29/08/2008

A ILHA DE PÁSCOA E O APOCALIPSE



É a primeira vez que a Humanidade chega tão perto de ter que se encarar, numa Terra que não tem saída, a menos que essa saída seja alcançada no coração dos homens.


Sim! Porque o único chão que poderia salvar os Homens está dentro do coração de cada um. Mas ninguém quer nada para dentro. Só se quer mundo para fora.


Total tragédia, pois, o reino de Deus não chega em nenhum lugar se não se fizer plantar no único chão que lhe aceitável: o interior humano, conforme Jesus disse.


E que mundo de paz, justiça, vida e harmonia se pode ter fora do reino de Deus?


São as muitas construções apenas para fora as que agora matam o mundo exterior a nós, a Terra; enquanto, pela própria prática delas (das construções externas), nosso homem interior se pedra cada vez mais...


O pecado é um ciclo de morte com uma ou todas as supostas desculpas de vida...


Somos todos como os antigos habitantes da “Ilha de Páscoa”, no meio do Oceano Pacifico.


Como todas as demais civilizações que se auto-extinguiram, os moradores de Páscoa criam que sem a proteção de seus ancestrais, eles não sobreviveriam naquele lugar.


Por tal razão, eles que eram gente nômade do mar, ao pousarem definitivamente naquela ilha, decidiram que sua sobrevivência vinha da proteção concedida pelos ancestrais mortos.


Assim, cada uma daquelas figuras esculpidas em pedra (cujo tamanho varia de dois metros e meio a vinte metros de altura) é a própria pretensão de escultura do ancestral ali falecido.


Ora, eles nada mais fizeram do que passar mil anos construindo cerca de 900 estátuas gigantescas; mobilizando quase seu inteiro contingente de trabalho para essa finalidade; usando quase todos os recursos da ilha a fim de fazerem a remoção das estatuas por cerca de 20 km, até aos pontos de fixação delas, olhando para o oceano.


Dessa forma, veio a necessidade. Veio a fome. E, com parcos recursos, eles puseram-se a lutar entre si, provocando um enfrentamento que os levou ao canibalismo.


Ora, quando o homem come o homem, que mais pode sobreviver?
Morreram de si mesmos!


Assim, o Apocalipse aconteceu para eles...


E logo eles, que chegaram lá sem chão; pois eram nômades da água, sendo até então pessoas tão sensíveis; que eram capazes conviver pacificamente em barcos a maior parte do tempo; sendo também hábeis para ler o retorno das ondas com os pés, no meio do mar, e, em comparação com ventos e estrelas, tornavam-se também capazes de calcular com a mente a distancia de uma ilha ou terra não visível aos olhos.


Mas contra a própria natureza nenhuma cultura prevalece.


Viveram para se sepultar na busca de segurança e conforto!


Tornaram-se “fim em si mesmo”; e creram que a terra era suficiente para conter a ignorância humana.


Nem Júpiter é suficiente para conter a ignorância e a estupidez da humanidade. Especialmente a loucura dos seus líderes voluptuosos e cegos.
Esse tipo de espírito que parece possuir a Humanidade carrega aquele terrível vaticínio que diz: “Ainda que tu faças o teu ninho nas estrelas, de lá te derrubarei, diz o Senhor”.


Desse modo, agora, a Humanidade toda terá que saber que “treino é treino e jogo é jogo”.


Agora a coisa é séria, e ninguém poderá em apenas mais alguns anos fugir das expectativas acerca das coisas que sobrevirão ao mundo; e, depois, não se poderá fugir também das conseqüências globais.


Entretanto, na hora de escolher, a Humanidade nunca escolhe o caminho simples da bondade e do amor. Ela sempre escolhe aquilo que ela confessa odiar “intelectualmente”.


E a escolha não será a simples. Não! Será uma do tipo “Como Deus sereis conhecedores do bem e do mal”.


Ou, então, será aquela de “Paz! Paz! Segurança! Segurança!” — até que venha repentina destruição.


O fato é que Jesus disse que a Humanidade não estaria olhando para o alto quando o Dia chegasse. Ao contrario, a maioria estará apenas pensando em casarem-se e darem-se em casamento; enquanto outros estariam completamente absorvidos pelas preocupações deste mundo.


Desse modo eu creio que o espírito do futuro é este:


Seremos levados a uma situação de calamidade pré-vista. Depois sentiremos algumas conseqüências. Então as necessidades se imporão como inadiáveis. As necessidades estabelecerão o regime. Então virão algumas soluções. E, com elas, um crescente culto do homem ao homem. Mas, então, de súbito algo acontecerá. Os poderes dos céus serão abalados.


Assim, teremos ondas de terror e de suposto alivio. E viajaremos desde os desmaios de terror até aos gritos de “Viva o Homem!”


Até aqui eu vou.


O mais, ninguém sabe.


E não sabemos também nada sobre o tempo da consumação de todas essas coisas!


Nele, em Quem somos chamados aos trabalhos da esperança,

Caio


21/03/07


Lago Norte


Brasília


Fonte Site Caio Fábio http://www.caiofabio.com.br/

20/08/2008

A EXPERIÊNCIA DE TUA BONDADE É A VIDA

Deus é bom!


Tenho todas as razões da vida e da morte para saber e crer que Ele é bom.


Na morte Ele é bom.

Na vida Ele é bom.


Na bondade Dele é que morte e vida se fundem.


Nas perdas Ele é bom.

Nos ganhos Ele é bom.


Na bondade Dele perdas e ganhos se con-fundem.


Na perseguição Ele é bom.

Na aconchego de amigos Ele é bom.


Na bondade de Deus perseguição e aconchego são parte da mesma face de amor.


Na noite mais escura que as trevas Ele é bom.

No dia mais claro que o sol Ele é bom.


Na bondade de Deus as trevas e a luz são a mesma coisa.


Nas profundezas do abismo Ele é bom.

Nas alturas dos céus Ele é bom.


Na bondade de Deus abismo e alturas são sempre elevados.


Tu és bom Senhor!


Tenho conhecido Teu amor em todas as circunstancias e na Tua Luz tenho visto a Luz, mesmo quando não enxergo nada.


Tua bondade é minha herança. Nela minha casa espera sempre. Meus filhos, todos eles, os que de mim nasceram e os que Tu me deste para amar, têm a sua recompensa e o seu galardão na Terra e nos Céus.


Em Ti meu cálice sempre tem transbordado!




Caio

15/03/07
Lago Norte
Brasília

Fonte Site Caio Fábio

www.caiofabio.com.br

F

12/08/2008

Resposta a questionamentos

Recebi dois comentários com palavras muito cordiais sobre o texto publicado no blog "http://sobrefeemaisumpouco.blogspot.com/2008/06/diante-do-trono-ou-seria-distante.html do Pavarini e outro por uma comunidade que pertenço no orkt onde postei um link com a publicação http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=36339021&tid=5214014847671335244&start=1.
Em ambos os casos a tônica eram em que o Reino de Deus cresceria e que o artigo causaria mais divisão no Corpo de Cristo. Talvez estes comentários reflitam o sentimento de muitos, que é o sentimento Ricúpero "O que é bom a gente fatura e o que é ruin a gente esconde".

Bem resolvi postar os post do tópico e a resposta que consta minha modesta opinião.

Primeiro Post Claudinho

Diante do Trono ou seria Distante do Trono!!!

Extraído do Blog Hoje Teologia, uma reflexão se realmente estamos seguindo o Jesus dos evangelhos ou apenas um modismo que ultrapassa os limites da sanidade.“Ao preço de dores de parto, um enorme peso espiritual foi quebrado, houve muitas libertações de vidas e da atmosfera da cidade, e o Senhor tem revelado profeticamente a sua glória para aquele lugar” (Ana Paula Valadão, sobre os efeitos das preces de intercessores em Congresso na cidade de Recife. A cantora incluiu a morte do fundador do bloco “Galo da Madrugada” e a vitória do Sport na Copa do Brasil no mesmo balaio).

Segundo Post Resposta do irmão

Tanta gente sofrendo se Deus sem Jesus só esperando uma mão estendida,uma palavra um abraço , e a igreja fria discutindo bagagens vamos olhar pro perdido meus amados...

Terceiro Post Resposta Claudinho

Frieza e bobagens

Concordo com vc irmão, são tantas as bobagens que fazem em nome de Jesus que não sobra tempo nem visão para enchergar o óbvio, "amar a Deus sobre todas as coisas e próximo como sí mesmo" então se criam modismos, chavões e práticas (leia-se bobagens) que entertem e desviam a atenção do alvo (que é óbvio e simples).

Lamento muito que o Ministério do DT tenha chegado a esse ponto (bobagens) pois sei que muitas pessoas já foram alcançadas para o Evangelho através de suas mensagens.

Como disse um amigo ao comentar o ocorrido " a quem muito é dado, muito será cobrado".

Nos resta colocar nas mãos do Pai e que sua misericórdia opere.Quanto a igreja fria, não acredito que questionar práticas a luz da Palavra e de uma crítica (discutir) seja sinal de frieza, acho que o elogio do autor de Atos dos Apóstolos aos irmãos de Beréia em detrimento aos de Tessalonica era muito em função de não aceitar as práticas e os discursos sem conferir o dito e o praticado com o que está Escrito.

Abraço Fraternal

Graça e Paz

Quarto Post Resposta do irmão

Meu mano, tenho também meus questionamentos em relação a o DT,não concordo com muitas coisas q eles fazem e ensinam , mais eles tem uma Igreja com mais de 40.000 membros , conquistarão uma rede de tv 24 hora cristã a Rede super , fica claro q eles ja conquistarão mais pelo evangelho do q eu e vc juntos... e com todo o respeito, no Brasil em alguns lugares do mundo se falar em Diante do Trono saberão quem éE mais um vez com todo o respeito e amor, onde estão os teus frutos pois moramos na mesma cidade e não conheço vc , peco a Deus q um dia possamos levar o reino de a se expandir de uma maneira tremenda eu e vc, q as pessoas dirão eu sei quem Claudio e sei quem é este que escreve. Pois eles tem muitos frutos em suas vidas ,

Eu profetizo q vc seja como Reinhard Bonnke q em poucos anos ganhou mais de 45 milhões de amas na África e quer chegar no fim desta década aos cem milhões e pouco tempo esteve pregando na Igreja do Diante do trono.

Em relação a Atos dos apóstolos capitulo: 17 vers:10-12, se trata de uma situação bem diferente ali fala de um povo q estava defendendo sua fé e conviquição pessoal contra mentiras este é o primeiro motivo do elogiou ; o segundo é por isto o apóstolo os elogia de nobres pois o povo de Tessalonica q também ouvira Paulo pregar endurecerão seus corações a Jesus, e não se davam a o trabalho de conferir se o q ele estava falando era verdade; já os Bereianos ouviam Paulo pregar e conferiam nas escrituras, de modo q virão q Paulo tinha rasão e muitos crerão .


Creiu q nos podemos ser como os Bereianos em parte mais não num todo pois eles ainda não eram nem convertidos.

Por isto não vejo relação em ser como o povo de bereia em conferir a s escrituras para se converter, com publicar assuntos polêmicos na internet onde novos convertidos tem acesso lhes trazendo confusão, e onde também pessoas não convertidas tem acesso para verem a Igreja lutando contra ela mesma pois me desculpe é o q parçe quando vc fala DISTANTE DO TRONO acho isto muito pesado pra se falar se isto não é julgar então eu não sei oq é ,

Não vejo no q o reino de Deus pode ser ajudado com isto não se trata se eles estão sertos ou não pois ja te disse q não concordo com muita coisa, mais sim se este asunto vale apena pois no final so vejo novos convertidos achando q eles estão distantes do trono e os não convertidos falado como uma pessoa me disse um dia vocês crentes so descutem não se entendem nem entre vcs mesmos.Não irei postar mais nenhuma resposta sobre isto pois ja perdi muito tempo tenho q gerar vidas pra DeusTE amo em Cristo meu irmão !!!E q Deus te use na tua Igreja grande mente!!!!


Quinto post Minha resposta Claudinho

Julgar ou expor fatos a luz da Palavra

Irmão

Obrigado por vc dedicar parte de seu precioso tempo em responder este tópico, pois esse é a finalidade dos tópicos, expor idéias, as discutir, tomar posições e principalmente “ensinarmos e instruirmos uns aos outros em toda sabedoria” se assim não for não valerá a pena nem terá sentido ter o nome em uma comunidade. E mesmo sabendo que ninguém nunca terá toda a razão o exercício da exposição de idéias sempre será enriquecedor pois humildemente temos que admitir que é na caminhada da vida que aprendemos, ensinamos, erramos e amadurecemos a nossa fé.

Sinceramente não me impressiono com números e dados que vc apresentou, pois aprendi que Ele não vê como nós vemos, nem age como nós supomos que Ele atua e nem sua presença está em todas as coisas que levam o nome de Deus ou de Jesus. A contabilidade do Reino não é a nossa, as equações celestiais terão resultados que causarão surpresa a muitos figurões da fé e instituições religiosas, e sei de muitos que servem com sinceridade, mas ultimamente a o que chega até nós não é a honra do nome de Jesus, mas modismos como moveres, unções, profetadas, visões das mais esquisitas em nome do evangelho. E essas práticas são repetidas no dia a dia nos templos da cristandade pelos “papagaios espirituais”, que não pensam, não lêem, não fazem como estamos fazendo – colocando nossos pontos de vista - apenas se contentam em repetir e repetir os modismos ditados pela mídia gospel e seus profetas.

Também acho que o evangelho não é conquista de ninguém e nem glória de homem ou instituição nenhuma seja ela diante ou distante do trono, mas honra e glória única a Quem deu a vida pela remissão dos pecados, Ele sim conquistou tudo na cruz, bem mais do que eu, vc e toda a humanidade junta.

Por isso me contento em ser parte do Reino e tentar vivê-lo, pois de nada me adianta eu dizer que levo ou prego Reino se não o vivo, não custa lembrar que o sal quando misturado na comida ninguém vê, mas é sentido por quem prova da comida, então meu irmão não se apegue a aparência e a divulgação de números mas sim a essência.

Também não me preocupo que as pessoas saibam “quem é o Cláudio ou você ou quem quer que seja...” mas que elas saibam quem é o Cristo que mudou a vida do Cláudio, a sua e de todos que vivem e praticam o Evangelho, não pelo fato de ser membro de uma igreja, andar com uma Bíblia debaixo do braço, escutar musica gospel, dizer “a Paz do Senhor” ou ter qualquer outro cacoete evangélico, mas pela maneira que eu vivo, amo a Deus e ao meu próximo, especialmente minha esposa, minha família, meus amigos e inimigos, vizinhos de como me relaciono no trabalho com cliente e colegas, me gloriando apenas no fato de que sou um pecador justificado pela Graça de Cristo. Essa é a consciência que tenho do Evangelho.

Quanto ao publicar temas polêmicos, creio que só tem medo da verdade quem de fato não anda nela e se vc ler meu blog verá que publico muito material que expõe o que de mais cretino, esquisito, legalista, e anti-cristão que tem sido praticado no meio “evangélico” em nome do próprio Evangelho, e sei que se um novo convertido em Jesus ler o que publico sairá vacinado das idiosincrasias religiosas, mas se ele se confundir é porque foi convertido a religião evangélica para fazer número institucional e não a Jesus para ser discípulo.

Também publico material sobre a fé e Graça de Deus que por si só escandaliza aqueles que querem viver a fé pela lei a pela justiça própria, por isso meu mano ser como os irmãos de Beréia tem tudo a ver, pois quem não confere nas Escrituras o que os “sacerdotes e levitas” andam “profetizando e declarando” no cotidiano dos irmãos corre o sério risco de ser levado por doutrinas diabólicas que de fato sim tem confundido muitos que se diziam firmes na fé.

Coloco só uma citação do Blog da APV do DT para exemplificar o quero dizer, teria muitas outras a citar ...

“Saímos para a ministração às 16h. Me vesti de acordo com o que o Espírito colocou em meu coração. Um vestido de veludo azul que comprei há mais de 10 anos no Seminário em Dallas. Um cinto preto largo com “cara” de autoridade. Botas pretas, assim como na última viagem em Florianópolis, com essa mesma mensagem de força, poder, autoridade, e conforto necessário para pular e pisar com força, profeticamente, na cabeça do diabo. Meu cabelo, cacheado, restaurado como no princípio. Meus brincos comprados em Israel, e o anel com a pedra ametista que ganhei quando eu nasci. Olhei para mim mesma no espelho e vi uma guerreira.”

Pelo que sei nossa autoridade vem da vitória de Jesus na Cruz e essa autoridade não é nossa é Dele que por sua Graça nos concede, agora essa irmã acha que um guarda roupa e um cabeleireiro pode fazer diferença na vida espiritual, para mim o que faz diferença é um coração contrito e submisso a Deus e a isso o inimigo treme.

Essa turma precisa de algo extraordinário para dizer ou espetacular para mostrar para poder se auto afirmar, não basta ser de Deus, tem que ter performace e teatralidade lembrando que a palavra hipócritas no Novo Testamento designa uma performace teatral e Jesus denunciou aqueles que não obedecendo os mandamentos que formulavam a base da autenticidade da fé revelada, atraíam multidões pelo espetáculo encorajando os ouvintes a praticar uma religião espetacular como se fossem atores.Então meu mano diga vc se há qualquer semelhança com Diante do Trono, Toque no Altar e outros extravagantes com os hipócritas contemporâneos de Jesus.

Por isso meu irmão expor a turma dos louvores extravagantes, unções proféticas, teologia da prosperidade, os que seguem a religião legalista e do dinheiro e outras patologias da fé em textos de um simples blog na net no meu ver não é julgar mas sim um compromisso para com a fé e com os irmãos, para que tenham acesso a informações e que possam tirar sua conclusões, até mesmo porque jamais teremos uma palavra final sobre qualquer coisa e minha proposta é contribuir para reflexões e edificação do Corpo de Cristo e creio que o julgamento ficará com Deus.

Pense no que coloquei, pondere e embora como vc mesmo escreveu “Não irei postar mais nenhuma resposta sobre isto pois ja perdi muito tempo tenho q gerar vidas pra Deus” meu sentimento é que de fato vc esteja se gerando primeiramente em Deus e Ele que é o Gerador de vidas possa te usar a semear a sua palavra a outras vidas , e eu continuarei minha caminhada, juntamente com vc, disposto não a perder tempo mas ganhar tempo compartilhando o que creio com os iguais e os diferentes na fé, com aqueles que conhecem e os que não conhecem o Reino de Deus, sabendo que fui chamado para viver a fé e o resto deixo nas mãos D´Ele.

Um abraço em Cristo, motivação dos irmãos Beréianos e minha motivação a buscarem a Verdade.

Graça e Paz !!

Claudinho

“DESCONSTRUÇÃO”: um mito pós-moderno!

Por Caio Fábio

Fonte site www.caiofabio.com.br

“Desconstrução” é uma palavra nova entre os humanos. Vem de algo que não é um “destruir”, mas um desmontar gradual, e que inclui o processo de entender o que se está desmantelando, sem cometer, assim, injustiças com o que era; ao mesmo tempo em que não se deixa dúvida de que aquele é um ato de insatisfação; e que ou propõe ou busca uma alternativa; a qual poderá até aproveitar o que de bom ainda houver na estrutura em processo de desmonte.

“Desconstrução” é uma palavra politicamente correta. Sim, ela está cada vez mais na moda. A primeira vez que me dei conta dela foi em inglês, aí pelo meio da década de 80. Depois li alguns teólogos católicos que usavam e abusam da palavra. Na década de 90 ela entrou para o dicionário cult. Então, nesta primeira década do novo milênio, ela ganhou sua popularidade conceitual e elegante.

Ficou cult dizer que se está desconstruindo algo. Parece que você está sendo revolucionário. Dá um ar de construtividade destrutiva inteligente. É legal. É cool!

Desconstruir, porém, do ponto de vista do Evangelho, ainda é uma falsificação farisaica, apenas politicamente correta. Sim, porque Jesus não veio para desconstruir, mas para fazer o novo. A desconstrução já é feita pela própria realidade; e tudo o que não for desconstruído pela própria realidade não terá sido desconstruído, mas sim, destruído.

Jesus não destruiu e nem desconstruiu a religião de Israel. Ele apenas fez o Seu próprio Caminho. Ele era a Realidade. Assim, não vemos em Jesus qualquer analise a fim de buscar um bom posicionamento. Não! Ele é o Posicionamento! Ele faz o que é Real. Por isto, ele não destrói e nem desconstrói. Ele apenas faz o Novo. E assim o que é destrutível ante o que é Real, cai na extinção do lago de fogo das ilusões; e assim o que é desconstruível, se desmonta por sua própria conta. E se Jesus não deixa ninguém para trás nem mesmo para sepultar um pai já morrido, deixará que fique alguém para trás a fim de exumar aquilo que já não é?

Jesus não constrói também. Ele dá a semente. Ele planta. Ele a semeia no útero da terra. Ele a rega. Ele dá a ela luz. Ele faz mudar as estações a fim de que o ciclo da vida entre em curso. Ele a faz florescer. Ele a abre em frutos, na estação própria. Jesus é como o Pai. O Pai cria, mas não constrói. Os homens fazem. O Pai chama à existência pela Palavra de Seu poder. Deus nunca “construiu” nada; e como Jesus só fazia o que via em Seu Pai, também nada “construiu”; nem mesmo um livro deixou para nós. O livro, com bom senso, nós reunimos num volume. Jesus, porém, não construiu nada; pois havia criado tudo.

Ele também não reforma nada. Ele trans-forma tudo. Sim, em Jesus não existe nenhum espírito de Reformação, mas apenas de transformação!

Não desperdiça pano novo em veste velha, pois, estragam-se ambos. Não recomenda que se ponha vinho novo em odres velhos pela mesma razão.

Também não crê que aquele que se viciou no vinho avinagrado e velho, e que já misturou seu gosto à pele do odre de couro, jamais considerará o vinho novo melhor.

E quando olha para trás, Ele vê Adão, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Davi, menciona Moisés, e João Batista, fazendo aos profetas apenas alusões de significado. Recomenda que se ande na fé que tiveram, mas não faz estudos sobre eles. Nem tampouco recomende que se siga o modelo deles. Não! Jesus diz que eles andaram pela fé e manda que na mesma confiança caminhemos. Mas não tenta reeditar nada. O Reino de Deus, que é a Sua mensagem, sendo sinônima de Evangelho, tem seu caminho para frente...

Desconstrução, entretanto, é ainda uma palavra de quem de tão educado, deseja desmontar algo com as cautelas dos arqueólogos de múmias. Jesus, todavia, passa ao largo de tal escavação e pára diante de tumbas apenas para ressuscitar mortos; pois, Seu Caminho, é Vida; e não um movimento de construção e nem tampouco de desconstrução; mas sim de transformação e de criação; sempre!

O resto, a desconstrução, fica para o trabalho de exumação destrutivamente criativo de quem tem tempo não apenas para, com os mortos, sepultar mais mortos; mas até para viver para entender os mortos, ao invés de buscar servir os vivos, que é o único caminho para discernir o homem; e, assim, participar do processo de transformação em si mesmo, bem como no servir de adubo da Graça na transformação e na criação de nos seres; de gente nascida de novo; não de seres reconstruídos depois de devidamente desconstruídos.

Essa é uma tarefa para a religião, não para o povo do Reino!

Pense nisso!

Caio

Confissões de um ex-dependente de igreja

Por Paulo Brabo Site Bacia das Almas

Posted: 06 Aug 2008 05:30 AM CDT

Outro dia um pastor observou que eu deveria confessar ao leitor impenitente da Bacia, que não tem como concluir isso lendo apenas o que escrevo, que não vou à igreja faz mais de dez anos. Ele dava a entender que essa confissão provocaria uma queda sensível na minha popularidade; percebi imediatamente que ele estava certo, e que mais cedo ou mais tarde teria, para podar os galhos da celebridade (porque a fama é uma espécie de compreensão), deixar de contornar indefinidamente o assunto.

Quanto mais penso na questão, no entanto, mais chego à conclusão que o que tenho de confessar é o contrário, e ao resto do mundo, não aos amigos que convivem com desenvoltura entre termos como gazofilácio, genuflexão, glossolalia e graça irresistível. Devo explicações à gente comum que vê o domingo, incrivelmente, como dia de descanso – dia de ir à praia, de andar de bicicleta no parque, de abraçar os amigos ao redor de um churrasco, de correr atrás de uma bola ou de encontrar a paz diante de uma lata de cerveja e uma tela radiante.

Preciso confessar que durante trinta anos fui consumidor de igreja. Durante trinta anos fui dependente de igreja e trafiquei na sua produção.

Devo confessar o mais grave, que durante esses anos abracei a crença (em nenhum momento abalizada pela Escritura ou pelo bom senso) que identificava a qualidade da minha fé com minha participação nas atividades – ao mesmo tempo inofensivas, bem-intencionadas e auto-centradas – de determinada agremiação. Em retrospecto continuo crendo em mais ou menos tudo que cria naquela época, porém essa crença confortante e peculiar (espiritualidade = participação na igreja institucional) fui obrigado contra a vontade, contra minha inclinação e contra a força do hábito, a abandonar.

Preciso deixar claro que não guardo daqueles anos qualquer rancor; de fato não trago deles nenhuma recordação que não esteja envolta em mantos de nostalgia e carinho. Ao contrário de alguns, não sinto de forma alguma ter sido abusado pela igreja institucional; sinto, ao invés disso, como se tivesse sido eu a abusar dela. Minha impressão clara não é ter sido prejudicado pela igreja, mas de tê-la usado de forma contínua e consistente para satisfazer meus próprios apetites – apetites por segurança, atenção, glória, entretenimento, aceitação.

Se hoje encaro aqueles dias como uma forma de dependência é porque acabei aceitando o fato de que a igreja como é experimentada – o conjunto de coisas, lugares, atividades e expectativas para as quais reservamos o nome genérico de igreja – representam um sistema de consumo como qualquer outro. As pessoas consomem igreja não apenas da forma que um dependente consome cocaína, mas da forma que adolescentes consomem telefones celulares e celebridades consomem atenção – isto é, com candura, com avidez, mas muitas vezes para o seu próprio prejuízo.

Todo sistema de consumo confere alguma legitimação, isto é fornece ao consumidor pequenas seguranças e pequenas premiações que fazem com que ele se sinta bem, sinta-se uma pessoa melhor (ou em condições privilegiadas) por estar desfrutando de um produto ou serviço de que – e isto é importante na lógica da interna coisa – não são todos que desfrutam.

As igrejas institucionais, por mais bem-intencionadas que sejam (e, creia-me, há muito mais gente bem-intencionada envolvida na criação e na sustentação delas do que seria de se supor) funcionam precisamente dessa maneira. Não é a toa que tanto a palavra quanto o conceito propaganda nasceram, historicamente falando, nos salões eclesiásticos. Se hoje há shopping centers e roupas de marca é porque a igreja inventou o conceito de propaganda e de consumo de massa. Foi a igreja a primeira a vender a idéia de que vestir determinada camisa e ser visto em determinada companhia demonstram eficazmente o seu valor como pessoa; foi a primeira a promover a noção simples (mas cujo tremendo poder as corporações acabaram descobrindo) de que o que você consome mostra que tipo de pessoa você é.

As pessoas que consomem igreja não têm em geral qualquer consciência de que estão se dobrando a um sistema de consumo, mas as evidências estão ali para quem quiser ver. A igreja não é um lugar a que se vai ou um grupo de pessoas que se abraça, mas uma marca que se veste, um produto que se consome continuamente. Tudo de bom que costumamos dizer sobre a igreja reflete, secretamente, essa nossa obsessão com o consumo – “o louvor foi uma benção”, “o sermão foi profundo”, “o coro cantou com perfeição”, “a palavra atingiu os corações”, “Deus falou comigo”. Em outra palavras, tudo que temos a dizer sobre a experiência da igreja são slogans. Na qualidade de consumidores, o que fazemos é retroalimentar nossa dependência, promovendo continuamente nosso produto na esperança de angariar mais consumidores e portanto mais legitimação.

O curioso, o verdadeiramente paradoxal, é que nada nesse sistema circular de consumo (ou em qualquer outro) tem qualquer relação com espiritualidade, com fé ou com a herança de Jesus. Ao contrário, sabemos ao certo que Jesus e os apóstolos bateram-se até a morte no esforço de demolir a tendência muito humana de encarcerar (isto é, satisfazer) os anseios emocionais e espirituais das pessoas em sistemas de consumo e legitimação (isto é, sistemas de controle).

O russo Leo Tolstoi acreditava que, diante da suprema singeleza do ensino de Jesus, levantar (e em seu nome!) uma máquina implacável e arbitrária como a igreja equivalia a restaurar o inferno depois que Jesus tornou o inferno obsoleto. De minha parte, vejo a igreja institucional como um refúgio construído por mãos humanas para nos proteger das terríveis liberdades e responsalidades dadas por Deus a cada mortal e que Jesus desempenhou de modo tão espetacular. Por outro lado, talvez esse refúgio seja ele mesmo o inferno.

No fim das contas você não encontrará na igreja nada que não seja inteiramente atraente e desejável, e aqui está grande parte do problema. Vá a um templo evangélico no domingo de manhã e o que vai encontrar é gente amável, respeitável, ordeira, de banho tomado, sorridente, perfumada e usando suas melhores roupas – e é preciso reconhecer que há um público para esse tipo irresistível de companhia. O bom-mocismo reinante é tamanho, na verdade, que não resta praticamente coisa alguma do escândalo inicial do evangelho. Enquanto descansamos nesse abraço comum a verdadeira igreja, onde estiver (e talvez exista apenas no futuro), estará por certo mais próxima do dono do bar, da vendedora de jogo do bicho, do travesti exausto da esquina, do divorciado com seu laptop, dos velhinhos que babam em desamparo e das crianças que alguém deixou para trás. Certamente não usará gravata e não terá orçamento anual nem endereço fixo.

Portanto nada tenho contra aquilo que a igreja diz, que é em muitos sentidos bom e justo, mas não tenho como continuar endossando aquilo que a igreja dá a entender – sua mensagem subliminar, por assim dizer, mas que fala muitas vezes mais alto do que qualquer outra voz. Com o discurso eclesiástico oficial eu poderia conviver indefinidamente (como de fato já fiz), mas seu meio é na verdade sua mensagem, e frequentar uma igreja é dar a entender:

1. Que aquela facção da igreja é de algum modo mais notável, e portanto mais legítima, do que todas as outras;

2. Que o modo genuíno de se exercer o cristianismo é estar presente nas reuniões regulares e demais atividades de determinada agremiação, ou seja, que a devoção é uma espécie de prêmio de assiduidade;

3. Que o conteúdo da crença é mais importante do que o desafio da fé;

4. Que o caminho do afastamento do mundo, segundo o exemplo de João Batista, é mais digno de imitação do que o caminho do envolvimento com o mundo, segundo a vida de Jesus;

5. Que o modo de vida baseado na busca circular pela legitimação é mais respeitável do que o das pessoas que conseguem viver sem recorrer a esses refrigérios;

6. Que o modo adequado de honrar a herança de Jesus é dançar em celebração ao redor do seu nome, ignorando em grande parte o que ele fez e diz.

Está confirmada, portanto, a ambivalência da minha posição em relação à igreja institucional. Por um lado, sinto falta dos seus confortos; por esse mesmo lado, respeito a inegável riqueza de sua herança cultural, que não gostaria de ver de modo algum apagada. Por outro lado, ressinto-me de que o nome singular de Jesus permaneça associado a um monstro burocrático no que tem de mais inofensivo e opressor no que tem de mais perverso, quando sua vida foi a de um matador de dragões dessa precisa natureza. Dito de outra forma, não tenho como condenar a permanência de alguma manifestação da igreja, mas não tenho como justificá-lo se você faz parte de uma.

Em janeiro de 1996 Walter Isaacson perguntou a Bill Gates a sua posição sobre espiritualidade e religião. Sua resposta entrará para os anais da infâmia – e não a dele. “Só em termos de alocação de recursos, a religião já não é coisa muito eficiente. Há muita coisa que eu poderia estar fazendo domingo de manhã”. Em resumo, o que dois mil anos de cristianismo institucional ensinaram ao homem mais antenado da terra é que religião é o que os cristãos fazem no domingo de manhã.

Só não ouse criticar o cara por sua visão rasa de espiritualidade. Fomos nós que demos essa impressão a ele, e só a nós cabe encontrar maneiras de provar que ele está errado.
Invente uma.

Fonte Bacia das Almas

http://www.baciadasalmas.com/

18/07/2008

(Não* Faz parte do meu show



Querida Ana Paula,


“Aquilo que a memória amou fica eterno”, compôs a poeta Adélia Prado. Perscruto os escaninhos da memória e descubro meu sobrinho mal sabendo falar, mas já cantando “Se tu olhares, Senhor, pra dentro de mim”. Alguns anos se passaram e a voz do Henrique continua doce e infantil. Ao olhar para sua trajetória no período, as mudanças foram bem mais sensíveis e um tanto esquisitas, Ana. Pode seguir a tua estrela. O teu brinquedo de 'star'.


Fui um dos primeiros blogueiros a divulgar sua performance leonina em Anápolis (GO). Como apregoa o jornalismo sadio, escrevi para os amigos do Diante do Trono a fim de abrir espaço para uma eventual manifestação sua. Eles me agradeceram com a costumeira fidalguia e fizeram chegar a você a informação. Sem obter qualquer tipo de resposta, postei o vídeo. Não me arrependi, como aconteceu com outro rapaz. Até hoje o fogo da discussão permanece aceso e mesmo seus fãs mais entusiasmados coram ao relembrar a cena patética.


Pra que usar de tanta educação. Pra destilar terceiras intenções. Seu silêncio sobre o assunto durou cerca de seis meses. Em meio a uma logorréia nonsense, você creditou a Deus a responsabilidade da patacoada. Infelizmente, os resultados mostraram que o animal da tal unção estava mais para hiena do que leão, tal o nível das piadas e deboches que se seguiram.


Fiz outras visitas ao seu blog e cada dia me assustava mais com o que lia. Até mesmo atos prosaicos como escolher uma roupa eram atribuídos ao Espírito “fashion” Santo. O cinto preto largo representava autoridade e botas pretas transmitiriam “força, poder, autoridade e conforto necessário para pular e pisar com força, profeticamente, na cabeça do diabo”. Examinei meu guarda-roupa e, decepcionado, nada encontrei de “profético”. Inspirado por seus delírios, imaginei os pastores da Universal vestidos de caubóis nas sessões de descarrego. Aiôôô... Espora no capiroto, irmãos! Pequenas poções de ilusão.


Congresso do Diante do Trono. Litros de chororô e muito siri-canta-na-lagoa, perdão, na Lagoinha. Aliás, ainda não consegui entender o porquê de tantas palavras estranhas em línguas (a ordem pouco importa, no caso) nos eventos públicos. Se contrariar a instrução paulina sobre esse assunto fosse estratagema eficaz, dona Sonia Hernandes estaria livremente batendo suas canelas episcopais em solo verde-amarelo. E sem a tornozeleira com GPS. Quem sabe eu ainda sou uma garotinha...


“Os teatros serão fechadas para peças evangelísticas... O Senhor fará novelas para o povo brasileiro... Cairá todo meio de comunicação que não glorifica o Senhor...” Socorro, Ana Paula! Isso foi ato profético ou visão de um dos círculos do Inferno de Dante? Tô cansado de tanta caretice, tanta babaquice. Desta eterna falta do que falar. Deus nos livre de Racine, Beckett e Molière serem substituídos pela trupe gospel. Proscênio não é picadeiro, com todo respeito aos artistas circenses.


Soube que rolou também a tal “unção do chulé”. Em vez de incentivar o serviço humilde, o ato foi criativamente entremeado por afirmações de que você e seu irmão seriam “curados” das críticas. No final da mis-en-scène burlesca, a água do “rio de Deus” foi jogada sobre os espectadores. Bobeira é não viver a realidade.


Infelizmente, o espaço nobre de que disponho aqui é inversamente proporcional à sua capacidade de protagonizar episódios bizarros. Você explicou que apareceu num programa brega de óculos escuros por causa de conjuntivite. Pela sucessão de “causos”, suponho que seja miopia crônica mesmo. Vide o lance da morte do fundador do Bloco Galo da Madrugada. Temo pelo futuro das reuniões de oração no país se você continuar a repetir que essas sandices são resultado de intercessão. O que me anima é ver o número crescente de pessoas discutindo bereanamente cada uma dessas ocorrências. Estamos meu bem por um triz pro dia nascer feliz.


Que Deus reavive em você o desejo de receber um “novo coração”. Quem teve a graça de ser aquinhoada com muitos talentos será intensamente cobrada, não é? Isso me motiva a interceder para que não se realizem em sua vida outros versos do poeta Agenor: O seu futuro é duvidoso; eu vejo grana, eu vejo dor. Minhas palavras podem parecer histriônicas, mas é genuíno meu desejo de ver águas purificadoras (ainda mais que as do Lete) banhando ministérios de música em todo o país, Ana. Tenho investido minha vida nesse intento, por isso jamais vou me calar, querida. Amando eu me acalmo e me desespero.


Big abraço


PS.: As preferências musicais do Henrique mudaram bastante. Hoje ele curte Akon, Boyz II Men e Queen. Prometi um CD do Cazuza para o espertíssimo garoto. =]
Fonte Site Cristinismo Criativo
Quem me dera ter a lucidez do Pavarini, belo texto onde expressa também minhas espectativas, pois um trabalho que tem a abrangência do DT, não deveria se expor ao ridículo e nem justificar sua esquisitices como uma ordem de Jesus.
Que o Verdadeiro Espírito de Deus os conduza a lucidez e ao Caminho do Evangelho de Jesus.
Valeu Pava
Claudio


29/06/2008

MILAGRES, SENTIDO E CONSCIÊNCIA






Gosto muito de ler os textos de Elienai Cabral Jr. , se destacam por uma inconformidade propositiva
Este não é diferente, me deixou inquieto, até mesmo porque tenho dito aos que tenho oportunidade de dialogar que as práticas cristãs precisam ter um sentido, vejo tantas coisas sendo feitas sem um sentido bíblico e sem a consciência e a lucidez exemplificadas pela vida de Jesus.
Me lembro de uma canção do Padre Zezinho que se não me falha a memória dizia " Jesus Cristo me deixou inquieto com o seu jeito de falar" . Sinto uma inquietude não somente pelas palavras do meu Salvador, mas também por não ver pessoas inquietas, de assimilarem sem refletir a forma e a performa da religião cristã.
Confesso que li e reli este texto, veio como um fio de esperançã. Refleti e creio que é tempo de diálogo, de rever a caminhada histórica do Corpo de Cristo, e de fazer do amor a alavanca de todo o sentido de nossas propostas de ação.
Boa leitura
Claudinho
MILAGRES, SENTIDO E CONSCIÊNCIA


Elienai Cabral Junior


Ninguém discorda de que estamos experimentando um tempo de angustiante desconstrução na teologia da Betesda. Continuo acreditando que os sentidos dessa desconstrução já vinham sendo apontados há muito tempo. O que não tínhamos era a maturação desses sentidos para fazer as perguntas necessárias e sugerir algumas respostas.

Creio que ninguém nunca inventa um sentido. Nunca surge um sentido até então inédito e impensável. O que há é o ponto de maturação de sentidos que nos puxam há muito tempo. Nesses pontos de maturação da nossa história, idéias consideradas estranhas, mesmo que ponderáveis, são testadas pelo tempo e as experiências. Se não se diluem, são adensadas, agravadas, ganham sobrevida e, se sobrevivem, agregam força de persuasão e plausibilidade. Se não sobrevivem, são esquecidas como um delírio infantil. Caso resistam, ganham força gravitacional, o poder da coerência de nos puxar para dentro de um sentido. Puxam-nos com a força da consciência de algo que mostra real.

Quem resiste, sem enlouquecer, a algo que lhe pareceu real? Só despreza algo novo que faz sentido e ama o que se mostra injustificável quem esquizofrenizou. Em outras palavras, se eu sei que uma idéia esgotou seu sentido e que outra idéia indica um mundo de sentidos novos, basta um pouco de coragem para acolher mudanças, propor novas lógicas e chegar a algumas conclusões.

Portanto, o que chamamos aqui de desconstrução não é uma demolição fortuita e muito menos arbitrária. Também não pode ser confundida com um arroubo irresponsável de novas idéias. Nossa experiência de desconstrução é o enfrentamento corajoso das implicações desses sentidos que há muito nos puxam. Sim, somos puxados pelos sentidos apontados pela história. Não confundam isso com nenhum novo determinismo. Mas entendam o “ser puxados” como uma consciência histórica, como a escolha pelo que salta aos olhos. Toda consciência é construída pela história. À medida que vivemos e refletimos o que vivemos, coletivamente, acolhemos o que faz e repelimos o que deixa de fazer. As individualidades interagem, mas, preciso frisar, a consciência é sempre coletiva. Sinto que esse é o momento que vivenciamos, o do surgimento de uma nova consciência.

Mesmo sendo coletiva a experiência de surgimento de nova consciência, cada um caminha no ritmo em que discerne a (sua) história. Por isso também escolhi a palavra maturação. Porque se trata de um processo que não pertence inteiramente à pessoa que o experimenta. Ninguém possui em sua livre iniciativa todo o movimento de abertura para uma nova lógica.

Além da boa vontade, da coragem, do despojamento, da sinceridade, de um alargamento de horizonte, há também elementos que não dependem apenas de vontade pessoal. Outras experiências escapam ao indivíduo, como as decepções sofridas com as explicações convencionais, uma vivência cultural e comunitária com o esgotamento de modelos antigos e a demanda por novos modelos que melhor respondam às expectativas. Além, é claro, de elementos subjetivos e psíquicos: alguns tendem à resignação, foram adestrados em sua formação pessoal a adiarem conflitos. Outros são inquietos e ávidos por enfrentar as novas questões que surgem e imediatamente propor novas respostas. Enquanto alguns experimentam inquietações e desencantos típicos de sua idade ou experiência de vida, outros tendem a um olhar idealista, apaixonado e otimista para a vida, também, mas não somente, em função de sua idade emocional.

Há tantas variantes quantas individualidades envolvidas no desenvolvimento da cosmovisão de uma comunidade. Logo, falamos de uma experiência marcada necessariamente pelo conflito e assimetria. É neste ponto que nossas fantasias de unidade e nossa obsessão por simetria institucional atrapalham. Nenhuma comunidade desenvolve sua cosmovisão com integridade e liberdade sem abrir mão da hegemonia e do espírito de manada.

O fato, no entanto, de falarmos de assimetria na formação de uma nova consciência não pode ser entendido como uma experiência desencontrada e anárquica. Novamente, falamos de uma consciência histórica, logo, de um fenômeno que a todos abarca. Senão, qualquer proponente de novas idéias sequer seria entendido, sendo confundido com um lunático. Como são, talvez, os líderes das chamadas seitas messiânicas que já tantas tragédias causaram na história recente do mundo.

Se uma nova idéia provoca amplo debate, atrai novos pensadores, agrega indivíduos não pessoalmente envolvidos e nem participantes de um mesmo segmento, como igreja, cidade, país ou religião é porque essa idéia é parte de uma nova consciência que nos puxa. Mesmo que a essa idéia sejam contrapostas ferozmente idéias conservadoras. Inclusive, o fato de representantes de idéias conservadoras, de antigas consciências, serem mobilizados e agirem com violência intelectual apenas confirma que as novas idéias nem são invenções, nem delírios, nem idéias absurdas. Ao contrário, talvez porque façam todo sentido e terminem por ameaçar a sobrevida de antigas consciências, sejam tão fortemente combatidas.

Minha primeira sugestão é de uma desistência acompanhada por uma aceitação. Precisamos desistir de um debate monofônico. Nossas conversas serão marcadas pela polifonia de idéias. Haverá tons distintos que precisaremos orquestrar se não quisermos desperdiçar a chance de construirmos com múltiplas percepções uma nova consciência. Mas também precisamos aceitar que temos bem mais em comum do que imaginamos. Por isso defendo que essa nova consciência sobre Deus, a Bíblia, a fé, a salvação, a oração, os milagres e todos os demais assuntos da vida cristã já se mostra nos sentidos que sempre nos puxaram.

Nessa altura do campeonato, os debates de idéias já criam grupos distintos. Cada um se forma em função da identidade de cada participante e dos preconceitos de muitos que acabam por catalogar e isolar os diferentes. É natural que os iguais se aproximem para melhor argumentar. Mas é lamentável que algumas pessoas isolem outras em categorias preconceituosas, tais como: os progressistas, os de esquerda, os conservadores, os fundamentalistas, os legalistas, os liberais e assim por diante. Catalogados pelos preconceitos, perderemos a condição de ampla conversa. Precisamos nos aproximar através das conclusões comuns a todos. Meu esforço inicial será o de intuir alguns desses elementos em comum.

Para tornar nossa conversa mais produtiva, escolho um tema que, segundo entendo, é bem mais que um assunto entre tantos. Milagres. Escolho-o por ver convergir nele nossas maiores tensões. Mas principalmente porque, como já indiquei, é um tema mais abrangente que um simples assunto. É um tema que nos remete ao todo do modo de ver Deus, a humanidade, a liberdade, o amor, a vida autêntica, o sofrimento, a ética e outros ainda. Talvez pudéssemos começar afirmando que o tema dos milagres é o centro nervoso da consciência humana.

Para a consciência religiosa tradicional, não apenas cristã, o debate a respeito dos milagres é o mais intenso. Nenhuma afirmação repercute mais que a aquela que checa a consistência do que acreditamos ser milagre. Nenhuma dúvida atormenta mais que aquela que questiona a expectativa por um milagre. Nenhuma negação afronta mais que aquela que abre mão da pertinência de um milagre. Por quê? Minha idéia é que a discussão sobre milagres é a discussão sobre um modo de viver. Uma cultura. Um modo de se colocar na vida. E um modo de vida é a cultura que desenvolvemos para nos sentirmos seguros diante da imprevisibilidade da história e das ameaças de um mundo que, com freqüência, se mostra hostil.

Basta aceitarmos o tipo de hipótese proposta por Jesus ao “jovem rico” (Mt 19.16-30) para entendermos a dificuldade de se lidar com mudanças de consciência. O jovem se aproxima como que puxado pelo anseio de algo novo, mas ainda desconhecido. Há uma questão: “Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?” Jesus o remete a um modelo que não consegue mais responder: “obedeça aos mandamentos.” A pergunta insiste com a confirmação de anseio por outras respostas diferentes das que carregou a vida toda: “A tudo isso tenho obedecido. O que me falta ainda?” Jesus respondeu com algo mais que uma proposta radical, um exercício de mudança de consciência: se quisesse ser perfeito, o jovem rico deveria vender tudo o que tinha, dar o dinheiro aos pobres para então segui-lo. Por um instante, ao menos, aquele jovem rico sentiu-se sem a segurança de todos os bens conquistados. Sentiu-se a mercê de um projeto de vida que abria mão da segurança das riquezas. Por um instante, Jesus deu ao jovem a oportunidade de imaginar-se sem o modo de vida com o qual construíra toda a sua história, de sentir-se participante de uma outra consciência.

O episódio se encerra com a força inibidora de qualquer mudança: a sensação de insegurança diante do desconhecido. Uma antiga cultura, mesmo que esgotada em sua pertinência, sustenta-se em sua capacidade de domar mentes inquietas com apelo do medo. Triste, o jovem partiu como chegou: perguntando-se pelo que ainda faltava, mas sem força para romper com um padrão sobre o qual firmou sua segurança existencial.

Importante foi a constatação feita por Jesus da gigante dificuldade de alguém redimensionar seu modo de vida: “é mais fácil um camelo entrar pelo fundo de uma agulha que um rico entrar no Reino de Deus”. A pergunta dos discípulos, que não eram ricos, nos diz que a questão não era apenas sobre riqueza, mas sobre abrir mão dos pontos de apoio para experimentar uma nova realidade: “neste caso, quem pode ser salvo?” Ou seja, ninguém, a princípio, está propício a abrir mão de sua cultura de segurança. A resposta de Jesus é o anúncio de esperança do Reino de Deus: “Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis”. A interpelação de Pedro reafirma que o que estava em questão não era ser rico ou ser pobre, mas a segurança em um mundo ameaçador: “Nós deixamos tudo para seguir-te! Que será de nós?”

Quando falamos de milagres estamos tratando sobre um modo de vida organizado para gerar segurança em um mundo que nos ameaça. Qualquer questionamento que levante a possibilidade de não esperar por milagres produz a mesma angústia que sentiu o jovem rico, a de ter todos os amparos construídos até então derrubados. O que parece inaceitável.

Mas até aqui apenas justifiquei os conflitos que estamos experimentando neste momento de surgimento de uma nova consciência. A pergunta a ser respondida é a que reúne os lugares comuns desta nova consciência na Betesda. Alguns prováveis acordos:

1. Não podemos duvidar do poder de Deus em realizar um milagre, muito menos de que milagres possam acontecer. Negar a possibilidade do milagre é negar a natureza de Deus, a dinâmica surpreendente da vida tanto quanto diversos depoimentos registrados na Bíblia. Nosso questionamento está sobre o posicionamento de Deus frente ao nosso anseio por milagres. Nossa questão seguinte é se devemos organizar nossa a vida a partir da expectativa de milagres. Mais ainda, se devemos nos empenhar pelo milagre ou fazer dele objeto de nossa oração.


2. Nem a quantidade, nem a qualidade de nossas orações estão relacionadas com a realização divina de um milagre. O Deus da graça nada faz em nosso favor porque somos mais ou menos convincentes, mas porque é misericordioso. A noção de que a intensidade da fé e o volume de oração e demais disciplinas devocionais podem nos aproximar da chance de um milagre se assemelha à lógica pagã de espiritualidade. Denúncia feita por Jesus no sermão da montanha. (Mt 6.7-- Relacionar milagre com desempenho esvazia o Deus bíblico de sua bondade, conhecimento e compaixão.


3. O milagre não é a solução divina para o problema do sofrimento humano. Se a solução para o sofrimento humano fosse o milagre, Deus deveria realizar todas as curas e livramentos que a dor humana reivindica. Se Jesus não curou todas as pessoas, ao contrário, seu ministério teve um alcance geográfico minúsculo: a galiléia, é porque sua resposta ao sofrimento humano não foram os milagres por ele realizados. Sua resposta ao sofrimento humano foi a solidariedade de Deus, que se fez idêntico e nos ensinou a viver com coragem e esperança. No pão partido e na carne sofrida. No vinho bebido e no sangue derramado. No prazer e na dor. Inteiramente solidário. Completamente imitável.

Se, portanto, os milagres realizados por Jesus não resolveram o problema do sofrimento humano, eles incorporaram uma mensagem. O que eles significaram importa mais do que o que eles desempenharam imediatamente. Nossa leitura dos evangelhos deve se empolgar menos com o poder demonstrado e muito mais com os valores indicados.


4. Os milagres na Bíblia nunca tiveram êxito em gerar amigos para Deus e nem pessoas melhores. Toda seqüência prodigiosa na Bíblia é seguida de decepção para Deus. É a história do Êxodo, os dez prodígios das pragas não endureceram apenas o coração de Faraó como também o do povo hebreu que continuou pronto a dar as costas a Deus e a Moisés a qualquer instante. É a história dos evangelhos. Onde estava a multidão de pessoas beneficiadas pelos milagres de Jesus no momento da crucificação? Por que os favorecidos pelos milagres não se tornaram os amigos mais fiéis de Jesus? Depois de todos os milagres, por que Jesus clama: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que depois de tantos milagres realizados Jesus morre solitário e questionável? A Bíblia não seria a história do fracasso dos milagres em promover a vida humana?


5. Jesus, nosso modelo de vida, em momento algum foi beneficiado pessoalmente por qualquer milagre. Para escapar das ameaças precisou se esconder como qualquer homem faria (Jo 8.59). Na tentação do deserto, recusou todas as insinuações para que buscasse um milagre que facilitasse sua vida e carreira. Como afirma Ricardo Gondim no artigo publicado recentemente em seu site, “Tragédia, milagre e fé”

“Considero, inclusive, que nossas inquietações possam ser respondidas na tentação de Jesus no deserto. Trato o episódio como chave de compreensão de como podemos lidar com a vida. O Espírito levou Cristo até o deserto para ser tentado. Ali o diabo ofereceu três vantagens para que Jesus enfrentasse o desafio de viver: provisão, livramento e prosperidade. Caso aceitasse transformar pedras em pães, todos os famintos do mundo poderiam reivindicar a mesma coisa; se pedisse o socorro dos anjos, todos os acidentes seriam “evitáveis”; ao receber os reinos do mundo por decreto, o livre arbítrio humano ficaria anulado. Jesus rejeitou ter a fome satisfeita por magia; não permitiu que se criassem expectativas falsas de um mundo sem percalços; e rechaçou conquistar os reinos deste mundo pelo poder. Preferiu mostrar em sua própria vida que liberdade era a maior dádiva que Deus nos concedera.”


6. Não há nenhuma indicação na Bíblia de que devemos esperar por uma vida blindada. Estamos sujeitos aos acidentes da vida. Gostamos de citar as palavras de Jesus: “no mundo tereis aflição, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. E, se vencer o mundo como Jesus significa experimentá-lo do mesmo modo, inclusive uma com a possibilidade de uma morte injusta e violenta, certamente ninguém deve esperar ter um “corpo fechado” por Deus. Dizer ‘quero vencer o mundo como Jesus venceu’ significa dizer ‘não quero nenhum livramento divino de nenhum mal que possa vir sobre mim’, porque foi assim que Jesus se comportou.


7. O milagre é um evento sobrenatural, portanto não está ao alcance de qualquer movimento humano. Sendo assim, cabe a nós conduzirmos a nossa vida a partir daquilo que nos compete. Precisamos viver independentes de qualquer milagre. Pois se o milagre cabe a Deus e a uma dimensão que nos escapa, nada poderemos fazer para torná-lo viável. Se Deus atua milagrosamente contra os sofrimentos humanos, não há nada que façamos que possa tornar esse agir melhor ou mais freqüente, senão, falamos de um agir divino deficiente, de um agir divino que carece do agir humano para ser mais competente. Portanto, se há a possibilidade do milagre, ela não pode ser algo sobre o que estabelecemos nossos valores, expectativas e decisões. Se milagre é milagre não podemos contar com ele. Se é milagre o que Deus pode ou não fazer, precisamos viver como se nunca fosse acontecer.
Se milagre me escapa, organizar minha vida na expectativa de um é uma irresponsabilidade e uma insensatez. Talvez o motivo pelo qual Jesus conta a parábola do administrador desonesto com um elogio à sua inteligência. “O senhor elogiou o administrador desonesto, porque agiu astutamente. Pois os filhos deste mundo são mais astutos no trato entre si do que os filhos da luz.” (Lc 16.1-15) Flagrado em seu delito, o administrador resolveu a encrenca na qual se meteu sem contar a misericórdia de seu senhor e das demais pessoas. O resultado foi um plano brilhante que o cercou de amigos. Mesmo reprovável em um primeiro momento em sua moralidade, foi admirável em sua atitude diante da vida.


8. Qualquer teologia que desenhe um deus aquém de você deve ser descartada como uma idolatria. Na Bíblia, Jesus escolhe a figura do pai para descrevê-lo o mais próximo de nossa compreensão. A comparação é expressa basicamente assim: se vocês pais, sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos, como não vos dará tudo o que é bom o Pai que está no Céu. Se quisermos nos aproximar ao máximo da compreensão de como Deus age precisaremos, como Jesus, pensá-lo a partir de nosso ideal de paternidade. É André Torres Queiruga quem propõe o seguinte exercício: o que pensar de um pai que só providencia alimento e segurança para os seus filhos se os vizinhos intercederem? E o que dizer de um Deus que para agir exige ser lembrado de seu papel de provedor? Se eu em minha paternidade supero essa paternidade divina é porque não estou falando do Deus de Jesus, mas de um ídolo.

Mas se os seus filhos passam fome e sofrem violência, o que pensar de Deus senão que ele faz o papel inverso? Deve ser ele quem clama pelos seus filhos a mim e a você para que façamos algo. Porque se a iniciativa solidária é minha, se o ponto de partida de solução é meu, então eu sou melhor que esse deus. Os vizinhos são mais paternos presentes que o pai em sua própria casa. Mas nem sou eu o primeiro a me solidarizar e nem é uma intervenção sobrenatural a solução para o sofrimento humano. Mas sim, a solidariedade humana. Jesus se colocou definitivamente em todos os que sofrem (“os pequeninos”). Quem se solidariza com os que sofrem encontra e abençoa o próprio Deus neste mundo. (Mt 25.31-46)

A oferta de esperança da igreja ao mundo é de solidariedade e não promessas de milagre. Colocar as promessas de milagre como discurso da igreja é esconder-se da responsabilidade de agir. Gente solidária é a única esperança para gente que carece.


9. Se Deus não privilegia ninguém (Deus não faz acepção de pessoas, At 10.35-36), qualquer milagre que faça com o fim de atender a uma carência deve se estender a todos que também carecem. Se Deus transformou uma mulher estéril em uma mãe, não precisaria, na mesma comunidade, também ter impedido outra mulher de ser estuprada? Se Deus mandou alguém presentear outro com um carro novo, não deveria também ter providenciado alimento para as crianças que morreram naquele mês de desnutrição? Não deveríamos ao menos estranhar essas contradições e, novamente, suspeitar de uma teologia que propõe um deus pior do que nós?


10. Um cristão no exercício de sua consciência solidária precisaria sentir-se constrangido ao buscar um milagre enquanto milhões de pessoas simultaneamente padecem pela epidemia da AIDS. Sua oração deveria ser um clamor pelos outros sempre e não por suas aspirações.


11. Causam estranheza testemunhos de milagres parciais. A pessoa sofre um acidente, tem uma perna amputada e uma lesão que comprometerá sua locomoção definitivamente e testemunha o milagre de Deus impedir sua morte. Se foi feito por Deus, porque atendeu em parte às necessidades? Não seria esse tipo de testemunho um esforço coletivo por sustentar a cultura dos milagres e livramentos? A necessidade de acreditar que podemos contar com os milagres é tanta que interpretamos os eventos sempre para encontrar um fim glorioso.


12. Incomoda qualquer mente questionadora o fato de as ofertas de milagres, ou as expectativas por eles, excluírem um grupo de sofrimentos e limites humanos. A expressão é de Ricardo Gondim, só oramos por milagres dentro de uma zona de plausibilidade. Não esperamos muito ou nada por milagres em determinadas circunstâncias: alguém que sofreu a amputação de um membro do corpo, uma criança com Síndrome de Down, pessoas com nanismo e assim por diante. Temos mais ímpeto em orar pelos milagres que possuem alguma chance de acontecerem. Cogitamos o milagre com mais modéstia se possui muito pouca chance de acontecer. Sequer o cogitamos em situações extremas.


13. A Bíblia não pode ter sua interpretação superidealizada. Talvez a mais trágica crença incorporada pela tradição evangélica seja a que coloca a Bíblia acima da vida. Não quero substituir uma pela outra. Também não me atrevo a colocar a vida acima da Bíblia. Mas precisamos entender que só há uma Bíblia com autoridade final sobre nós: aquela que está inexoravelmente conectada à vida. A Bíblia vivida é a única que tem autoridade sobre a vida sem a sufocar, ou mesmo violentar. Uma Bíblia que transcende à vida, acima dela, independente dela, não significa nada, não diz nada, geralmente mata. A Bíblia precisa ser pensada em sua mundanidade.

Como um livro de palavras, sendo todas as palavras sempre precárias para dizer com precisão, a Bíblia carece de nosso esforço sensível, amoroso e modesto de interpretá-la a partir da única realidade que dispomos: a vida que vivemos. Por um cristianismo que contemple os desafortunados, uma Bíblia vivida que nos liberte da opressão de uma Bíblia anterior e acima da vida.

A cultura dos milagres – essa que se apresenta como um modo de vida amparado nas intervenções milagrosas de Deus – está necessariamente construída sobre uma interpretação idealizada da Bíblia. O que torna a atitude de alguns crentes irresponsável, absurda, até mesmo criminosa, mas coerente com a sua compreensão da Bíblia:


Sem socorro, menina morre enquanto pais rezavam
Uma menina americana de 11 anos morreu de diabetes enquanto seus pais rezavam pela sua cura, sem chamar médicos para socorrê-la, informaram as autoridades de Wisconsin.
Os pais da garota, Dale e Leilani Neumann, foram acusados de homicídio culposo (sem intenção de matar). O casal acredita somente na Bíblia e está convencido de que sua filha estava nas mãos de Deus, segundo declarou a mãe da menina.
Segundo a agência Ansa, a garota morreu no dia 23 de março passado em sua casa em Weston, vítima de um nível muito baixo de insulina no sangue. Os pais nunca a levaram a consultas médicas.
Redação Terra


Não faz o menor sentido sustentar uma interpretação da Bíblia que não experimentamos de fato, ou que contradiz a vida. A autoridade da Bíblia está exatamente em sua promoção da vida: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.” (2Tm 3.16-17)


Tenho ouvido com mais freqüência que gostaria, quando no esforço por compreender Deus e suas manifestações em nossa vida, a advertência de que Deus não é alcançável pela lógica humana, de que ele está acima da nossa lógica. O que me parece um absurdo completo. Se de fato fosse assim, haveria um fosso intransponível entre Deus e a humanidade. Sequer dele faríamos qualquer referência. Nem o nome Deus seria pronunciado. A dizermos “Deus” o fazemos sempre de dentro de uma lógica. Porque palavras só significam algo dentro de uma lógica.

Dizer que Deus não cabe em uma lógica é outra coisa. Até porque nenhuma verdade cabe absolutamente em uma lógica. Ninguém cabe dentro de uma lógica. Muito menos Deus. Portanto, abdicar do pensamento para conhecer Deus é matar “Deus” em nossa experiência. O que dá razão novamente a Nietzche. Mas não apenas matamos Deus com uma abdicação do pensamento, matamos a nós mesmos. Desistimos do que nos toca e nos reivindica compreensão.

Portanto, o exercício de construir uma consciência é idêntico ao de viver. É com esse compromisso que somos puxados pela consciência. O de viver com sentido. É com esse compromisso que precisamos responder as questões aqui levantadas. O de fazer teologia para a vida.

Este artigo foi apresentado no 12º Encontro de Pastores da Igreja Betesda no Nordeste, realizado entre os dias 30/04 e 02/05/2008. Minha pretensão foi a de reunir argumentos que têm constituído uma ampla conversa dentro da denominação e oferecer uma pauta de discussão.

A Igreja Betesda é uma denominação de origem assembleiana, com 27 anos de fundação. Desde então foi marcada pela busca de práticas e reflexões afinadas com os novos anseios do mundo moderno. Acabou por se desvincular institucionalmente das Assembléias de Deus no Brasil.

Acredito que a experiência da Igreja Betesda sirva de amostragem para um fenômeno que a todos envolve. Senão com a atitude assumida de ressignificar a teologia, ao menos com a sensação de esgotamento do modelo até então vivenciado e anelo por algo novo.

http://www.ricardogondim.com.br/
< QUEIRUGA, André Torres. Fim do Cristianismo Pré-moderno. Editora Paulus.

21/06/2008

O LEÃO, A PASTORA E O FUTEBOL


Continuando a série de comentários sobre as notíciais de Recife, posto material publicado no Blog Ação Reação, que vem reforçar a impressão minha, que não é de hoje, sobre os desvaneios da lider do DT.
Claudinho


O Leão, a pastora e o futebol

Por Riva Moutinho


O texto abaixo foi extraído do Blog Oficial da Ana Paula Valadão (http://blogdaana.wordpress.com/2008/06/12/noticias-de-recife/):

“Olá amados,

Nos últimos dias temos visto Deus agir de maneira tremenda em Recife, e por toda a parte, nos preparando para o que Ele irá fazer nos dias 4 e 5 de julho sobre aquela terra e sobre toda a nossa nação.

No fim de semana aconteceu ali o Seminário de Intercessão, e nas palavras dos guerreiros que participaram, foi um dos mais marcantes dos 36 que já passaram por esse Brasil a fora.

Ao preço de dores de parto, um enorme peso espiritual foi quebrado, houve muitas libertações de vidas e da atmosfera da cidade, e o Senhor tem revelado profeticamente a Sua glória para aquele lugar.


Enquanto o seminário acontecia, no Chevrolet Hall a cidade celebrava uma das maiores festa de S. João do Nordeste. Mas cremos que estaremos ali tomando posse do terreno do inimigo. Acreditamos que esta nação será conhecida pelas festas ao Rei Jesus! Na madrugada de domingo para segunda, depois do seminário, os noticiários publicaram a morte do fundador do “Galo da Madrugada”, o maior festival da cidade, que já chegou a reunir 3 milhões de pessoas pelas ruas do Recife. Ficamos boquiabertos. Ele faleceu de uma cirurgia no joelho.


Outro evento importante foi ver essa semana, o Sport Club do Recife se tornar o campeão do Campeonato do Brasil! Os jogadores, muitos crentes, glorificavam a Deus e até declararam na mídia que esta vitória foi o cumprimento das promessas do Senhor.


Creio que também não é coincidência ver na bandeira do Recife, um leão segurando uma cruz. Deus tem Seus planos e estratégias e não é em vão que estaremos indo ali exatamente nesta hora.”



A pastora-do-leão-de-quatro voltou... aliás, ela continua com a cabeça no leão... ou seria o leão na cabeça? Enfim, a pastora parece ter gostado da idéia de colocar na internet o seu diário pessoal. O interessante é que apenas comentários a favor são publicados. O que houve com o contraditório?


Depois de imitar, segundo ela, um leão no palco que mais parecia uma pessoa procurando sua lente de contato pelo chão, Ana Paula Valadão continua a criar coerências que apenas sua mente e a de seus fãs acham normais; as quais só posso concluir que devem agitar a alma de Freud, esteja lá onde ela estiver.
No último texto que comentei dela, tentei comentar cada parágrafo, o que não me foi possível tendo em vista tamanho disparate presente. Neste gostaria apenas de comentar dois pontos, uma vez que não há em mim nenhum apreço por tal literatura (se pudermos chamar a isto de literatura).


Depois de se vestir como uma guerreira, a pastora-do-leão-de-quatro encontrou com outros “guerreiros” e todos com “dores de parto” quebraram o peso espiritual que pairava sobre a cidade de Recife e, ainda, se preparam para entrarem no “terreno do inimigo” chamado São João. Coitado do “seu” João! Será que alguém falou com ele que há um monte de “guerreiros” querendo invadir seu território?


E como não poderíamos esquecer, de maneira alguma: Eis o leão aparecendo novamente. O futebol, um esporte profano, teve sua transformação para um “evento importante”, e isso porque o Sport (aquele time que tem o leão como mascote) venceu o Corinthians e se consagrou campeão da Copa do Brasil. Assim ela enche a bola dos jogadores do Sport dizendo que Deus havia cumprido uma promessa. Aí, fico eu pensando daqui: e os jogadores evangélicos corintianos? Não tinha promessa nenhuma para eles a não ser a do vice campeonato? Putz.


Outro fator delirante da pastora-do-leão é o último parágrafo apresentado acima: “Creio que também não é coincidência ver na bandeira do Recife, um leão segurando uma cruz.” Coincidência realmente não é, mas o que não é mesmo é a referência que nas entrelinhas ela quis insinuar ou afirmar existir pelo fato do leão segurar a cruz na bandeira da cidade do Recife. Leia com bastante atenção a maneira como o site da Prefeitura do Recife (http://www.recife.pe.gov.br/pr/simbolos.php) descreve a bandeira municipal: “Através da Lei 11.210, de 15 de dezembro de 1973, a municipalidade recifense instituiu uma bandeira para a cidade, composta de símbolos que se referem a fatos memoráveis da história do Recife. A bandeira do Recife é retangular e tem por base três colunas verticais, sendo que as laterais são em azul e a central em branco, reportando às cores da bandeira do Estado de Pernambuco, do céu brasileiro e da paz. A força e a fé, ideais almejados pelo ser humano, são representados pela frase em latim Virtus et Fides.


Símbolos de fé, força e esperança completam o visual da bandeira do Recife. São eles: a cruz, representando a colonização portuguesa, que trouxe o cristianismo para o Brasil; o leão neerlandês coroado, em amarelo, remetendo ao escudo de armas de Maurício de Nassau e ao Leão do Norte, apelido adquirido por Pernambuco pelo seu potencial histórico de lutas e, por fim, o sol e a estrela, ambos em amarelo, aludindo ao nosso astro maior e à representação da república brasileira, considerada originária das terras pernambucanas, através do movimento de 1817.”


Brincadeiras a parte, o lado mais sombrio do texto desta menina-do-leão fica por conta do comentário ridículo e descabido sobre a morte do fundador do Galo da Madrugada, o sr. Enéas Freire. Ele conseguiu transformar o Galo da Madrugada no maior bloco carnavalesco do mundo, segundo o próprio Guinness Book. Enéas morreu aos 86 anos de parada cardiorespiratória.


Repare que a pastora-do-leão-de-quatro logo após falar sobre a morte do Sr. Enéas, escreve as palavras: “outro evento importante”. Haja estômago para ler tanta baboseira vindo de uma única pessoa e que, infelizmente, adoece milhares de pessoas pelo mundo afora. Há de se ter, ao menos, o mínimo de respeito para com as pessoas, inclusive pelos familiares daqueles que se foram.

Mas Deus gravita ao redor da Sra. Valadão-filha realizando todos os caprichos e mimos que ela deseja: um Personal God criado em algum lugar de uma mente empobrecida e ensandecida pelos desvarios de uma religião.


BH 20/06/2008

19/06/2008

Diante do Trono ou seria Distante



Recebi pelo fórum mmc do Yahoo (Musica Musico Cristão) o texto abaixo, visitei o blog http://hojeteologia.blogspot.com/2008/06/distante-do-trono.html para conferir e de fato como me disse uma vez um amigo -"... a gente tem que doar as córneas, pois numa vida só não se consegue ver tudo". A leitura dispensa comentários, mas o que me choca não é a Sandi gospel vender loucuras, mas a legião de cegos seguidores que além de ouvir e dizer amém reproduzem em escalas mais bizarras a "pedagogia diantetronista".

Que Deus tenha misecórdia e o Espírito Santo os conduza a sanidade e a saúde mental e espiritual.


Claudinho


Abaixo o recorte do blog A fé em busca de entendimento





Distante do Trono


O texto que publico abaixo é um trecho do blog da Ana Paula Valadão. Quando terminei de ler, fiquei pasmado, custei a acreditar. Ela fica feliz porque durante um seminário no Nordeste houve um clamor por avivamento, e como resposta morreu o fundador do bloco "Galo da Madrugada" do Recife. Eles oraram e Deus como resposta matou alguém? Que absurdo é este? E por fim ela destila mais "abobrinha gospel" ao dizer que a vitória do Sport na Copa do Brasil foi também resultado do clamor. E fala sobre o Leão que aparece no camisa do Sport e o compara ao Leão de Judá...


Eu preferia acreditar que não fosse verdade.Publico abaixo o trecho do blog e a também a indignada opinião do Sérgio Pavarini em seu blog:


No fim de semana aconteceu ali o Seminário de Intercessão, e nas palavras dos guerreiros que participaram, foi um dos mais marcantes dos 36 que já passaram por esse Brasil a fora. Ao preço de dores de parto, um enorme peso espiritual foi quebrado, houve muitas libertações de vidas e da atmosfera da cidade, e o Senhor tem revelado profeticamente a Sua glória para aquele lugar.


Enquanto o seminário acontecia, no Chevrolet Hall a cidade celebrava uma das maiores festa de S. João do Nordeste. Mas cremos que estaremos ali tomando posse do terreno do inimigo. Acreditamos que esta nação será conhecida pelas festas ao Rei Jesus! Na madrugada de domingo para segunda, depois do seminário, os noticiários publicaram a morte do fundador do “Galo da Madrugada”, o maior festival da cidade, que já chegou a reunir 3 milhões de pessoas pelas ruas do Recife. Ficamos boquiabertos. Ele faleceu de uma cirurgia no joelho.


Outro evento importante foi ver essa semana, o Sport Club do Recife se tornar o campeão do Campeonato do Brasil! Os jogadores, muitos crentes, glorificavam a Deus e até declararam na mídia que esta vitória foi o cumprimento das promessas do Senhor.Creio que também não é coincidência ver na bandeira do Recife, um leão segurando uma cruz. Deus tem Seus planos e estratégias e não é em vão que estaremos indo ali exatamente nesta hora.


fonte: blog da Ana Paula Valadão


No excelente Para curar um mundo fraturado (Séfer), o Rabino Jonathan Sacks conta algo interessante:


"Os chassidim contam uma história sobre o segundo Rebe de Lubavitch (o "Mitteler" Rebe). Certa vez, ele estava tão concentrado em seus estudos que não escutou seu filho pequeno chorar. Mas o avô (Rebe Shneur Zalman de Liadi) ouviu, desceu as escadas, pegou o bebê no colo e ninou-o até que voltasse a dormir. Aproximou-se então de seu filho, ainda imerso nos livros, e disse: 'Meu filho, não sei o que você está estudando, mas se o deixa surdo ao choro de uma criança, não é a Torá'. Viver a vida da religiosidade é ouvir o lamento silente dos aflitos, solitários, marginalizados, pobres, doentes, impotentes - e responder."


Se o resultado da "batalha espiritual" protagonizada pelos intercessores do grupo Diante do Trono é o regozijo disfarçado de pasmo ante a morte do fundador do maior bloco de carnaval do mundo (segundo o Guiness), algo está errado. Sobre o lance do leão na bandeira do Sport nem dá p/ comentar, tal a sandice (eivada quem sabe de um matiz egóico travestido de expressões "espirituais").


Prezaria saber os resultados dessa espécie de "boacumba gospel" após pantomima semelhante ocorrida no Rio de Janeiro há alguns meses.No início do ministério, Ana Paula cantava "Dá-me um coração igual ao teu, meu Mestre". Ao que parece, essa oração não foi respondida.


Infelizmente.

15/06/2008

Entrevista que Sérgio Pavarini concedeu a União dos Blogueiros Evangélicos.
Vale a pena conferir




Tem culpa eu?
UBE - Quem é o irmão Sérgio Pavarini?

Sérgio Pavarini - Nas palavras de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa):


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

UBE - Com entrou foi seu primeiro contato com a ferramenta blog


Sérgio Pavarini - Há 9 anos edito newsletters semanais. O blog foi o passo natural p/ diminuir o espaço entre as edições e estreitar ainda + o relacionamento c/ os leitores. Em abril, o PavaBlog# completou 2 anos. A newsletter PavaZine# tem hj + de 150 mil leitores, boa parte fora do rebanho.


UBE - Que as sugestões daria para a UBE?


Sérgio Pavarini - Listei 10 "mandamentos" p/ cristãos blogueiros:

1- Use linguagem coloquial


Guarde a "paz do Senhor" p/ a igreja e esqueça eventuais títulos hierárquicos. "Blog do apóstolo-arcanjo João Imaculado" não é uma boa pedida.

2- Mantenha o tom bem-humorado


A blogosfera é um ambiente caracterizado pela informalidade. Não tente transformá-lo numa catedral.

3- Esqueça o discurso triunfalista


O papo de "blogueiros cristãos unidos vão mostrar a força do Evangelho etc." é pura perda de tempo. Qq blog c/ fotos pornôs terá em alguns meses + audiência que toda a blogosfera cristã obterá nos próximos dez anos.

3- Seja generoso



Nunca se esqueça de colocar eventuais fontes e links nos posts. Visite outros blogs, deixe seus comentários e elogie todas as vezes que curtir algo que leu. No entanto, não coloque o endereço do seu blog nos comentários p/ não transformá-lo em mera propaganda.


5- Respeito à diversidade


Não transforme o bolgroll em lista das congregações do presbitério. Nem todos os seus leitores terão as mesmas preferências que as suas.

6- Converse com estranhos


Por trás de cada blog há uma pessoa c/ sentimentos, carências, problemas e conhecimento em dvs áreas. Nunca desperdice a chance de compartilhar idéias. Vc sempre será o + abençoado.

7- Seja você mesmo


Resista à tentação de criar um personagem, mostrando algo que não é e qualidades que não tem. Ao contrário dos jornalistas, os leitores sempre sabem separar o joio do trigo.

8- Destrua os muros


A blogosfera é um ambiente sem barreiras geográficas, sociais ou qq outras. Se deseja falar apenas c/ gente que deve pensar como vc, desista do blog. Nem na igreja vc vai conseguir isso. Graças a Deus!

9- Maracujina na veia


Alguém discordou de sua opinião? Nada de amaldiçoar o cara ou vetar o comentário. Combata idéias, jamais pessoas. Sempre.

10- No capricho


Qq que seja o estilo do blog, faça o seu melhor. Em várias áreas, "cristão" ainda é sinônimo de "medíocre". O melhor selo que seu blog pode ostentar é o reconhecimento dos leitores.

UBE - Fale-nos de seu trabalho na revista CristianismoHoje.


Sérgio Pavarini - Colaboro regularmente c/ várias revistas e sites. Desde o início, sempre escolhi temas e abordagens diferentes das convencionais. Não tenho soluções p/ os problemas da igreja, mas compartilhar angústias e inquietações abre o debate e amplia a reflexão.


UBE- Em poucas palavras e de forma geral, como o irmão percebe a igreja evangélica no Brasil


Sérgio Pavarini - Imatura, sectária, míope e irrelevante na maioria dos setores. Como escrevo há algum tempo e milhares de pessoas lêem meus textos, tenho uma parcela enooorme de culpa nesse quadro. Não fosse a maravilhosa graça de Deus...

UBE - Faça suas considerações finais


Sérgio Pavarini - Os cristãos já foram conhecidos no Brasil como o "povo do Livro". Hj sequer lemos a Bíblia. Sou apaixonado pela leitura e uso regularmente o blog p/ incentivar as pessoas a lerem +. Sugiro aos blogueiros relacionar no blog os livros que estão lendo, recomendar obras que curtiram ler e ajudar os leitores a desenvolver esse hábito essencial. Como disse o Mário Quintana, "Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas; os livros só mudam as pessoas".

fonte: União de Blogueiros Evangélicos
Postado por Pavarini às 6:16 PM
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