04/04/2008

Onde Está o Milagre?

Ricardo Gondim.

Estudo no Programa de Mestrado da Universidade Metodista de São Paulo. Ao lado do edifício Capa, onde temos aula, fica a Clínica de Fisioterapia; ali, a cada instante, encostam na calçada, diferentes veículos com portadores de deficiências motoras - paralisia cerebral, paraplegia e tetraplegia. Quando chegam, não dá para evitá-los. Apesar de alguns alunos tentarem virar o rosto, nitidamente constrangidos, brilha a nobreza resiliente de mães que carregam crianças no colo; idosos, mesmo arrastando os pés, mantêm sua dignidade.

Ainda não me atrevi a entrar na clínica, mas imagino a abnegação de médicos, enfermeiras e fisioterapeutas; vejo até suor pingando e mãos agarrando cavaletes e argolas com sacrifício. Sei que lá dentro a vida segue numa toada diferente.
Aquele entra e sai de deficientes deve ter sido responsável por acabar o meu encanto com as bravatas dos milagreiros, pois já não me maravilho com testemunhos de cura que a televisão e o rádio anunciam em larga escala.
Realmente, não me intrigo com declarações de que serão curados “pela fé" todos os doentes que comparecerem "à vigília da segunda-feira" ou "à corrente dos 348" ou "à cruzada pró evangelização do mundo".

A Igreja Presbiteriana de Fortaleza foi meu berço religioso. Em meus primeiros passos, pouco falávamos em cura já que éramos "tradicionais" - uma versão light, porém fundamentalista, do evangelicalismo. Quando alguém em nossa comunidade ficava doente, repetíamos que o verdadeiro crente não se resigna, mas pede: “Seja feita a tua vontade”.

Depois que passei por uma experiência pentecostal e falei em línguas (tecnicamente chamada de glossolália), tornei-me um pentecostal de boa cepa. Compareci a muitas conferências sobre cura divina; duas, patrocinadas por Morris Cerullo - Londres e San Diego. Fui evangelista associado da Cruzada Boas Novas, do missionário Bernhard Johnson. Interpretei o Jimmy Swaggart em sua turnê pelo Brasil – Morumbi e Maracanã - Swaggart cria e falava em milagre, embora não fosse propriamente um pregador de cura.

Portanto, não sou neófito ou incrédulo no que tange o transcendente. Sei todos os versículos, todos os raciocínios, que fundamentam a lógica de buscar-se uma solução sobrenatural para as enfermidades. Ninguém precisa converter-me a esse pacote. Sei citar Isaías 53, Marcos 16, 1Coríntios 12 e tantos outros textos.

Acontece que a dor do mundo me alcançou na calçada de uma clínica de fisioterapia; ali se escancarou a angústia de milhões de mães e o meu coração se fechou para as antigas lógicas milagreiras.

Mesmo quando me sinto inclinado a acreditar nos pregadores de cura divina, sou lembrado que multidões de meninos e meninas morrerão de HIV/Aids em países como Congo, África do Sul, Moçambique e Angola. Quando sou tentado a ser condescendente com os Cerullos, os Benny Hinns e os R. R. Soares da vida, com as suas interpretações literais da Bíblia, lembro-me do mal estar que muitos doentes podem estar sentido naquele exato momento como consequência de uma quimioterapia.
Quando ouço promessas de milagre a granel, pergunto: - Quem vai ajudar a adolescente que não tem namorado porque nasceu com uma doença genética que lhe desfigurou?

Minha questão é: os religiosos deveriam querer lidar com um mundo real, que precisa de grandes intervenções, não de panacéias. Um ministro do evangelho não tem o direito de pregar que, “em tese”, todos serão curados e depois dar de ombros para os que não receberam a bênção dizendo que faltou fé.

O verdadeiro cristão deve buscar intervenções divinas onde o sofrimento se mostrar mais agudo. Eu me disponho a ajudar qualquer evangelista que tenha peito para dar plantão na calçada da Universidade Metodista. Vou buscá-lo e prometo interceder ao seu lado. Sinceramente desejo que os mais seqüelados voltem para casa pulando de alegria.

Sei de antemão que ninguém virá. A maioria está interessada em propagandear prodígios com o intuito de prosperar seus empreendimentos religiosos. Caso acreditassem nas interpretações que fazem da Bíblia, se ajoelhariam nos corredores das clínicas de câncer infantil, nas hemodiálises e na infectologia dos grandes hospitais.

Precisamos de outras respostas para o sofrimento humano; os pressupostos desses evangélicos, que anunciam cura com tanto estardalhaço, não abarcam a complexidade do sofrimento universal.

Proponho que os prodígios do Evangelho sejam outros; que a presença de Deus se revele no serviço, no amor solidário e na compaixão. Que as mãos e os pés de Deus sejam as mãos e os pés dos que não fogem da dor alheia. Não conheço os profissionais que se dedicam naquela clínica de fisioterapia; tenho certeza, porém, que todos encarnam a possibilidade de um milagre.

Soli Deo Gloria.

02/04/2008

Sem Jesus de que adianta o céu?


Por Caio Fábio

Jesus não usou nem o céu e nem o inferno como elementos motivadores de conversões ou mudança de vida.

Ele fala de ver o Reino, e, para tanto, afirma ser necessário nascer de novo.

Ele diz que humildade, mente limpa de ódio e maldade; coração mantido sob autocontrole [manso]; um espírito ávido por justiça para o próximo; uma atitude permanente de busca de reconciliação em todas as coisas; e coragem para sofrer afrontas sem deixar de olhar para os céus com alegria e exultação — nos fazem herdeiros do reino dos céus, nos fazem filhos de Deus, nos tornam fartos, nos constituem herdeiros do galardão dos profetas, e, sobretudo, nos fazem ver a Deus.

Ele diz que é para amar a fim de sermos filhos do Pai que está nos céus. Manda-nos confiar pela mesma certeza de filiação ao Pai que nos ama.

E quando fala de juízo é sempre acerca dos que vivem sem misericórdia ou sob a inspiração do ódio ou da desfaçatez perversa. Entretanto, mesmo assim, sempre há um “e não sairá dali até que...” — mostrando a prevalência da misericórdia sobre o juízo.

Os homens são expostos ao inferno e ao juízo nas palavras de Jesus, mas nenhuma delas aparenta nos fazer crer que seria pelo medo que se amaria a Deus.

Para Jesus o inferno existe [seja qual for o significado dele]; porém, Ele diz que é somente pelo amor em fé é que se pode chegar a Deus. Assim, o inferno é uma constatação, mas não uma inspiração. Afinal, inspiração do medo só serve ao inferno, pois, pelo medo criam-se hipócritas; posto que é somente pelo amor que o coração tem correspondência com o todo da vida.

Céu é amar a Deus e ao próximo. Inferno é odiar o próximo e achar que Deus não é amor pelo ódio no qual a pessoa viva em relação ao próximo.

Quem ama conhece a Deus.

Quem não ama nunca conheceu a Deus, do mesmo modo como também aquele que odeia a outro homem.

É assim que é acerca do céu e do inferno.

Qualquer outra complicação vem do diabo!

Nele, que foi quem disse tais coisas,


Caio

Dois homens querem salvar a Terra de buraco negro criado em laboratório - Reportagem de Dennis Overbye (The New York Times)


The New York Times
01/04/2008Mais combates no Iraque.

Somália no caos.

As pessoas neste país não conseguem pagar suas
hipotecas e em alguns lugares agora as pessoas não conseguem nem mesmo comprar arroz.



"Valerio Mezzanotti/The New York Times Foto de 2007 mostra o acelerador gigante de partículas em uma caverna de Cessy, na França"
Mas nada disso e nem o restante das notícias preocupantes das atuais primeiras páginas importará caso dois homens, que estão impetrando um processo em um tribunal federal no Havaí, estiverem certos. Eles acham que um acelerador gigante de partículas, que começará a fragmentar prótons nos arredores de Genebra neste ano, poderá produzir um buraco negro que significará o fim da Terra -e talvez do universo.
Os cientistas dizem que é muito improvável -apesar de terem feito alguma checagem para se certificarem.
Os físicos do mundo gastaram 14 anos e US$ 8 bilhões construindo o Grande Colisor de Hádrons, no qual a colisão de prótons recriará energias e condições vistas pela última vez a um trilionésimo de segundo após o Big Bang. Os pesquisadores analisarão os destroços destas recriações primordiais em busca de pistas sobre a natureza da massa e de novas forças e simetrias na natureza.
Mas Walter L. Wagner e Luis Sancho argumentam que os cientistas no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern, na sigla em francês), subestimaram as chances de que o colisor possa produzir, entre outros horrores, um minúsculo buraco negro, que, segundo eles, devoraria a Terra. Ou que possa cuspir um "strangelet", que converteria nosso planeta a uma massa densa morta e encolhida de algo chamado "matéria estranha". O processo deles também diz que o Cern não forneceu uma declaração de impacto ambiental de acordo com o exigido pela Lei Nacional de Política Ambiental.
Apesar de soar bizarro, o caso toca em uma questão séria que tem incomodado acadêmicos e cientistas nos últimos anos -como estimar o risco de novas experiências inovadoras e a quem cabe a decisão de prosseguir ou não.
O processo, impetrado em 21 de março no Tribunal Distrital Federal em Honolulu, busca uma injunção temporária proibindo o Cern de prosseguir com o acelerador até que produza um relatório de segurança e uma avaliação de impacto ambiental. Ele cita o Departamento de Energia dos Estados Unidos, o Laboratório Nacional do Acelerador Fermi, a Fundação Nacional de Ciência e o Cern como réus.
Segundo um porta-voz do Departamento de Justiça, que está representando o Departamento de Energia, uma reunião foi marcada para 16 de junho.
Por que o Cern, uma organização de países europeus com sede na Suíça, deveria comparecer a um tribunal no Havaí?
Em uma entrevista, Wagner disse: "Eu não sei se vão aparecer". O Cern teria que se submeter voluntariamente à jurisdição do tribunal, ele disse, acrescentando que ele e Sancho poderiam ter processado na França ou na Suíça, mas para economizar as despesas eles acrescentaram o Cern ao processo aqui. Ele alegou que a injunção ao Farmilab e ao Departamento de Energia, que ajudam a fornecer e manter os imensos ímãs supercondutores do acelerador, desativaria o projeto de qualquer forma.
James Gillies, chefe de comunicações do Cern, disse que o laboratório ainda não tem nenhum comentário sobre o processo. "É difícil entender como um tribunal distrital no Havaí teria jurisdição sobre uma organização intergovernamental na Europa", disse Gillies.
"Não há nada novo sugerindo que o colisor é inseguro", ele disse, acrescentando que sua segurança foi confirmada por dois relatórios, que um terceiro está a caminho e estará sujeito a uma discussão aberta no laboratório em 6 de abril.
"Cientificamente, não estamos escondendo nada", ele disse.
Mas Wagner não está tranqüilizado. "Eles fazem muita propaganda dizendo que é seguro", ele disse em uma entrevista, "mas basicamente é propaganda".
Em uma mensagem por e-mail, Wagner chamou o relatório de segurança do Cern de "fundamentalmente falho" e disse que foi iniciado tarde demais. O processo de revisão viola os padrões da Comissão Européia de adesão ao "Princípio Precautório", ele escreveu, "e foi feito por cientistas que são 'parte interessada'".
Físicos de dentro e fora do Cern disseram que vários estudos, incluindo um relatório oficial do Cern em 2003, concluíram que não há problema. Mas para ter certeza, no ano passado o anônimo Grupo de Avaliação de Segurança realizaria uma nova revisão.
"A possibilidade de um buraco negro devorar a Terra é uma ameaça tão séria que a deixamos como tema de discussão para malucos", disse Michelangelo Mangano, um teórico do Cern que disse fazer parte do grupo. Os outros preferem permanecer anônimos, disse Mangano, por vários motivos. O relatório deles foi entregue em janeiro.
Este não é o primeiro processo de Wagner. Ele impetrou ações semelhantes em 1999 e 2000, para impedir o Laboratório Nacional de Brookhavem de operar o Colisor Relativístico de Íons Pesados. O processo foi indeferido em 2001. O colisor, que colide íons de ouro na esperança de criar o que é chamado de "plasma quark-glúon", opera sem incidentes desde 2000.
Wagner, que vive na Grande Ilha do Havaí, estudou física e realizou pesquisa de raios cósmicos na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e recebeu doutorado em Direito por aquela que é atualmente conhecida como Universidade do Norte da Califórnia, em Sacramento. Ele posteriormente trabalhou como diretor de segurança de radiação para a Administração de Veteranos.
Sancho, que descreve a si mesmo como um autor e pesquisador de teoria do tempo, vive na Espanha, provavelmente em Barcelona, disse Wagner.
Os temores apocalípticos têm um longo histórico, mesmo que não ilustre, na física. Em Los Alamos antes do teste da primeira bomba nuclear, Emil Konopinski foi encarregado da tarefa de calcular se a explosão incendiaria ou não a atmosfera.
O Grande Colisor de Hádrons é projetado para disparar prótons em energias de 7 trilhões de elétrons-volt antes de colidirem um contra o outro. Na verdade, nada acontecerá no colisor do Cern que não aconteça 100 mil vezes por dia pelos raios cósmicos na atmosfera, disse Nima Arkani-Hamed, um teórico de partículas do Instituto para Estudos Avançados em Princeton.
O que é diferente, reconhecem os físicos, é que os fragmentos dos raios cósmicos passam inofensivamente pela Terra quase à velocidade da luz, mas o que quer que seja criado quando os raios baterem de frente no colisor nascerá em relativo repouso para o laboratório, de forma que permanecerá ali e portanto poderia causar caos.
As novas preocupações são a respeito dos buracos negros que, segundo algumas variações da teoria das cordas, poderiam surgir no colisor. Esta possibilidade foi muito alardeada em muitos estudos e artigos populares nos últimos anos, mas seriam perigosos?Segundo um estudo do cosmólogo Stephen Hawking em 1974, eles evaporariam rapidamente em um vestígio de radiação e partículas elementares, portanto sem representar ameaça. Mas ninguém já viu um buraco negro evaporar.
Conseqüentemente, Wagner e Sancho argumentam em sua queixa, os buracos negros poderiam realmente ser estáveis, e um micro buraco negro criado pelo colisor poderia crescer, no final engolindo a Terra.
Mas William Unruh, da Universidade da Colúmbia Britânica, cujo trabalho explorando os limites do processo de radiação de Hawking é citado no site de Wagner, disse que ele não entendeu seu argumento. "Talvez a física realmente seja tão estranha a ponto de buracos negros não evaporarem", ele disse. "Mas realmente teria que ser muito, muito estranha."
Lisa Randall, uma física de Harvard cujo trabalho ajudou a alimentar a especulação sobre buracos negros no colisor, apontou em um trabalho no ano passado que buracos negros não seriam produzidos no colisor, apesar de que outros efeitos da chamada gravidade quântica poderão aparecer.
Como parte do relatório de avaliação de segurança, Mangano e Steve Giddings, da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, trabalharam intensamente nos últimos meses em um estudo que explora todas as possibilidades destes temidos buracos negros. Eles acham que não há problemas, mas relutam em conversar sobre suas conclusões até passarem pela revisão de seus pares, disse Mangano.
Arkani-Hamed disse, em relação às preocupações com a morte da Terra ou do universo, que "nenhuma tem qualquer mérito".
Ele apontou que devido à natureza aleatória da física quântica, há alguma probabilidade de quase qualquer coisa acontecer. Há uma probabilidade minúscula, ele disse, do "Grande Colisor de Hádrons criar dragões que possam nos devorar".
Tradução: George El Khouri AndolfatoVisite o site do The New York Timeshttp://www.nytimes.com/

19/03/2008

90% GRAÇA?

Tudo é Graça na relação entre o Criador e a criatura. Pois, se Deus é amor, como criaria qualquer coisa que não fosse criada como extensão Dele mesmo? E, portanto, como criação de Seu amor?

Criaria Deus o mal? Ou seria o mau apenas uma implicação do exercício da liberdade que o amor dá e é?

Ou ainda: teria a existência do mau o poder de inibir o amor de Deus pelos homens e pela criação?

Seja como for, a questão para mim, hoje, aqui, agora, é apenas uma:

Haveria, porventura, algo que num mundo que se tornou caído pudesse ser uma espécie de subproduto da Graça, ou algo como uma Graça Esforçada? Ou seja: algo que seja a Graça depois do dom, do favor imerecido; e que seria a Graça como recompensa?

Sim! Porque há quem proponha a seguinte conciliação na Graça. Graça como dom, seria o que recebemos pela fé, em Cristo, antes de tudo. Então, vai-se no caminho, no fazer da jornada, na viagem, até o fim. E, no fim, se se perseverar, receber-se-á o que se chamaria de recompensa, ou galardão; o primeiro termo foi usado por Jesus algumas vezes.

Ora, nesse caso, a Graça seria uma espécie de ponta-pé; depois, a força na jornada; e, no fim, uma espécie de bônus do bônus, em razão do servo inútil ter feito apenas tudo o que lhe foi mandado.

Entretanto, “tudo provém de Deus”, em Cristo; em quem temos justificação, santificação, perseverança, força e, por fim, glória.

Então, não sobra nada a ser feito?

Não! Exatamente nada. Tudo está Feito. Só não está concluído em nós. Mas está feito por nós e para nós.

Por isso se manda desenvolver a salvação com temor e tremor, ou ainda que não se permita que a Graça de Deus se torne vã em nossa vida.

Entretanto, o desenvolver a salvação não é algo como desenvolver-se para a salvação.

Não! É deixar-fazer a salvação crescer-ser-crescida em nós.

Nesse caso, a salvação cresce em nós mediante a adesão de nossa consciência em fé à revelação do Evangelho.


Paulo disse que a semente é de Deus, que quem semeia o faz segundo Deus, e o que colhe também; pois, todas essas coisas são ainda muito exteriores em si mesmas, posto que o que de fato é essencial tem a ver com o crescimento que vem de Deus.

Assim, não confundamos o trabalho da salvação na consciência humana com o trabalho humano para se desenvolver para a salvação; pois, o primeiro tem a ver com o Evangelho da Graça; mas o segundo é ainda Religião da Terra, segundo a dissimulação de Caim.

Desse modo, o que Jesus chama de recompensa é o fim do trabalho da Graça no homem, que é levar o homem a ser quem ele já é e foi feito para ser em Cristo; posto que a recompensa do homem é tornar-se enfim um homem, segundo o Filho do Homem.

Portanto, tudo é Graça; o resto é semântica e cebomântica.



Nele,



Caio

27/06/07

Fonte Site Caio Fábio

09/03/2008

Os Crentes de Beréia e os Crentes-diarréia

A tarefa da Teologia, ao contrário do que muitos pensam, sempre foi de sistematizar e facilitar as doutrinas cristãs para que a comunidade cristã viva uma vida em santidade de acordo com o ensino das Escrituras.

Traçar paralelos entre a Teologia e situações de nosso dia a dia é uma boa maneira de aprender.

No presente texto vamos fazer uma reflexão teológica sobre dois tipos de cristãos: os crentes de Beréia e os crentes-diarréia.
Existem basicamente dois tipos de diarréia: a simples e a perigosa. Para deixar o texto com ar mais científico podemos definir também como diarréia benigna e diarréia maligna.

A diarréia simples ou benigna é a que presenciamos eventualmente em nosso cotidiano. Ela ocorre, em muitos casos, devido à ingestão de alimentos que não foram tratados com devida higiene ou com ingredientes estragados.

A diarréia simples possui alguns nomes populares como, por exemplo, “piriri-gangorra” e é, freqüentemente, motivo de boas risadas entre um ciclo de amigos. Afinal, ver um amigo sair mais cedo do trabalho ou da escola para passar o dia inteiro “diante do trono” é muito cômico.

Já a diarréia perigosa ou maligna não é motivo de piada. Ela é evidenciada principalmente nos locais mais pobres do mundo, como a áfrica. Ela ocorre devido ao escasso acesso à água potável. A diarréia maligna é fatal por duas razões: a criança é privada de água pura, que é essencial para a manutenção do corpo humano e, além disso, ingere água contaminada, levando para dentro de seu estomago, vermes, bactérias, etc.
A diarréia maligna dizima, anualmente, 1,8 milhões de crianças africanas.

O que seria um crente-diarréia? Bem, é um crente que sofre de uma diarréia espiritual. Da mesma forma que ocorre com a diarréia comum, a diarréia espiritual possui dois tipos: diarréia espiritual benigna e diarréia espiritual maligna.

Podemos evidenciar os dois tipos de diarréia espirituais entre os crentes.

A diarréia espiritual benigna é a que faz os cristãos serem motivos de chacota perante o mundo. Entre os sintomas dessa diarréia podemos apontar, por exemplo, os chavões do povo evangélico brasileiro.

As pessoas gritam “Aleluias” sem saber que “Aleluia” não pode ter plural, aliás, na maioria dos casos, nem sabem o significado daquilo que estão gritando!

Também podemos apontar os atos proféticos ridículos como fazer xixi profético para demarcar território do Espírito Santo; brincar de leãozinho a quatro patas durante eventos supostamente evangelísticos; colocar nos punhos cordinhas para amarrar demônio, entre outros.

Essas atituldes circenses fazem o povo evangélico ser motivo de piadas.

Porém, ao contrário de uma pessoa comum com diarréia (que ouve chacota sem gostar), os evangélicos parecem gostar de fazer papel de besta.

Quanto mais criticados, mas alto cantam "não importam o que vão pensar de mim...".

A diarréia espiritual benigna também é causada pela ingestão de alimentos espirituais de má procedência, mas não totalmente estragados, pois ninguém ingere o que sabe ser ruim.

Aquelas coxinhas fritas espirituais dos botecos de esquina, apesar de ter aparência boa, são cheias de colesterol espiritual e, cedo ou tarde, vão te jogar no chão.

Esses alimentos vêm disfarçados de Evangelho, mas contêm princípios seculares, anti-bíblicos e carregados de padrões mundanos.

Para não passar nada em branco em nossa comparação, podemos apelidar esse estado como “espiriritual-gangorra”.

Da mesma forma que ocorre com a diarréia espiritual benigna, a diarréia espiritual maligna também surge devido à má alimentação, porém, essa é diarréia é fatal.

Quando o crente deixa de se alimentar da Água Viva, Jesus Cristo, o corpo não resiste e morre.

A Água Espiritual é essencial para que a vida espiritual exista, sem ela morremos. Ouvimos com freqüência notícias de que grandes templos europeus têm fechado as portas, esse é um sintoma da diarréia espiritual maligna.

A alma que não bebe da Fonte da Vida, morre. Como vimos nos dois casos, à diarréia é causada pela ingestão de maus alimentos.

Como procedemos em caso de diarréia? Primeiro, devemos correr ao vaso sanitário espiritual e eliminar os resíduos dos alimentos contaminados, limpar com papel higiênico espiritual e dar descarga (será que foi daí que veio o culto do descarrego?).

Depois de sarados, devemos tomar cuidado para não voltarmos a ser crentes-diarréia. Para isso, devemos agir como os crentes de Beréia. Quem são eles?

Veja o que a Bíblia diz:“Ora, os cristãos de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram, de fato, assim" (Atos 17:11).

Os cristãos de Beréia não eram como os de Tessalônica.
Eles examinavam tudo.
Não engoliam qualquer coxinha espiritual.
Como os crentes de Beréia, devemos ser mais criteriosos quanto ao que vamos ingerir espiritualmente.
A saúde de nossa alma depende disso.
E, o mais importante, devemos nos saciar da Água Viva, para que nossa alma não entre em desidratação espiritual.

Eliel F. Vieira
elielzadoque@gmail.com

Fonte Blog do Eliel
http://eliel777.blogspot.com/2007/12/os-crentes-de-beria-e-os-crentes.html

16/02/2008

O Bom Samaritano = O Bom Travesti

Por Rubem Alves

Jesus sabia que as estórias são o caminho para o coração.Por isso contava parábolas. As parábolas de Jesus eram sempre feitas em torno de situações da vida naquela época.
Se ele vivesse hoje suas parábolas seriam diferentes.
E perguntaram a Jesus: "Quem é o meu próximo?" E ele lhes contou a seguinte parábola:

Voltava para sua casa, de madrugada, caminhando por uma rua escura, um garçom que trabalhara até tarde num restaurante. Ia cansado e triste.
A vida de garçom é muito dura, trabalha-se muito e ganha-se pouco.
Naquela mesma rua dois assaltantes estavam de tocaia, à espera de uma vítima. Vendo o homem assim tão indefeso saltaram sobre ele com armas na mão e disseram: "Vá passando a carteira". O garçom não resistiu. Deu-lhes a carteira. Mas o dinheiro era pouco e por isso, por ter tão pouco dinheiro na carteira, os assaltantes o espancaram brutalmente, deixando-o desacordado no chão.

Às primeiras horas da manhã passava por aquela mesma rua um padre no seu carro, a caminho da igreja onde celebraria a missa. Vendo aquele homem caído, ele se compadeceu, parou o caro, foi até ele e o consolou com palavras religiosas:
"Meu irmão, é assim mesmo. Esse mundo é um vale de lágrimas. Mas console-se: Jesus Cristo sofreu mais que você." Ditas estas palavras ele o benzeu com o sinal da cruz e fez-lhe um gesto sacerdotal de absolvição de pecados: "Ego te absolvo..." Levantou-se então, voltou para o carro e guiou para a missa, feliz por ter consolado aquele homem com as palavras da religião.

Passados alguns minutos, passava por aquela mesma rua um pastor evangélico, a caminho da sua igreja, onde iria dirigir uma reunião de oração matutina. Vendo o homem caído, que nesse momento se mexia e gemia, parou o seu carro, desceu, foi até ele e lhe perguntou, baixinho:
"Você já tem Cristo no seu coração? Isso que lhe aconteceu foi enviado por Deus! Tudo o que acontece é pela vontade de Deus! Você não vai à igreja. Pois, por meio dessa provação, Deus o está chamando ao arrependimento. Sem Cristo no coração sua alma irá para o inferno. Arrependa-se dos seus pecados. Aceite Cristo como seu salvador e seus problemas serão resolvidos!" O homem gemeu mais uma vez e o pastor interpretou o seu gemido como a aceitação do Cristo no coração.
Disse, então, "aleluia!" e voltou para o carro feliz por Deus lhe ter permitido salvar mais uma alma.

Uma hora depois passava por aquela rua um líder espírita que, vendo o homem caído, aproximou-se dele e lhe disse:
"Isso que lhe aconteceu não aconteceu por acidente. Nada acontece por acidente. A vida humana é regida pela lei do karma: as dívidas que se contraem numa encarnação têm de ser pagas na outra. Você está pagando por algo que você fez numa encarnação passada.
Pode ser, mesmo, que você tenha feito a alguém aquilo que os ladrões lhe fizeram. Mas agora sua dívida está paga.
Seja, portanto, agradecido aos ladrões: eles lhe fizeram um bem. Seu espírito está agora livre dessa dívida e você poderá continuar a evoluir." Colocou suas mãos na cabeça do ferido, deu-lhe um passe, levantou-se, voltou para o carro, maravilhado da justiça da lei do karma.

O sol já ia alto quanto por ali passou um travesti, cabelo louro, brincos nas orelhas, pulseiras nos braços, boca pintada de batom.
Vendo o homem caído, parou sua motocicleta, foi até ele e sem dizer uma única palavra tomou-o nos seus braços, colocou-o na motocicleta e o levou para o pronto socorro de um hospital, entregando-o aos cuidados médicos.
E enquanto os médicos e enfermeiras estavam distraídos, tirou do seu próprio bolso todo o dinheiro que tinha e o colocou no bolso do homem ferido.
Terminada a estória, Jesus se voltou para seus ouvintes.
Eles o olhavam com ódio.
Jesus os olhou com amor e lhes perguntou:
"Quem foi o próximo do homem ferido?"

Texto de Rubem Alves, publicadono jornal Correio Popular,em 21 de julho de 2002.
Extraído do Blog do Pr. Luis Weslley
http://luiswesley.blogspot.com/

14/02/2008

Sinagogas Pentecostais & Ovos Chocos

Mary Schultze

A pregação do pastor da nossa PIBT, hoje, foi sobre Efésios 4:7-16 e, como sempre, ele pregou com excelência bíblica! Saí edificada. E, quando cantamos "Vencendo Vem Jesus", depois da Ceia do Senhor, no final do culto, notei que muitos de nós estávamos chorando de alegria, sem barulho algum, sem exageros, sem nenhum sinal visível, a não ser as lágrimas rolando em nossos rostos!

É triste constatar que quase todas as igrejas nesta cidade “pentecostalizaram-se”, visando o crescimento. Um dos maiores sinais da apostasia que tem invadido as igrejas organizadas, principalmente as denominações pentecostais, é que elas têm-se transformado em verdadeiras sinagogas, cuspindo sobre o Novo Testamento, esquecendo o que Jesus falou em Lucas 16:16: “A lei e os profetas duraram até João...”. Tendo em vista que Jesus cumpriu toda a Lei de Moisés e livrou-nos de todos os pecados através do Seu sacrifício vicário na cruz, para que ficar ressuscitando os sacrifícios do Velho Testamento? A resposta é óbvia: Porque o Evangelho de Paulo, a quem Jesus entregou os gentios em Suas várias revelações, não permite espiritualizar as narrativas, como as do Velho Testamento, principalmente com o DÍZIMO e outras coisas da Lei, que foram abolidos. Os pastores ambiciosos continuam exigindo mais e mais, porque isso lhes convém aos propósitos de crescimento numérico da Igreja e de suas contas bancárias...

Um irmão inteligente, que se livrou dos abusos pentecostais de uma igreja malaquiana, conta o que ali tem acontecido. Vamos dar-lhe a palavra:
“Em minha antiga igreja quadrangular, a coisa também caminha a passos largos, mas para trás. Em cima do altar, há uma réplica mal feita da arca da aliança onde se colocam pedidos de oração e um menorá, que simboliza os espíritos de Deus (???). Em alguns cultos, eles tocam o berrante... Sim, fazem um silêncio sepulcral e tocam o shofar, afirmando que tudo aquilo é profético. Aliás, o que mais se ouve agora é sobre profecias. O pastor de lá se julga profeta de Deus. vive repetindo o versículo: "creiam em Deus e estarão seguros, creiam em seus profetas e prosperarão". É claro que crer no profeta é dar o 13º salário inteiro à igreja, já que o crente não precisa viajar no final do ano, pois viajar não "edifica". E, em troca, Deus vai lhe dar um ano abençoado, repleto de bênçãos materiais, com carro do ano, casa na praia, um bom emprego, etc.... E ai de você, se discordar do “profeta”. Se o fizer, vai ficar coberto de lepra.
Também apareceu ali um tal profeta judeu convertido para fazer projeto de vida. Ele usou o shofar, o menorá, e um monte de palavras em hebraico, enquanto o povo todo ficou “boiando”, mas, mesmo assim, batendo palmas para tudo o que o tal judeu falava (ou seria para a própria ignorância?).
A última vez em que coloquei os pés lá, tinha um pregador que muito falava e não dizia coisa com coisa. Ele pegou um versículo do Velho Testamento, amarrou com um do Novo Testamento (muito mal amarrado, por sinal), e começou a dançar como um doido, pulou do púlpito e convidou todos para brincar de trenzinho atrás dele, como fazem no carnaval. Bagunçou o culto, ficou todo suado, e ainda disse que aquilo tudo era unção de Deus. Quando ele resolveu pedir (exigir) uma oferta de sacrifício, eu fui embora. Era muita palhaçada junta. Não sei onde todas estas coisas irão parar, mas eu já parei com isso há muito tempo...”

Romanos oito, vinte e oito, irmão! Deus retira os Seus do meio dos escarnecedores. Sim, essa gente escarnece da Palavra Santa em favor da desmedida ambição de ver suas igrejas superlotadas e suas contas bancárias recheadas de cifrões!

Ontem estive lendo na "Encyclopedia of Ministries and Pentecostal Preachers" (Enciclopédia de Ministérios e Pregadores Pentecostais) a história de um desses pentecapastors americanos, cujo nome é A. A. Allen, o qual faleceu por excesso de alcoolismo, depois de ter feito várias “campanhas de reavivamento” e de ter angariado muitos seguidores pentecostais e bastante dinheiro para financiar o vício que o levou à morte (Gálatas 6:7).

Allen ludibriava os seus seguidores, garantindo que podia ordenar que Deus transformasse “notas de 10 dólares em notas de 20”. (A. A. Allen, The Secret to Scriptural Financial Success - Miracle Valley, AZ: A. A. Allen Publications, 1953 - citado no Harrell, 75).

Allen também ficou conhecido por induzir os seus seguidores a pagar pelas “roupas ungidas com óleo milagroso” (A. A. Allen, "Miracle Oil Flows at Camp Meeting" - Miracle Magazine, June 1967, 6-7 - citado no Harrell, 200)
Allen oferecia “pedaços de sua tenda dos milagres” como pontos de contato para milagres particulares. (Registrado no "New Revival Tent Dedicated in Philadelphia," - Miracle Magazine, Setembro 1967, 15 - citado no Harrell, 200)
Allen afirmava, dogmaticamente, que podia ressuscitar pessoas falecidas. De fato, ele até deslanchou uma campanha de “ressurreição dos mortos”, em meados dos anos 1960. Ainda bem que essa campanha acabou, quando os seus discípulos se recusaram a sepultar os amados falecidos e estes se recusaram a ressuscitar. (Hank Hanegraaff, Counterfeit Revival, 1997 citando Michale Moriarity, "The New Charismatics" - Grand Rapids, MIC: Zondervan, 1992 - 2 e David Edwin Harrell, Jr., "All Things Are Possible: The Healing and Charismatic Revivals in Modern America" - Bloomington: Indiana University Press, 1975, p199)

Allen disse aos seus seguidores que Deus lhe havia dado “uma nova unção e um novo poder para impor as mãos sobre os crentes que lhe dessem US$100,00 de oferta para o sustento dos missionários fora do país, concedendo a cada contribuinte o dom de enriquecer”. (Hank Hanegraaff, Counterfeit Revival, 1997 citando David Edwin Harrell, Jr., "All Things Are Possible: The Healing and Charismatic Revivals in Modern America" - Bloomington: Indiana University Press, 1975, p. 200)

Allen dizia: "É claro que alguns de vocês não acreditam nisso. Mas escutem, seus incrédulos, vocês não precisam acreditar, mesmo porque isso nunca vai acontecer a vocês; só pode mesmo acontecer comigo. E lhes digo porquê. Deixei de crer numa coisa… Deus falou: ‘Você não acredita, por isso ela vai se voltar contra você...’ Acredito que posso fazer com que Deus realize um milagre financeiro na vida de vocês. Creio que Ele pode transformar notas de 10 dólares em notas de 20” (David Edwin Harrell, Jr., "All Things Are Possible: The Healing and Charismatic Revivals in Modern America" - Bloomington: Indiana University Press, 1975 - 75)

O que Allen estava fazendo aborreceu a liderança das Assembléias de Deus, a qual ficou constrangida com essas declarações e afirmações estapafúrdias, sem falar na conduta reprovável de Allen. Desse modo, embora, hoje em dia, Allen seja apresentado por Benny Hinn como “um grande homem de Deus”, em verdade, ele foi preso por dirigir embriagado na época do reavivamento de 1955, no Tenessee, tendo sido esta a primeira entre muitas experiências de Allen relacionadas com o alcoolismo. Por isso, a liderança das Assembléias de Deus chegou ao limite [com relação a este famoso e prestigiado pregador da denominação]. (Hank Hanegraaff, Counterfeit Revival, 1997 citing Michale Moriarity, "The New Charismatics" - Grand Rapids, MIC: Zondervan, 1992 - 35).

Na entrada do Miracle Valley (uma comunidade de A. A. Allen, com 1.280 acres), havia um imenso cartaz que apontava exatamente para o que estava acontecendo naquele ponto do deserto. Em vermelho e ouro, ele proclamava: A. A. Allen Revivals, Inc., Miracle Valley, Arizona. Os cegos vêem; os surdos escutam; os paralíticos andam; sinais, dons e maravilhas. (A. A. Allen's) Miracle Magazine era uma publicação mensal com uma circulação de 350.000 exemplares, produzida no Miracle Valley . Allen ficava preocupado com a proclamação das curas que apareciam no periódico, enviadas por pessoas que se diziam curadas". ... "Tomamos o maior cuidado ao garantir a veracidade desses testemunhos, antes que fossem publicados na A. A. Allen Revivals, Inc. and Miracle Magazine. “Mesmo assim, não assumimos qualquer responsabilidade legal quanto à veracidade de tais registros, nem quanto à permanência das curas registradas, das libertações e dos milagres”... (James Randi, The Faith Healers, 1989, p.83-85)

Um médico da cidade vizinha de Sierra Vista, Dr. Kenneth A Dregseth, disse numa entrevista: “Não vi milagre algum. De fato, tive de levar para o hospital os diabéticos que haviam deixado de tomar insulina, acreditando que haviam sido curados no Vale dos Milagres”. (James Randi, The Faith Healers, 1989, p.87).

No dia 14/06/1970, muitos ouvintes nos EUA, no Reino Unido e nas Filipinas, estavam escutando uma mensagem gravada por Allen em seu programa de rádio, dizendo: "Quem fala aqui é o Irmão Allen em pessoa. Muitos amigos meus têm me indagado sobre os registros referentes à minha pessoa, os quais não são verdadeiros. As pessoas, bem como muitos pregadores, andam anunciando em seus púlpitos que eu morri. Será que estou mesmo morto? Amigos, em nem mesmo estou doente. Há apenas alguns momentos eu reservei passagem para a campanha atual. Vou ver vocês e mostrar como o diabo é mentiroso."...

Naquele exato momento, no Jack Tar Hotel, em San Francisco, a polícia estava removendo o corpo de Allen de um quarto, antes repleto de garrafas (vazias) de cerveja e gim (antes da polícia chegar, Don Stewart havia removido as garrafas e as havia atirado na lata do lixo…). Allen acabava de morrer com apenas 59 anos, do que, publicamente, fora um ataque do coração, mas, na realidade, fora de cirrose hepática. Por alcoolismo agudo... (James Randi, The Faith Healers, 1989, p.88).

Pelos frutos conhecereis a árvore... Irmãos, fujam dos pentecapastors nacionais, principalmente dos televisivos, que idolatram homens como Benny Hinn, Kenneth Copeland, Kenneth Hagin, Robert Schuller, Paul (David) Yonggi Cho, Rick Joyner, Rick Warren e muitos outros de caráter duvidoso. Eles se aproveitam da ignorância bíblica dos crentes brasileiros para se tornarem ricos e famosos. Uma coisa é certa: os pastores televisivos que usam e abusam do Velho Testamento; que pedem DÍZIMOS E OFERTAS “para a obra de Deus”; que pregam a perda da salvação (arminianos e até montanistas); que admitem que o crente pode ficar endemoninhado; que ensinam que os crentes devem obedecer aos “novos apóstolos e profetas”; que afirmam que a Igreja é a Nova Israel de Deus e vai governar o mundo; que têm visões, revelações e propósitos, com o intuito de encher os bancos de suas igrejas, todos estes são obreiros fraudulentos, que só pensam em encher os próprios ventres e não se preocupam nem um pouco com o crescimento espiritual de suas ovelhas.

Para concluir, vejam a historinha que um pastor presbiteriano de Campinas/SP, por sinal muito sério, enviou-me:

Um pentecapastor estava “pregando” aos membros de sua igreja sobre visões e sonhos, quando garantiu que estava recebendo uma linda visão, e perguntou: “Vocês estão vendo alguma coisa?” Um irmão do grupo, mais corajoso que a autora deste artigo, gritou: “Estou vendo uma panela de ovos chocos cozinhando na sua cabeça!”

Mary Schultze, 02/12/2007


Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (1 João 1:9)
...o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. (1 João 1:7)

Resumo do texto publicado no Pavablog http://dual-pem.rhcentral.com.br/link.php?M=201055&N=11&L=90&F=H

Sobre pastores e lobos

Osmar Ludovico

Pastores e lobos têm algo em comum: ambos se interessam e gostam de ovelhas, e vivem perto delas.
Assim, muitas vezes, pastores e lobos nos deixam confusos para saber quem é quem.
Isso porque lobos desenvolveram uma astuta técnica de se disfarçar em ovelhas interessadas no cuidado de outras ovelhas.
Parecem ovelhas, mas são lobos.
No entanto, não é difícil distinguir entre pastores e lobos. Urge a cada um de nós exercitar o discernimento para descobrir quem é quem.
Pastores buscam o bem das ovelhas, lobos buscam os bens das ovelhas.
Pastores gostam de convívio, lobos gostam de reuniões.
Pastores vivem à sombra da cruz, lobos vivem à sombra de holofotes.
Pastores choram pelas suas ovelhas, lobos fazem suas ovelhas chorar.
Pastores têm autoridade espiritual, lobos são autoritários e dominadores.
Pastores têm esposas, lobos têm coadjuvantes.
Pastores têm fraquezas, lobos são poderosos.
Pastores olham nos olhos, lobos contam cabeças.
Pastores apaziguam as ovelhas, lobos intrigam as ovelhas.
Pastores têm senso de humor, lobos se levam a sério.
Pastores são ensináveis, lobos são donos da verdade.
Pastores têm amigos, lobos têm admiradores.
Pastores se extasiam com o mistério, lobos aplicam técnicas religiosas.
Pastores vivem o que pregam, lobos pregam o que não vivem.
Pastores vivem de salários, lobos enriquecem.
Pastores ensinam com a vida, lobos pretendem ensinar com discursos.
Pastores sabem orar no secreto, lobos só oram em público.
Pastores vivem para suas ovelhas, lobos se abastecem das ovelhas.
Pastores são pessoas humanas reais, lobos são personagens religiosos caricatos.
Pastores vão para o púlpito, lobos vão para o palco.
Pastores são apascentadores, lobos são marqueteiros.
Pastores são servos humildes, lobos são chefes orgulhosos.
Pastores se interessam pelo crescimento das ovelhas, lobos se interessam pelo crescimento das ofertas.
Pastores apontam para Cristo, lobos apontam para si mesmos e para a instituição.
Pastores são usados por Deus, lobos usam as ovelhas em nome de Deus.
Pastores falam da vida cotidiana, lobos discutem o sexo dos anjos.
Pastores se deixam conhecer, lobos se distanciam e ninguém chega perto.
Pastores sujam os pés nas estradas, lobos vivem em palácios e templos.
Pastores alimentam as ovelhas, lobos se alimentam das ovelhas.
Pastores buscam a discrição, lobos se autopromovem.
Pastores conhecem, vivem e pregam a graça, lobos vivem sem a lei e pregam a lei.
Pastores usam as Escrituras como texto, lobos usam as Escrituras como pretexto.
Pastores se comprometem com o projeto do Reino, lobos têm projetos pessoais.
Pastores vivem uma fé encarnada, lobos vivem uma fé espiritualizada.
Pastores ajudam as ovelhas a se tornarem adultas, lobos perpetuam a infantilização das ovelhas.
Pastores lidam com a complexidade da vida sem respostas prontas, lobos lidam com técnicas pragmáticas com jargão religioso.
Pastores confessam seus pecados, lobos expõem o pecado dos outros.
Pastores pregam o Evangelho, lobos fazem propaganda do Evangelho.
Pastores são simples e comuns, lobos são vaidosos e especiais.
Pastores tem dons e talentos, lobos tem cargos e títulos.
Pastores são transparentes, lobos têm agendas secretas.
Pastores dirigem igrejas-comunidades, lobos dirigem igrejas-empresas.
Pastores pastoreiam as ovelhas, lobos seduzem as ovelhas.
Pastores trabalham em equipe, lobos são prima-donas.
Pastores ajudam as ovelhas a seguir livremente a Cristo, lobos geram ovelhas dependentes e seguidoras deles.
Pastores constroem vínculos de interdependência, lobos aprisionam em vínculos de co-dependência.
Os lobos estão entre nós e é oportuno lembrar-nos do aviso de Jesus Cristo: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são devoradores (Mateus 7:15).

Osmar Ludovico da Silva, diretor e mentor espiritual, dirige cursos de espiritualidade, revisão de vida e de pastoreio de pastores e missionários.

Casado com Isabelle e pai de Priscila e Jonathan, reside em Cabedelo, Paraíba.

http://www.revistaenfoque.com.br/index.php?edicao=54&materia=290

O Engano da Teologia da Restituição e do direito do crente

“Restitui! Eu quero de volta o que é meu!”

Esta frase extraída de uma canção “evangélica” me faz lembrar a petulante atitude do Filho Pródigo quando disse: “Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe”. E quão diferente não foi a atitude deste mesmo filho, que, anos mais tarde, arrependido, apresenta-se diante do pai com o coração quebrantado, humilde, e nada reivindica, pois, agora, está consciente de não possuir direito algum diante do pai. Observe que ele nem mesmo se sente digno de ser tratado como filho. Ele confessa o seu pecado e passa a contar apenas com a misericórdia do pai.

Nem o Filho Pródigo e nem Jó em seus momentos de angústia cataram ou clamaram algo parecido com: “restitui, eu quero de volta o que é meu”. Quando Jó perdeu tudo, ele exclamou: “O Senhor deu, o Senhor levou, bendito seja o nome do Senhor”. Jó, mesmo sendo considerado uma pessoa justa, sabia que tudo na vida era uma dádiva e que nada era dele por direito. Não considerava nada como sendo realmente seu, pois sabia que tudo pertencia ao Senhor.

Pensando bem, se o salário do pecado é a morte, então, o que os pecadores teriam de fato por “direito” seria a morte. Por isto, o profeta Jeremias diz que as misericórdias do Senhor são o motivo de não termos sido consumidos (Lm 3:22). E diz mais ainda em 3.39: “Do que se queixa o ser vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados”.

Clamar a Deus: “Restitui! Eu quero de volta o que é meu!” soa tão arrogante quanto a oração do fariseu que se sentia cheio de direitos diante de Deus. Jesus diz que tal prece foi ignorada por Deus, enquanto a humilde oração de arrependimento do publicano pecador achou graça aos olhos de Deus (Lc 18.14). Pois sabemos que “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4:6). É neste sentido que as crianças nos servem como modelo, não por sua inocência, mas por sua incompetência. As crianças estão de mãos vazias, não têm passado e não possuem uma folha de serviços prestados para apresentar como base de suas pretensões e reivindicações de direitos. Elas são pobres de espírito. Como crianças se tornaram o Profeta Isaías que, consciente de não poder subsistir diante de Deus na base de seus próprios méritos, clamou por misericórdia, dizendo: “Aí de Mim…” (Is 6); João Batista que disse não ser digno de desatar as sandálias de Cristo (Jo 1.27), o centurião, que disse não ser digno de que Cristo entrasse em sua casa (Mt 8.8), o publicano que quando orava, “não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Lc 18:13); o Filho Pródigo, que disse não ser digno de ser chamado de filho (Lc 15.19), o cego de Jericó, que mendigava e clamava por misericórdia (Lc 18.35s); a mulher sírio fenícia, que não se sentia digna de comer à mesa dos filhos, mas que se satisfaria com as migalhas que caíssem da mesa do Senhor (Mt 7.26s); Pedro, que prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador (Lucas 5:8); Paulo que disse ser o maior dos pecadores e indigno de ser chamado Apóstolo (1Co 15.9); e tantos quantos reconhecerem sua indignidade, sua incompetência, sua inadequação, e, pobres de espírito e desprovidos de qualquer pretensão e noção de direito, se apresentaram de mãos vazias diante de Deus esperando por sua misericórdia e graça.

Jesus disse aos líderes religiosos dos judeus que estavam confiantes em sua noção de direito decorrente do fato de serem descendentes de Abraão: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão” (Lc 3:8). Não devemos, portanto, nos apresentar diante de Deus reivindicando o que quer que seja na base de um pretenso direito. Tal idéia é um atentado ao Evangelho da Graça. Graça é dádiva imerecida.

Portanto, não temos direito a nada, pois tudo o que recebemos das mãos de Deus é resultado de sua amorosa graça. Aprendamos, portanto, a orar com o Profeta Daniel: “não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias” (Dn 9:18).

Vemos nesta canção também um outro vento novo de doutrina, que está sendo denominada, teologia da restituição. Baseado em Joel 2.25, está sendo ensinado que tudo o que nos foi roubado pelo diabo, estará sendo restituído por Deus: “Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto migrador, pelo destruidor e pelo cortador, o meu grande exército que enviei contra vós outros.” Mas o próprio versículo deixa claro que este exército de gafanhotos não foi enviado pelo Diabo, mas, sim, por Deus, com intuito de disciplinar, corrigir e ensinar seu povo. Outro problema também é atribuirmos ao diabo os nossos infortúnios e nos esquivarmos de nossa responsabilidade pessoal. É interessante notar que, diante deste quadro, o profeta Joel não conclama o povo a um clamor de restituição, mas, sim, a um clamor de arrependimento (2.12-15). Corações quebrantados, contritos e humildes nunca são rejeitados por Deus: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Sl 51:17; Ver também: Is 57.15 e 2 Cr 7.14).

Quando Deus promete restituir, isto se deve a sua misericórdia e graça e não a qualquer espécie de obrigação, pois Deus nada deve ao ser humano, mas somos nós quem lhe devemos tudo. Pois “quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.35,36).

Estudo Preparado pelo Bispo José Ildo Swartele de Mello
Igreja Metodista Livre

http://www.metodistalivre.org.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=51&sg=0&form_search=&pg=1&id=1719

11/02/2008

Fundei uma religião

Esta é para rir um pouco, mas no fundo é para chorar, bem que o autor adverte no começo da música "- disse Jesus, não faça da casa de Deus uma casa de comércio"
Paulinho Mixaria

http://www.4shared.com/file/37538172/6886e548/Fundei_uma_Religio.html?dirPwdVerified=5b5fc613