemas eclesiais.
Para se distinguir dos poderosos e hereges evangélicos do futuro, os verdadeiros crentes adotarão o nome que lhes for dado. Não me arrisco a antecipar essa nomemclatura, porque não sou vidente, mas será alguma coisa pejorativa, uma alcunha dada pelos outros, que acabará redundando num modo de designação de diversos grupos heterogêneos.
Muitos dos popstars serão evangélicos. Eles gravarão músicas para igreja e para bailes funk ou coisa do gênero, tudo num só album. Haverá evangélicos em todos os setores artísticos, e a maior rede de televisão e rádio será evangélica.Será muito difícil pregar o Evangelho em 2058. As pessoas terão preconceito, porque buscarão apenas o nome "evangélico", mas não o Jesus do Evangelho. Quando os crentes verdadeiros quiserem pregar, serão tratados com o típico respeito da indiferença, no mesmo sentido do ainda vivo pluralismo. O evangélico "normal" será uma pessoa materialista, que criou um estilo diferente de se vestir e de falar, com sua cultura musical e artística específica, cada vez mais influente. Falar de Jesus entre os evangélicos será como falar de um líder que fez coisas extraordinárias para mostrar o que se pode esperar desta vida.
Daqui a cinquenta anos, a Bíblia continuará sendo tratada como um rol de variados segredos motivacionais, como um pacote de amuletos, e, mais do que isso, será vista até pelos evangélicos como um livro sagrado dentre tantos outros. Haverá forte expansão da demitologização das Escrituras, os milagres e o sobrenatural serão vistos como figuras de um poder cósmico que a Bíblia atribui a Deus. Os líderes farão da Bíblia o que quiserem. Isso não será a exceção - será a regra, a tese majoritária, a doutrina oficial, a ideologia da classe dominante nas igrejas, e, enfim, do País.
Os crentes de verdade não apreciarão em nada esse estado de coisas, e por isso não terão alternativa senão envolver-se em grupos menores, de comunhão, primeiro em casas, depois em prédios destinados a esse fim, mas com o surgimento de líderes proeminentes que buscarão pastorear esse rebanho e resgatar pontos doutrinários fundamentais, com interesse reformista.
...E eu, do alto de meus 81 anos, ficarei em casa conversando sobre tudo isso com minha família, principalmente com a minha esposa, a Miriam. Não tendo mais forças para falar em público, nem sendo mais convidado a lugar nenhum, dobrarei meus joelhos frágeis e orarei ao Deus do Céu, para que tenha misericórdia daquela geração tosca e fútil..
Não se apoquente: não sou profeta. Este é apenas um pequeno exercício mental e literário, sem nenhuma conotação profética.
.

***
Fonte: Blog do Alex

http://alexesteves.blogspot.com/search?q=a+igreja+do+futuro

De fato não temos como saber o futuro da igreja denominacional em nosso país, mesmo porque muito pouco se pensa ou se planeja em termos de crescimento natural da igreja (com raras e boas excessões), mas as evidências levantadas que acontecem hoje apontam para aquilo que o Alex vaticina.

Por isso é necessário manter o olhar nos exemplos de simplicidade e amor de Jesus, sem esquemas liturgicos, aparatos e estruturas religiosas, apenas caminhando entre as pessoas. Assim foi sua vida amando até as últimas consequências e nada menos do que isso ele pede aos seus seguidores, que amem a seu Deus acima de todas as coisas e a seu próximo como a sí mesmo.

Inflizmente a fé se tornou religião e a religião um próspero negócio contrariando aquilo que Jesus deixou como legado.

Que Ele nos ajude a praticar uma fé na vida e não na religiosidade.

Parabéns Alex pelo texto que pesquei pelo Blog Púlpito Cristão.

Graça e Paz

21/10/2008

A PEREGRINAÇÀO DOS CRISTÃOS PÓS-MODERNOS:.


Não vou tentar definir o que é pós-modernidade.

Há tantas definições que, certamente, cada um de nós, já ganhou a idéia do que isto significa.

Alguns itens se destacam, pois, permeiam toda sociedade em seus mais variados segmentos.

O pluralismo.

A ausência de absolutos.

As relações superficiais, liquidas, vaporosas, conquanto, ao mesmo tempo, intensas e sem limites.

Sobretudo, a complexidade para se dar significado a qualquer coisa que seja.

Não vou me ater às peregrinações dos primeiros cristãos, verdadeiros hebreus, nômades, por todos os motivos que a maioria de nós cristãos já estudamos.

Quero me deter no que vejo acontecendo à minha volta.

Com gente que conheço. Com pessoas boas. Com cristãos tidos como sérios. Com homens e mulheres que não podem ser considerados neófitos, ingênuos, simplórios ou ignorantes.

Os cristãos, hoje, se empenham numa peregrinação estranha, pois, não havendo perseguição, nem lugares onde o evangelho não tenha chegado de um modo ou outro, o que até justificaria uma peregrinação, o que vemos?

Vemos os cristãos peregrinando de uma comunidade local para outra.

De um programa de TV para outro.

De uma livraria evangélica para outra.

De uma doutrina para outra.

De um mover para outro.

De uma unção para outra.

De um jeito de ser para outro.

De um ministério para outro.

De um livro para outro.

De um testemunho para outro.

De um líder carismático para outro.

De um monte para outro.

Os cristãos estão num frenesi tido como espiritual.

Os cristãos destes chamados “dias trabalhosos” perdem-se em descaminhos, crendo que encontrarão o “melhor de Deus”.

Para os cristãos pós-modernos o que vale são as sensações, os sentimentos, as percepções, as emoções, os arrepios e arrebatamentos, custe o que custar.

Os cristãos pós-modernos se tornaram desassossegados, inquietos, insatisfeitos, isto é, nada os completa.

A idéia do sucesso a qualquer custo.

A corrida para prosperar não leva em conta nenhum valor absoluto.

Por conta disto, o ativismo religioso chegou às ultimas conseqüências e é claro, tendo como resultado o esgotamento físico, emocional e espiritual.

Gerando gente desconfiada, assustada, duvidosa, angustiada, ansiosa e tantos outros males da alma, ou melhor, de uma alma sedenta, faminta, que como diz o salmista, só se farta em Deus.

Confesso, não creio que deva ser assim.

Não creio que seja este tipo de espiritualidade que o Evangelho de Jesus propõe.

Não creio que este frenesi responderá às ansiedades da alma.

Creio, no entanto, ‘que há uma outra peregrinação que poderia resultar em benefícios concretos, tanto aos que peregrinarem, quanto aos que seriam tocados pelos peregrinadores.

Me refiro a peregrinações que deveriam ser feitas entre homens e mulheres. Entre pessoas. Entre seres humanos.

Há maridos que deveriam peregrinar em direção às suas esposas.

Pais que se peregrinassem em direção aos filhos os teriam de volta.

Filhos que se lançassem a uma peregrinação em direção a seus pais, experimentariam uma alegria ainda não experimentada em família.

Irmãos que poderiam se encontrar mais e estreitarem a amizade, peregrinando um em direção ao outro, encurtando a distancia.

Prefiro ver cristãos peregrinando rumo aos velhos abandonados em asilos e casas de repouso. Quantos benéficos, curas, libertações, salvação aconteceriam se os cristãos pós-modernos peregrinassem ao encontro das crianças marginalizadas, adolescentes sem rumo, jovens tragados pelas drogas, homens e mulheres consumidos em seus medos.

Quase não ouvimos de cristãos peregrinando entre os presos nas cadeias, penitenciarias, presídios.

Quanto bem fariam os cristãos peregrinando pelos hospitais, consolando, fazendo companhia, auxiliando as famílias, virando noites como verdadeiros anjos confortadores.

Quantas mudanças aconteceriam se os cristãos pós-modernos peregrinassem junto com aqueles que lutam pela justiça social.

Confesso, cada dia fico mais indignado com as peregrinações feitas por cristãos aventurando-se am debates inócuos, defendendo teses vazias, envolvidos em discussões levianas, medíocres, pequenas.

Penso que isto reduz o Evangelho e nos distancia da essência da fé cristã que propõe nada mais, nada menos que reconciliar o homem com Deus, já que Este esta reconciliado com os homens.

Reconciliar os homens entre si.

Prefiro hoje, todos os movimentos que põe gente com gente e a partir daí, aconteçam peregrinações simples, silenciosas, profundas. Mesmo que sejam, dois a dois, sem nenhuma preocupação com quantidade e visibilidade.

Mas, quem esta disposto a este tipo de peregrinação?

No anonimato.

Incógnito.

Escondido.

Nos porões.

Quem esta disposto a desaparecer?

Bem, fica aqui a reflexão e um desabafo.

Mais um.

Carlos Bregatim

Inverno/2007

Fonte: Blog Graça e Cia
http://www.gracaecia.blogspot.com/

16/10/2008

DEVO SER MUITO CHATO

Devo ser muito chato por não gostar nem de ouvir falar desse pessoal que assume títulos de "profeta" e "apóstolo".

Devo ser muito chato por não aceitar essa coisa de tomar posse, declarar, decretar, rejeitar, determinar, restituir.

Devo ser muito chato por não admitir o G-12 nem pintado de célula ou coisa que o valha.

Devo ser muito chato por ser contra a Teologia da Prosperidade e o Triunfalismo.

Devo ser muito chato por abominar a lei da semeadura financeira.

Devo ser muito chato por ofertar na igreja sem esperar dinheiro em troca.

Devo ser muito chato por detestar o movimento judaizante de São Cristóvão.

Devo ser muito chato por não me importar que me chamem de "frio".

Devo ser muito chato por ficar com cara feia quando escuto heresias.

Devo ser muito chato por não ficar emocionado com mais pregações sobre vitória, vitória e vitória "nesta noite".

Devo ser muito chato por me sentir desmotivado de vez em quando.

Devo ser muito chato por não apreciar esse negócio de Igreja com Propósitos.

Devo ser muito chato por não ser fã de pregadores nem cantores.

Devo ser muito chato por entender que certo "missionário" prega um anti-evangelho com sua Confissão Positiva.

Devo ser muito chato por entender que certo "bispo" não é nem cristão.

Devo ser muito chato por acreditar que a igreja não deve lançar políticos com interesse no favorecimento próprio.

Devo ser muito chato por considerar que pastor é dom, e não título de carreira.

Devo ser muito chato por não engolir aquelas "profetadas" genéricas do tipo "Deus tem uma grande obra em sua vida" ou "tem gente aqui com dor na coluna".

Devo ser muito chato por ficar entediado com aqueles cultos enormes que servem para que todo mundo tenha a oportunidade de cantar na frente.

Devo ser muito chato por gostar de interpretar a Bíblia com fé e racionalidade ao mesmo tempo, tudo junto.

Devo ser muito chato por não aceitar que me façam de burro ou de palhaço.

Devo ser muito chato por ficar com a Bíblia, e não com os homens.

Devo ser muito chato por compreender aqueles irmãos que estão sem igreja.

Devo ser muito chato por escrever essas coisas para que todo mundo veja.

Devo ser muito chato por anunciar o Evangelho e denunciar o pecado.

Devo ser muito chato por desprezar livros de auto-ajuda disfarçados de
evangélicos.

Devo ser muito chato por valorizar o estudo e a leitura, ainda que isso seja cansativo também para mim.

Devo ser muito chato por saber que sou chato e continuar chateado.

Devo ser muito chato por ter convicção de que esse texto chato edificará alguém.


Fonte: http://www.alexesteves.blogspot.com/
Postado por Alex Esteves da Rocha Sousa

Faço da chatice do Alex a minha chatice e convido aos leitores a se tornarem uns chatos também.

02/10/2008

Dietrich Bonhoeffer






Na manhã do dia 6 de abril de 1945, entre as 5 e as 6 horas, os prisioneiros [...] foram retirados de suas células e o julgamento do tribunal de guerra lhes foi comunicado.
Pela porta entreaberta de um quarto, no acampamento, eu vi, antes que os condenados fossem despidos, o pastor Bonhoeffer de joelhos diante de seu Deus em uma intensa oração.
A maneira perfeitamente submissa e certa de ser atendida com que esse homem extraordinariamente simpático orava me emocionou profundamente.
No local da execução, ele orou novamente e depois subiu corajosamente os degraus do patíbulo. A sua morte ocorreu em alguns segundos. Em cinqüenta anos de prática, jamais vi um homem morrer tão completamente nas mãos de Deus.

[Testemunho do médico do campo de concentração nazista Flossenburg, citado em D. Rance. Un siècle de temóins. Paris: Fayard-Le Sarment, 2000]

04/04/2008

Onde Está o Milagre?

Ricardo Gondim.

Estudo no Programa de Mestrado da Universidade Metodista de São Paulo. Ao lado do edifício Capa, onde temos aula, fica a Clínica de Fisioterapia; ali, a cada instante, encostam na calçada, diferentes veículos com portadores de deficiências motoras - paralisia cerebral, paraplegia e tetraplegia. Quando chegam, não dá para evitá-los. Apesar de alguns alunos tentarem virar o rosto, nitidamente constrangidos, brilha a nobreza resiliente de mães que carregam crianças no colo; idosos, mesmo arrastando os pés, mantêm sua dignidade.

Ainda não me atrevi a entrar na clínica, mas imagino a abnegação de médicos, enfermeiras e fisioterapeutas; vejo até suor pingando e mãos agarrando cavaletes e argolas com sacrifício. Sei que lá dentro a vida segue numa toada diferente.
Aquele entra e sai de deficientes deve ter sido responsável por acabar o meu encanto com as bravatas dos milagreiros, pois já não me maravilho com testemunhos de cura que a televisão e o rádio anunciam em larga escala.
Realmente, não me intrigo com declarações de que serão curados “pela fé" todos os doentes que comparecerem "à vigília da segunda-feira" ou "à corrente dos 348" ou "à cruzada pró evangelização do mundo".

A Igreja Presbiteriana de Fortaleza foi meu berço religioso. Em meus primeiros passos, pouco falávamos em cura já que éramos "tradicionais" - uma versão light, porém fundamentalista, do evangelicalismo. Quando alguém em nossa comunidade ficava doente, repetíamos que o verdadeiro crente não se resigna, mas pede: “Seja feita a tua vontade”.

Depois que passei por uma experiência pentecostal e falei em línguas (tecnicamente chamada de glossolália), tornei-me um pentecostal de boa cepa. Compareci a muitas conferências sobre cura divina; duas, patrocinadas por Morris Cerullo - Londres e San Diego. Fui evangelista associado da Cruzada Boas Novas, do missionário Bernhard Johnson. Interpretei o Jimmy Swaggart em sua turnê pelo Brasil – Morumbi e Maracanã - Swaggart cria e falava em milagre, embora não fosse propriamente um pregador de cura.

Portanto, não sou neófito ou incrédulo no que tange o transcendente. Sei todos os versículos, todos os raciocínios, que fundamentam a lógica de buscar-se uma solução sobrenatural para as enfermidades. Ninguém precisa converter-me a esse pacote. Sei citar Isaías 53, Marcos 16, 1Coríntios 12 e tantos outros textos.

Acontece que a dor do mundo me alcançou na calçada de uma clínica de fisioterapia; ali se escancarou a angústia de milhões de mães e o meu coração se fechou para as antigas lógicas milagreiras.

Mesmo quando me sinto inclinado a acreditar nos pregadores de cura divina, sou lembrado que multidões de meninos e meninas morrerão de HIV/Aids em países como Congo, África do Sul, Moçambique e Angola. Quando sou tentado a ser condescendente com os Cerullos, os Benny Hinns e os R. R. Soares da vida, com as suas interpretações literais da Bíblia, lembro-me do mal estar que muitos doentes podem estar sentido naquele exato momento como consequência de uma quimioterapia.
Quando ouço promessas de milagre a granel, pergunto: - Quem vai ajudar a adolescente que não tem namorado porque nasceu com uma doença genética que lhe desfigurou?

Minha questão é: os religiosos deveriam querer lidar com um mundo real, que precisa de grandes intervenções, não de panacéias. Um ministro do evangelho não tem o direito de pregar que, “em tese”, todos serão curados e depois dar de ombros para os que não receberam a bênção dizendo que faltou fé.

O verdadeiro cristão deve buscar intervenções divinas onde o sofrimento se mostrar mais agudo. Eu me disponho a ajudar qualquer evangelista que tenha peito para dar plantão na calçada da Universidade Metodista. Vou buscá-lo e prometo interceder ao seu lado. Sinceramente desejo que os mais seqüelados voltem para casa pulando de alegria.

Sei de antemão que ninguém virá. A maioria está interessada em propagandear prodígios com o intuito de prosperar seus empreendimentos religiosos. Caso acreditassem nas interpretações que fazem da Bíblia, se ajoelhariam nos corredores das clínicas de câncer infantil, nas hemodiálises e na infectologia dos grandes hospitais.

Precisamos de outras respostas para o sofrimento humano; os pressupostos desses evangélicos, que anunciam cura com tanto estardalhaço, não abarcam a complexidade do sofrimento universal.

Proponho que os prodígios do Evangelho sejam outros; que a presença de Deus se revele no serviço, no amor solidário e na compaixão. Que as mãos e os pés de Deus sejam as mãos e os pés dos que não fogem da dor alheia. Não conheço os profissionais que se dedicam naquela clínica de fisioterapia; tenho certeza, porém, que todos encarnam a possibilidade de um milagre.

Soli Deo Gloria.

23/10/2007

MORTE DA FÉ

“Quando o Filho do Homem voltar, porventura encontrará fé na terra?”

Nada é mais triste de ver a morte da fé nesta geração!

Há crença, há misticismos, há correntes e barganhas, mas não há fé!

A fé é a certeza de coisas que se esperam e a firme convicção de fatos que se não vêem.

Portanto, a fé não trabalha com o visível, mas com o invisível; e não se estriba no que é perceptível aos sentidos, mas sim no que a eles não está disponível.

A fé faz as “coisas que se esperam” se tornarem “certezas” e faz “os fatos que se não vêem” tornarem-se “convicções”.

Assim, a fé antecipa e goza o que ainda não se materializou, como quem vê concreção no invisível ou no ainda não “acontecido” ante os sentidos.

Ora, sem fé, esperança e amor ninguém cresce em temor e reverencia para com Deus e a vida!

Posto que o que se crê e espera ainda não se manifestou aos sentidos, mas a fé santifica aquele que crê durante a “espera”.

Esta é a razão de vermos tanta maldade falada e feita em nome da “fé”, pois, “tal fé” não é nada além do ódio religioso que anima dos doentes contra os antagônicos.

A religião [e seus fanatismos] produz apenas o ódio como fé. Sim! É fé na existência do inimigo, não na realidade de Deus.

Pela mesma razão é que campeia entre nós a alegria pela catástrofe do adversário humano!

A “fé” que entre “nós” se propaga é certeza de que o mal alcançará aqueles que desejamos ver esmagados. É “fé” na vingança...

Olho para esse “meio religioso” e fico aturdido com a possessão de desamor que tomou conta de quase todos. Enquanto isto a iniqüidade cresce...

Cresce... E os agentes dela ficam cada vez mais insensíveis.

Leio coisas que “crentes” escrevem aqui na Internet e me encho de angustia.

Acabou o amor. Morreu a reverencia. Institui-se a banalidade das palavras. Extinguiu-se a verdade. Amparou-se a mentira. Deu-se asas ao engano. Tudo em nome de Jesus.

E o diabo se ri dos “crentes”!...

Quando do Dia Mal chegar [e ninguém se engane, pois ele vem, e não tardará], então se verá essa multidão gritando por misericórdia, enquanto rangerão os dentes em dores de raiva...

Então dirão:

“Senhor! Comias e bebias em nossas ruas!...”

“Senhor! Em teu nome tiramos demônios, profetizamos e fizemos milagres!...”

“Senhor! Por que não abres a porta?...”

Mas o Senhor lhes dirá:

“Nunca estive com vocês! Não os conheço. Vocês usarem meu nome, mas nunca me conheceram. Meu nome só é verdadeiro na boca de quem me conhece!”

Enquanto isto... — os meninos vão brincando de Deus e com Deus...

Mas a porta vai fechar!

Veja o que aconteceu a você!

Pergunte-se: O que me anima é fé, ou é apenas o ânimo da guerra da religião excitada pelo inferno?


Nele, que busca nos acordar enquanto é tempo e dia chamado Hoje,

Caio

06/10/07
Lago Norte

Fonte Site Caio Fabio