08/02/2011

Apóstolos????




Fonte da imagem: Hospital da Alma 
Alerta aos “apóstolos”!
Andrew Strom
Tradução de João A. de Souza Filho



Carta aberta a Peter Wagner, Dutch Sheets e demais “apóstolos”.

Esses dias li um relatório da nova “rede apostólica” liderada por Dutch Sheets que fez algumas reuniões na Flórida para “arrumar novos territórios” para seus apóstolos etc. Preciso escrever o que o Senhor diria a esses homens.

Primeiramente quero que nos lembremos de algumas coisas. No dia 23 de junho de 2008 um grupo de “apóstolos e profetas” sob a liderança de Peter Wagner subiu na plataforma em Lakeland, Flórida nas reuniões de avivamento de Todd Bentley, para impor as mãos sobre este evangelista e comissioná-lo ao ministério. Fizeram mais que isto: Peter Wagner chamou aquele momento de “alinhamento apostólico”. E fez a seguinte declaração diante das câmeras e de todo o povo:

“Eu uso da autoridade apostólica que Deus me deu, e declaro a Todd Bentley:
- O poder que você tem aumentará;

- A autoridade que você tem também aumentará.

- A graça (de Deus) em você aumentará.

Também declaro que:

- Sua influência crescerá

- Sua revelação aumentará.

- E também declaro que:

- Um poder sobrenatural novo fortalecerá você e fluirá em seu ministério.

- Uma força nova e poderosa penetrará nesse mover de Deus.

As pessoas pensam que Peter Wagner estava “profetizando” quando disse essas palavras, mas, na realidade ele estava “decretando” tais coisas a Todd Bentley, já que Peter Wagner encabeçou aquele momento como “apóstolo chefe”. No dia seguinte, numa carta, Peter Wagner chamou aquele momento de “evento rompedor” e declarou: “Chegamos ao ponto que podemos chamar de segunda era apostólica...” (Em outras palavras, uma nova era de apóstolos verdadeiros.

A pergunta que lhe faço Peter, é que resultados você teve com tudo isso? Porque, literalmente, em algumas semanas descobrimos que muitos dos “milagres” em Lakeland eram falsos, e não tinham fundamento algum. Depois, ficamos sabendo que a esposa se divorciou de Todd Bentley, porque o evangelista ungido por Peter Wagner estava tendo um caso sexual naqueles mesmos dias – e o “avivamento” foi por água abaixo! Esfacelou-se em pedaços! Foi isso o que aconteceu!

Todos os grandes líderes carismáticos que estavam naquela plataforma, depois que a “bomba” estourou não sabiam onde se esconder, de tão envergonhados que ficaram. E ninguém mais que Peter Wagner – depois de fazer este “decreto apostólico”. Quem sabe o pior desastre da vida dele!

Então, quem puxou o tapete e fez que seu “alinhamento apostólico” ruísse, Peter Wagner? Preciso lhe dizer que são dois os responsáveis.

O primeiro responsável por tudo ruir foi você mesmo, e o segundo, Deus. Porque Deus se levantou contra você e seus autodenominados apóstolos. Ele é que fez tudo isso!

Você e seus amigos ocuparam um ofício, ou posição no corpo de Cristo que não era de vocês; e Deus está atualmente no processo de derrubar esses apóstolos e toda sua rede apostólica junto!

Dutch Sheets – posso lhe perguntar quem lhe deu o direito de buscar territórios (espaço) no corpo de Cristo da América do Norte e distribuir aos seus “apóstolos” como se o corpo de Cristo pudesse ser distribuído como franquias do Mcdonalds a você e a todos os seus “apóstolos”?

Você tem idéia de onde você está se metendo? Certamente você sabe que você e seus “apóstolos” não são apóstolos reais como os do Novo Testamento, e estão se tornando um alvo grande e bem marcado, para que o juízo de Deus os alcance! Como, então, você trata o corpo de Cristo como se fosse um projeto imobiliário, que você pode distribuir como lotes de um empreendimento, para seu próprio engrandecimento?

Devido a homens como você Deus trará juízo sobre a liderança da igreja. Esses líderes se autodenominam “apóstolos”? Bem, então Deus os provará e os testará. Se não são reais, Deus os terá como inimigos dele, porque esses apóstolos estão impedindo a verdadeira Reforma.

Todo auto-proclamado apóstolo será provado. Sim, você afirma que seu grupo é um “concílio de anciãos apostólicos” ou algo similar. Espere Deus os chamar, e, se vocês não são verdadeiros ele os derrubará. O Senhor está voltando para levar sua igreja com grande poder, e vocês “apóstolos” estão atrapalhando a vinda dele, estão no caminho dele!

Certa ocasião, no Canadá, ouvi um desses grandes “apóstolos” dizer aos seus apóstolos associados que seu “apostolado” será julgado pelos níqueis que eles representam (em outras palavras, pela “quantidade” de dinheiro que conseguem levantar). Bem, como sei do que se trata, creio que esses “apóstolos” são lobos devoradores!

Lee Grady escreveu sobre essa “apostolomania”:


Em alguns círculos esses apóstolos exigem total obediência dos líderes que estão debaixo da liderança deles. Alguns controlam a entrega dos dízimos a eles, e, criaram uma monstruosa estrutura organizacional espiritual semelhante a da Amway. Esses assim chamados apóstolos formam uma cadeia em que uns estão sobre os outros, e levantam enormes quantidades de dinheiro. Um líder propôs aos pastores a oportunidade de se tornarem “filhos espirituais” contribuindo com mil dólares por mês para seu ministério. (grifo meu).

E, no entanto, veja o que o verdadeiro apóstolo Paulo escreveu: “Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte... Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos” (1 Co 4.9-13).

Isto sim é apostolado! Diga-me, você que é um apóstolo moderno, você preenche o perfil dos apóstolos do Novo Testamento? Se não, o que acha que Deus fará com vocês que usam um título falso na igreja?

Creio que os verdadeiros apóstolos, quando surgirem, se recusarão a usar este título! Eles se humilharão, e não se exaltarão tanto quanto vocês! Este é o coração do verdadeiro líder levantado por Deus.

Ao encerrar, deixe-me advertir novamente os que utilizam o título de “apóstolo” ou “profeta” na igreja. Deus virá para limpar sua casa, e se você não é verdadeiro, ele começara a limpar a casa por você. É simples assim! Você precisa se arrepender urgentemente dessa tão grande presunção. Bem, estou avisando!


Nota do tradutor: É importante que a igreja use parâmetros bíblicos para julgar esses tais apóstolos, como fazia a igreja de Éfeso, elogiada por Jesus: “Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos” (Ap 2.2). Se você escreve em inglês, concorde ou não com o que o autor escreveu, o endereço do Andrew Strom é:
prophetic@revivalschool.com

Fonte: Urro do Leão


18/01/2011

TRAGÉDIA e ACIDENTE: gente ficou ferida e outros morreram!





Uma tragédia acontecera. Pilatos misturara o sangue de alguns Galileus com o sangue dos sacrifícios que eles ofereciam em seu culto fora de lugar, fora do Templo de Jerusalém.

Outra tragédia aconteceu logo depois. A torre do Tanque de Siloé desabou e matou as 18 pessoas que lá estavam.

Jesus estava andando pelo país...

Então, chegaram as notícias.

“O Senhor soube? Soube o que Pilatos fez? Soube o que houve com os crentes na torre que caiu?”

Eles queriam um juízo, uma explicação, uma condenação, uma lógica moral. Afinal, esse negócio de tragédia — pensam os crentes —, é coisa para descrente e para crente em pecado; pois, a teologia dos crentes sempre foi a dos “amigos de Jó”: tragédia é o fruto do pecado; e é sempre juízo de Deus contra o pecador.

Sim! Desse modo pensam sempre os crentes, exceto quando a casa que cai é a deles!

Mas quando a casa cai e a residência é a do descrente ou a do crente “desviado ou em pecado”, então, está tudo explicado!

Jesus, porém, ouviu as insinuações que as “questões” induziam ao pensar, e, sem falar delas, apenas disse:

“Vocês pensam que os Galileus da tragédia eram mais pecadores do que os demais Galileus que não morreram? Ou que aqueles 18 sobre os quais a torre caiu eram mais pecadores do que os demais habitantes de Jerusalém? Em verdade eu digo a vocês não eram. Mas se vocês não se arrependerem, todos igualmente perecerão”.

Para Jesus telhados que caem são apenas telhados que caem; e podem cair sobre a cabeça de qualquer um. Para cair, basta estar no alto, e, para matar, basta que haja gente em baixo.

No entanto, sabendo como os “crentes das noticias de tragédias” são como pessoas, Jesus apenas disse:

Não é o modo da morte que conta. É o modo da vida que conta. Se vocês continuarem a viver assim, morrendo, sem Deus, porém cheios de religião, ainda que vocês morram de velhos, todos, todavia, independentemente do modo da morte, perecereis para a eternidade; posto que cuidaram apenas de julgarem os mortos, e não aprenderam a viver a vida dos vivos!

Não importa o modo da morte. Importa sim o modo da vida; pois, se não mudarmos de mente, todos,igualmente, veremos não um céu de gesso, como o da Renascer, cair na nossa cabeça, mas veremos os céus mesmo, desabando sobre nós e sobre nossas incuráveis arrogâncias.

Oro por todos. Por todos mesmo: os acidentados, os feridos, os enlutados, os aflitos...

Oro também para que, não pelo telhado ou pelas mortes, mas pela vida, que os responsáveis espirituais por este povo agora ainda mais perdido e confuso convertam-se à vida que é; e que não é como eles ensinam ao povo que seja; e a prova disso é que os telhados caem e não há ninguém que possa decretar ao contrário.

O convite de Jesus não é para que se pondere sobre as tragédias, mas sim sobre a vida que nunca é trágica, mesmo quando as tragédias se abatem sobre ela.

Sim! Tal vida não julga a Graça de Deus por dinheiro, prosperidade ou sucesso humano; mas, exclusivamente, pelo testemunho de coerência com o Evangelho, ainda que se esteja morrendo a morte mais louca e insana, como a de João Batista, cuja cabeça foi servida em um prato a fim de que Herodes fizesse a corte de uma jovem que ele desejava ‘comer’ como quem come um pedaço de picanha.

Silêncio! O Senhor está no Seu Santo Templo! Cale-se diante Dele toda a Terra!


Nele,


Caio
19 de janeiro de 2009
Lago Norte
Brasília
DF

24/12/2010

Deus Conosco - Emanuel

Posto o cartão de felicitações que enviei aos meus clientes e que extendo os votos aos leitores do Blog.
Abraço a todos e obrigado pela compania em 2010.

06/10/2010

"Estamos vivendo um momento de ruptura"

Entrevista com: Robinson Cavalcanti

A que o senhor atribui a inesperada votação obtida por Marina Silva?

Acho que ela representou uma proposta de ética, não só de discurso mas de exemplo de vida. Somaram-se a ela muitos dos que apoiaram o Governo Lula e tinham críticas a possíveis comportamentos éticos, os que tinham maior preocupação com o meio ambiente, pessoas da uma classe média e de uma juventude que não se identificava com as duas propostas, de Dilma e de Serra. Também os setores religiosos, tanto de católicos quanto evangélicos que enfatizam muito valores na questão da vida. É até uma identificação simbólica porque, ao mesmo tempo que Marina foi militante católica da Teoria da Libertação, incorporou os pentecostais porque é membro da Assembleia de Deus e viu uma adesão grande das igrejas protestantes históricas.

O que mais lhe chama a atenção e que pode ser importante no voto do segundo turno?

Há um ponto central: Por herança do positivismo, indo para o marxismo, as pessoas não entenderam que há uma diferença entre Estado e nação. O nosso Estado é laico, mas a nação é religiosa. As elites pensantes não entenderam que o Estado é um ente político-jurídico, enquanto a sociedade tem uma história, cultura e valores. Isto antropologicamente é denominado nação e ela é formada por religiosos. Detectar que os eleitores querem a expressão das suas crenças e valores é entender que existe uma nação pulsante dentro do Estado. Estamos num momento de ruptura, de compreensão desses novos paradigmas. Os políticos vão ter de entender isso, senão vão perder a eleição.

E qual seria essa ruptura?

A discussão é: os eleitores fazem parte da nação e não se pode dizer numa eleição 'por favor, não leve em conta suas crenças religiosas no espaço público'. Esse é um discurso da ideologia secularista que nos une agora no século 21 à Europa Ocidental. Ocorre que não estamos na Europa Ocidental. É preciso se entender que o ser humano não é só economia, não é só racionalidade. É um ser múltiplo, um ser cultural e um ser ético.

Olhando pelo ângulo inverso: o que teriaatrapalhado a candidata da ex-ministra Dilma?

Por um lado, um papel não isento da imprensa. Segundo lugar, o escândalo da Erenice (Guerra) porque a bandeira do PT sempre foi da ética. Depois, a candidatura de Marina, que quebrou a polarização. Há outros fatores, como a orquestração suja de boatos em que se passou a acusar a Dilma com frases como "nem Jesus Cristo é capaz de me derrotar". Isso teve um efeito muito grande. Tenho uma rede de igrejas e projetos sociais que me faz circular e noto que as pessoas estão profundamente confusas com isso.

Em virtude desses boatos, é possível se apontar uma tendência dos evangélicos para o segundo turno?

As pessoas estão muito mais fazendo perguntas que elaborando respostas. Estão num momento de dúvida. Pouco se fala da questão religiosa, mas ela é profunda e representa muito, inclusive porque é grande a percentagem de protestante na população.

E qual será a lógica predominante entre os evangélicos na hora da escolha?

Para mim, o discurso que sensibilizará é um discurso que caminha para o social-progressista e de uma lógica moral conservadora.
 
Fonte: Diário de Pernambuco

05/10/2010

"A política é um bom meio de vida para quem é ladrão e mentiroso"

"Eu quero pensar, mas pensar objetivamente e emocionalmente. Eu sei que a política é um bom meio de vida para quem é ladrão e mentiroso. Para quem é do bem e honesto é uma tarefa difícil de sempre nadar contra a corrente todos os dias".

Dois dias após as urnas confirmarem sua derrota oficial na disputa ao Senado, a vereadora Heloísa Helena (Psol) apareceu publicamente na primeira sessão da Câmara Municipal em Maceió. Não fez discursos e atendeu muitos telefonemas. "Agradeço aos 417.636 votos. Foi uma eleição difícil".

Mapa político: veja os eleitos e a composição do Senado

Há dois meses, Heloísa Helena estava na ponta nas pesquisas ao Senado. A entrada do presidente Lula, pedindo votos ao deputado federal Benedito de Lira (PP) e Renan Calheiros (PMDB), no guia eleitoral, causou um efeito devastador. Ela ficou em terceiro lugar, com 16,6% dos votos.

"Tive de enfrentar a máquina dos governos federal, estadual e municipais. Foi uma máquina de moer gente", disse. "Desde o início, eu sabia que seria difícil. Mas, o que é difícil a gente faz. O impossível a gente tenta".

O candidato ao governo de Alagoas pelo Psol, Mário Agra, ficou com 1,37% dos votos na disputa. Benedito de Lira era apoiado pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB); Renan pelo ex-governador Ronaldo Lessa (PDT). Teotonio e Lessa se enfrentam no segundo turno. Ambos elogiam Lula em seus palanques. Lessa, oficialmente, é o candidato do Palácio do Planalto em Alagoas.

O Psol nacional não pedia votos a Heloísa, que declarou preferência por Marina Silva (PV). O candidato do partido à presidência da República, Plínio de Arruda Sampaio, não pisou em Alagoas. José Serra esteve duas vezes, em encontro com os tucanos; Dilma Rousseff recusou até os convites para receber títulos de cidadã alagoana e maceioense. O senador Fernando Collor (PTB) pedia votos para a petista.

O tostão e o milhão

"Foi uma vitória nossa. Não tínhamos riqueza e havia o poder político e econômico. Enfrentei desde o presidente da República até as instâncias locais", disse a vereadora.

"Eu quero pensar, mas pensar objetivamente e emocionalmente. Eu sei que a política é um bom meio de vida para quem é ladrão e mentiroso. Para quem é do bem e honesto é uma tarefa difícil de sempre nadar contra a corrente todos os dias", disse, negando que vá desistir da política.

"Todas as pessoas dignas que estão na política pensam em deixar. É natural. Mas, não vou dar este gosto aos meus adversários políticos. Não vou dar a eles esta dupla vitória. A gente tem que pensar no papel que a gente cumpre na sociedade".

Em feiras no interior de Alagoas, onde aparecia para distribuir santinhos, era acompanhada por jagunços de prefeitos e vereadores. Na capital, o prestígio de Lula "demonizou" Heloísa. Chegou a ser hostilizada em alguns lugares. Não fala do assunto. Derrotada, fica mais dois anos na Câmara. Ela é oposição ao prefeito Cícero Almeida (PP), apesar de evitar críticas a administração dele.

Em 2003 era senadora pelo PT. Por críticas a Lula e a política econômica, foi expulsa do partido. Com ex-petistas fundou o Psol. Em Alagoas, o partido tem, além de Heloísa, o vereador Ricardo Barbosa, que era candidato a deputado estadual. Ele também perdeu a eleição.

Fonte: Terra

PS.Não consegui entender aqui do Rio Grande do Sul, como uma pessoa da estirpe de Heloísa Helena não conseguiu se eleger. 
Realmente esse governo é insano, o Lula pedindo votos para o Renan Calheiros é de doer e falam que o pior está por vir.

08/09/2010

Eleições - A igreja não reflete e tem que correr contra o tempo




Cada um dos temas deveria ser discutido com as comunidades entre os períodos eleitorais para evitar que chegada às vésperas de eleições estes apelos fossem desnecessários e cada pela sua consciência decidisse seu posicionamento embasado na ética, justiça e fé.

Porém a realidade como mostra o vídeo é que as comunidades se fecharam em si mesmas, olham somente para o seu umbigo e quando muito "declaram profeticamente que esta nação é do Senhor Jesus".

Santa ingenuidade diria o Robin ao Batman, pois nossa sociedade precisa que a povo que se chama de filhos de Deus manifestem com obras os valores que diz que acredita e comecem a exercer seu chamado profético de ser luz no meio de uma geração corrupta.

Portanto não é somente no voto (ele é muito importante) mas a participação em todas as esferas públicas como manifestação de espiritualidade, bondade, misericórdia e amor, chamando a tudo e a todos ao arrependimento tornariam o voto apenas a expressão daquilo que já se é e não uma tentativa de expressar preocupação por uma realidade que se nega na própria existência tal como o avestruz que esconde a cabeça em um buraco achando que assim está seguro das manifestações e influências externas. Assim é a maior parte daqueles que se chamam igreja de Jesus no Brasil.





PS. meu voto consciente se decidiu muito antes das candidaturas serem homologadas.

01/09/2010

Deus (também) é Brasileiro!


O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Nossa tragédia é que não temos o mínimo de auto-estima. - Nelson Rodrigues



Já há bastante tempo percebo que em meu coração vem brotando algo que esta relacionado à minha identidade como Cristão, mas especificamente como um cristão brasileiro. Desde muito cedo em nossa vivencia religiosa somos condicionados a ouvir, ler, e como músicos tocar em nossas igrejas, materiais que não são produzidos no Brasil. grande maioria destes materiais foram produzidos fora de nosso país, mas especificamente nos estados unidos. E com uma utilização contínua destes materiais passamos a adaptar à nossa cultura, uma litúrgia “gringa”, que na verdade, não tem relação com o dia a dia de nosso povo.

É comum hoje em nossas Igrejas cantarmos traduções de grupos estrangeiros como Hillsong, hossana Music, Vineyard, entre outros, que não deixam de ser grupos que expressam com qualidade e beleza as suas canções, mas fica sempre em meu coração uma pergunta; Onde esta o espaço garantido em nossa liturgia brasileira para os nossos salmistas e poetas com cheiro e jeito de Brasil. Sinto em muitas reuniões que visito, que em meio ao período de musica sou descaradamente transportado para outra cultura, e no momento da reflexão ouço vozes de gente que não sabe a realidade e a dor do dia a dia de nosso povo. Já cansei de Ver púlpitos inspirados por “profetas” que falam uma linguagem de outro povo que não é o meu, e ver igrejas cheias de cantores que cantam uma música que não é a nossa, e sempre fica a pergunta; em que país será que estou?

Às vezes me parece que nós criamos um tipo de rejeição contra nossa própia identidade, e loucamente demonizamos as coisas que são nossas, o nosso sangue, a nossa raiz. Mas em parte sei que isso não é uma culpa estritamente nossa, somos ensinados assim e por gente que assim aprendeu, pessoas estas vitimadas por este evangelho com identidade colonialista. Se tiveres dúvidas vide o “cantor cristão” ou a “Harpa Cristã”, e veja se lá dentro vais encontrar algum brasileiro perdido?

É comum encontrar quando buscamos em algum material evangélico, mais especificamente DVDs cristãos produzidos fora do País, os grupos estrangeiros tratar como ápice emocional da produção, o adicionar um coral de “índios”, “africanos” ou “órfãos” para cantar. Este tipo de imagem nos passa a idéia de que este evangelho elitizado produzido “lá” também pode ser compreendido pelos Bichinhos de estimação de “cá”, ou em qualquer outra nação a ser vulgarizada. Não quero produzir uma sensação de revolta ou um “anti-americanismo”, coisas que considero ridículas também, mas desejo que entenda e possa ter estas percepções, de que este perfil de evangelho e religiosidade esta em total desconexão com nossa identidade, contrariando o que somos.

Creio que se fosse à vontade de Deus de que nossa liturgia fosse refém de outra, Ele teria provido que o Brasil fosse colônia de algum pais Europeu, ou até dos EUA. Mas não, ele permitiu a nossa nação ter sua própria identidade, a sua cara, forma e jeito de ser. Estas que são características únicas, este multicolorido que nos torna uma nação única no mundo. Gosto de pensar no Céu multiforme, multicolorido, multimusical, multicultural, onde há espaços para todos, cada um do seu jeito e da sua forma, com sua alegria e emoção, mostrando pro Pai a beleza do que ele criou, explicando o porquê todas as flores do mundo não são amarelas, mostrando que nosso Deus é colorido.

É tempo de refletirmos e encontrarmos a nossa identidade, resgatar esta brasilidade Linda, aprendendo que o rock não é do diabo e nem samba também. Parar de ser “cover” e assumir esta identidade, seja como “músicos ou pastores”, a de que estamos nesta nação para sermos Brasileiros, e o Melhor brasileiros Cristãos de chinelo havaiana e tudo. Por fim o que quero inspirar você, não é rejeitar o que “eles” nossos irmãos estrangeiros são, e sim aceitar e amar o que nós somos.

Para finalizar meu texto quero deixar para você meditar, esta canção do Luis Arcanjo, que para mim tem resumido muito o que estou sentindo estes dias.


Samba pra Deus - (Luis Arcanjo)


Ah, Quando eu era menino eu quis
Quis cantar samba pra Deus ouvir
Mas alguém cruel me disse que
Deus não gostava e ai
o meu coração menino chorou
e o que eu vou cantar pro meu Senhor
Se meu samba é meu melhor
Me senti frustrado, triste e só

Chorei escondido e enquanto escondido insistia
Cantando pra Deus e batendo na lata vazia
Eu não saberia explicar a ceeteza que vinha
Que Deus lá do alto ouvia, gostava e sorria

Ah, deixa eu cantar do jeito meu
e se eu dançar vai ser pra Deus
Só pode dizer o que é isso alguém que sentiu
Deus ouve além de uma canção
Sabe o que vem do coração
O que há de errado em cantar um som do Brasil?



Um grande Abraço e meus desejos de Bem e Paz
Leandro Barbosa





Fonte: Emeurgência, via Genizah



Nos anos 80 (para quem lembra) o Grupo Novo Alvorecer lançou o LP Sentinela onde tinha uma canção "Tropical" de autoria do genial Daniel Vieira Ramos Filho, também denunciava a falta de um som genuinamente brasileiro abafado por tendências estrangeiras.
" Louvar condicionado à uma tradição
Reluta o ser livre radicado no cristão..."
O que diga-se de pasagem não mudou muito conforme denuncia o amigo Leandro Barbosa.

Segue a Letra de Tropical

Tropical

A Saga dessa Terra faz parte do meu Corpo
Não venha fazer pouco da minha inspiração
Meu coração latino recente quando o hino
Fala de Um Deus que nunca esteve no Sertão


[refrão]

Tropical,tropical,tropical...
Tão isolado meu problema no quintal
O meu consolo é ter um Deus universal
Fez a Caatinga como qualquer vegetal
A Sua imagem eu fui feito um ser igual...


Louvar condicionado à uma tradição
Reluta o ser livre radicado no cristão
Meu coração sincero recente pois só quero
Chegar perante Deus bem do jeito que eu sou...






17/08/2010

Mosab Hassan Yousef - O Filho do Hamas

Filho de um dos fundadores do Hamas fala sobre conflito entre Israel e Palestina e de sua conversão a Cristo.






FILHO DO HAMAS


Mosab Hassan Yousef

A HISTÓRIA REAL DE UM FILHO DO HAMAS QUE SE TORNOU ESPIÃO ISRAELENSE, SE CONVERTEU AO CRISTIANISMO E AJUDOU A COMBATER UMA DAS MAIORES ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS DO MUNDO.


Desde a infância, Mosab Hassan Yousef viveu nos bastidores do grupo fundamentalista islâmico Hamas e testemunhou as manobras políticas e militares que contribuíram para acirrar a sangrenta disputa no Oriente Médio. Por ser o filho mais velho do xeique Hassan Yousef, um dos fundadores da organização, todos acreditavam que ele seguiria os passos do pai.

Às vésperas de completar 18 anos, movido pela raiva e pelo desejo de vingança, Mosab decide assumir um papel mais ativo no combate a seus opressores e acaba sendo preso e levado para o mais terrível centro de interrogatórios israelense.

Depois de dias sob tortura, ele recebe uma proposta do Shin Bet, o serviço de inteligência interno de Israel: sua liberdade em troca da colaboração para identificar os líderes do Hamas responsáveis por ataques terroristas. A princípio, considera a oferta absurda. Afinal, como poderia trair sua religião e seu povo e ajudar seus inimigos?

Filho do Hamas é o relato impressionante do caminho inesperado que Mosab resolve seguir ao questionar o sentido de um conflito que só traz sofrimento para os inocentes, sejam eles palestinos ou israelenses.

No livro, ele revela como se tornou espião do Shin Bet, narra passagens da vida dupla que levou durante 10 anos e fala das escolhas arriscadas que fez para conter a violência de uma das organizações terroristas mais perigosas do mundo.

Esta é também uma história de transformação pessoal, uma jornada de redescoberta espiritual que começa com a participação de Mosab num grupo de estudos bíblicos e culmina na sua conversão ao cristianismo e na crença de que “amar seus inimigos” é o único caminho para a paz no Oriente Médio.

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"Há mais de cinco décadas, a paz no Oriente Médio tem sido o Santo Graal de diplomatas, primeiros-ministros e presidentes. Os novos rostos que surgem no cenário mundial acreditam ser capazes de resolver o conflito árabe-israelense. No entanto, todos fracassam por completo, como seus predecessores.

O fato é que poucos ocidentais conseguem entender as complexidades dessa região e de seu povo. Porém eu consigo, em razão de uma perspectiva totalmente singular: sou fruto dessa região e desse conflito. Sou filho do Islã e de um homem acusado de terrorismo. Mas também sou um seguidor de Jesus.

Antes de completar 21 anos, vi coisas que ninguém deveria ver: pobreza abjeta, abuso de poder, tortura e morte. Testemunhei dos bastidores as negociações de líderes supremos do Oriente Médio que são manchete nos jornais de todo o mundo. Desfrutei da confiança dos mais altos escalões do Hamas e participei da Primeira Intifada. Fui preso e fiquei encarcerado nas entranhas da mais temida prisão de Israel. E, como você ficará sabendo, fiz escolhas que me tornaram um traidor aos olhos do povo que amo.

Essa jornada improvável me fez passar por lugares obscuros e me deu acesso a segredos extraordinários. Nas páginas deste livro, finalmente revelo alguns desses antigos segredos, expondo fatos e processos que, até agora, eram do conhecimento de poucas pessoas misteriosas.

A revelação dessas verdades provavelmente propagará ondas de choque em certas regiões do Oriente Médio, mas espero que também traga conforto às famílias de muitas vítimas desse conflito interminável e as ajude a pôr um ponto final em seu sofrimento."


MOSAB HASSAN YOUSEF

O traidor do Hamas

14 de maio de 2010


Por Duda Teixeira

Em 1987, o xeque palestino Hassan Yousef foi um dos sete fundadores do Hamas, grupo extremista islâmico que atua na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Os radicais da organização já comandaram 350 atentados contra israelenses provocando mais de 500 mortes. Seu filho, Mosab Hassan Yousef, 32 anos, é o autor do livro Filho do Hamas (Sextante), que chegou às livrarias brasileiras na semana passada. Na obra, revela como colaborou para o serviço secreto israelense, o Shin Bet, e explica por que converteu-se ao cristianismo. Yousef conversou com o repórter Duda Teixeira, pelo telefone, de Nova York.

Seu pai é um imã. Ele pregava o Islamismo nas mesquitas e ajudou a fundar o Hamas. O que o levou a converter-se ao Cristianismo?
Depois de ser preso pelos soldados israelenses por porte de armas, em 1996, fui levado à prisão em Megiddo, Israel. Dentro do prédio, os detentos eram divididos segundo a filiação. Havia a ala do Hamas, que era a maior, a do Fatah, a da Jihad Islâmica e outras. Eu fiquei na do Hamas. Do interior das celas, testemunhei o que os integrantes do grupo faziam com seus próprios colegas. Quando os líderes do Hamas suspeitavam que um dos nossos estivesse dando informações aos israelenses, eles o torturavam. Havia interrogatórios diários. Isso fez com que eu repensasse alguns conceitos. Era um grau de brutalidade que nem mesmo os israelenses tinham conosco. Saí da prisão um pouco desnorteado. Mais tarde, comecei a estudar a Bíblia com amigos. O livro falava em “amar os seus inimigos”, o que fez todo sentido para mim.


Quem eram os torturadores? Como eles procediam?
 Eram os homens que integram o braço de segurança do Hamas. Quando iam punir alguém, esvaziavam uma cela e ligavam a televisão em volume bem alto para que os outros não ouvissem os gritos de desespero. Na falta de uma televisão ou rádio, começavam a rezar bem alto. Então, colocavam agulhas embaixo das unhas dos suspeitos. Derretiam embalagens plásticas e as colocavam sob a pele das pessoas. Queimavam cabelos e pelos. Eram sessões de aproximadamente meia hora. Às vezes, impediam o interrogado de dormir por vários dias. Entre 1993 e 1996, dezesseis pessoas foram mortas pelo Hamas em prisões israelenses. Sob tortura, as vítimas confessavam as coisas mais absurdas. Como eu digitava rápido, fui chamado para redigir muitos desses depoimentos. Era loucura. Depois, entregavam as confissões para os familiares. Caso o detento fosse solto, seus parentes e amigos passavam a evitá-lo. A vida social dele acabava.

O Hamas continua usando as mesmas práticas?
Provavelmente, mas não na mesma intensidade como no passado. Meu pai esteve detido em Megiddo e coibiu muito as torturas. Ele mudou o jeito de pensar daqueles homens. Mas o Hamas continua praticando-as. Quando pensam que alguém colabora com Israel, torturam e matam. É isso o que está acontecendo na Faixa de Gaza agora. Ao contrário do que diz o Hamas, Israel não é o principal inimigo dos palestinos, e sim os próprios palestinos.


Um dos principais desafios do mundo hoje é conseguir que o Hamas participe das negociações de paz. Existe a possibilidade de o grupo sentar-se com os rivais do Fatah e com o governo de Israel para conversar?
Os líderes do Hamas até podem dizer que buscam uma solução e dizer que abrem mão de Jerusalém como capital. Mas eles não manterão a palavra simplesmente porque o Deus deles não permite isso. É um bloqueio religioso. O Hamas não reconhece Israel. Ponto. O Corão diz que os israelenses são macacos e porcos. Toda vez que algum representante do grupo obtem algum progresso, esbarram no muro da ideologia ou no da religião.

O governo israelense deveria soltar prisioneiros palestinos em troca da liberdade do soldado Gilad Shalit, capturado pelo Hamas em 2006?
Entendo que todos esses presos necessitem de liberdade. Eu fui um deles e sei o quanto sofrem. Mas é preciso preparar o ambiente para que eles sejam soltos. Sem isso, eles poderiam ser mortos nas ruas por facções rivais ou tornarem-se terroristas novamente. Alguns detentos não são perigosos e poderiam se tornar até defensores da paz. Outros são extremamente cruéis. Foram responsáveis pela morte de dezenas de israelenses e consideram-se heróis. Se voltassem a praticar o que faziam, eles comprometeriam as negociações de paz e o sonho de um estado palestino. Olhando o cenário hoje, vejo que não chegou o momento de abrir as celas. Talvez tenham de ficar a vida toda na prisão. Não me sinto culpado por esse sentimento. Sinto pelas suas famílias, que são vítimas da situação, mas não há opção.

Israel viola os direitos humanos ao manter pessoas que não são comprovadamente terroristas nas prisões? Diga para mim qual é o governo que não viola os direitos humanos. Não há estado perfeito. Todo governo comete erros. Israel é um deles. A questão é que muitos israelenses foram mortos em sinagogas, em ônibus e em supermercados e seus dirigentes tiveram de tomar medidas para defender seus cidadãos. O mais importante é abster-se de usar métodos violentos, pois isso só gera mais violência. Quando trabalhei com o Shin Bet, não assassinei ninguém e não participei de nenhuma operação contra a vida de um ser humano. Hoje, mesmo longe, dou a mesma recomendação para eles.

Quantas vidas você calcula que salvou ao ajudar o Shin Bet?
Como você fazia isso?
Não importa se eu salvei uma ou mil pessoas. Eu não tenho esperança de receber retribuições de ninguém. Uma vez, em 2002, eu estava em casa, em Ramallah, quando dois homens assustados bateram na minha porta e falaram: “Temos um carro lá fora cheio de explosivos. Precisamos de um lugar seguro para ficar”. Eles procuravam o meu pai e havia outros três no carro, estacionado ali perto. Dei um dinheiro a eles encontrarem um hotel e pedi que retornassem à noite. Rapidamente, telefonei para o Shin Bet e pedi que levassem o automóvel embora. Foi um alívio enorme. Meia hora depois, o primeiro-ministro Ariel Sharon já tinha ordenado o assassinato daqueles cinco homens. Eu, então, fui contra. Não queria me envolver com coisas assim, mesmo sendo eles terroristas. E os israelenses aceitaram minha objeção. O exército então entrou no quarto dos terroristas durante a noite e os prendeu de surpresa, pois ainda possuíam os cintos com explosivos.

Mas você deu informações que levaram à tentativa de assassinato de Muhaned Abu Halawa, de 23 anos, ligado ao Fatah. Após um telefonema seu, um tanque israelense disparou um míssil contra o carro dele. Halawa escapou, mas foi morto meses depois. Você se arrepende disso?
 Halawa fornecia armas poderosas para os terroristas. Eu apenas ajudei a localizá-lo. Mas a tentativa falhou, e fiquei contente quando isso aconteceu. Na realidade, eu não estava muito certo sobre o que deveria fazer naquela ocasião. Ao final, Halawa foi morto em outra operação, da qual não tomei parte. Então, posso dizer que, durante toda minha colaboração com o Shin Bet, sempre me preocupei em apenas participar de operações que não atentassem contra a vida humana. Não sou responsável pela morte de nenhum palestino ou israelense.

Quando foi a última vez que você falou com seu pai?
O que ele disse para você? Conversei com ele por telefone alguns dias antes do lançamento do meu livro. Ele foi muito compreensivo no início. Porém, após a pressão da sociedade e de outros religiosos, ele não teve outra opção a não ser me recusar. Desde então, não fala comigo.


Seu pai convocou manifestações de palestinos, as quais resultaram em mortes de israelenses e árabes. Ele é um terrorista?
Meu pai não é terrorista por natureza. Aliás, nenhum palestino é. Mas eles têm as suas razões para se comportar assim, para tentarem se vingar. Também é preciso levar em conta que o Hamas também é muito complicado. Existe o braço político, do qual meu pai faz parte. E existe o militar, que tem umas dez pessoas operando independentemente e que raramente se encontram. São esses últimos os responsáveis pelos ataques contra pessoas. Meu pai não sabia o que essas pessoas planejavam, mas deu cobertura a eles. Se ele continuar fazendo isso, aí acho que ele poderia, sim, ser considerado um terrorista.

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad declarou que suas centrífugas já são capazes de enriquecer urânio a 20%. Se chegar a 90%, esse material já poderia rechear uma bomba atômica. O que o Irã faria com um artefato nuclear?
O deus do Corão não hesitaria em bombardear qualquer país que não acreditasse nele. Pode usar qualquer arma para lutar contra infiéis. Seus devotos estão prontos para lutar pela religião e alcançar a glória, com a bomba ou o que mais tiverem è mão.

De que maneira o Irã ajuda o Hamas?
O Irã treina soldados do Hamas e os prepara para o combate em seu território. Muitos viajaram para lá em anos recentes. E o Irã também dá apoio financeiro e logístico. Como os membros do Hamas não podem ter contas bancárias, pois isso é contra as decisões da comunidade internacional, seus membros fazem contrabando de dinheiro. Essa operação complicada ocorre de duas maneiras. A primeira é usando as centenas de túneis que ligam a Faixa de Gaza ao Egito. A segunda é pela fronteira terrestre nesse mesmo local, aproveitando as viagens de membros do grupo para o exterior. Em 2006, o primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniya, foi pego quando tentava entrar na Faixa de Gaza com 35 milhões de dólares. Ele vinha do Irã e disse que o valor era para pagar salários, remédios e armamentos. É comum que esses homens do Hamas sejam detidos com dinheiro. Em 2009, o ministro de relações exteriores do Hamas, Mahmoud Zahar, foi flagrado com vinte milhões de dólares na mesma situação. Segundo o Fatah, parte das notas tinha como destino o braço militar do Hamas.

Sem esse apoio do Irã, o Hamas ficaria enfraquecido?
O Irã é um dos grandes patrocinadores dos terroristas, mas não o único. Há muitos doadores no Catar, na Arábia Saudita, na Síria e no Egito. São, em geral, pessoas e empresas que entregam parte de suas economias em mesquitas, com o objetivo claro de fomentar a resistência do Hamas. Bloquear a ajuda iraniana pode ajudar, mas não necessariamente enfraquecerá o Hamas.

Como o presidente da Organização para a Libertação da Palestina, Yasser Arafat assinou com o primeiro primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, o Acordo de Paz de Oslo, o que lhe valeu o prêmio Nobel da Paz em 1994. Qual sua opinião sobre ele?
Arafat era um político e, como tal, fez coisas boas e ruins para o seu povo. Era um centralizador que colocou o seu nome em todas as contas bancárias. Também tinha um posicionamento dúbio. Arafat estava no comando da Organização da Libertação da Palestina, quando esse entidade ordenou a Segunda Intifada, em 2000. A revolta de palestinos contra israelenses gerou milhares de mortos. A guarda pessoal de Arafat promoveu os mais virulentos ataques a Israel, sob o nome de Brigadas dos Mártires de Al Aqsa. O grupo foi criado por Arafat com o dinheiro que recebia de doações de outros países, incluindo dos Estados Unidos. Mesmo assim, para muita gente no mundo, Arafat sempre foi um grande promotor da paz.

Agora que você se converteu ao cristianismo, como enxerga as diferenças entre o Corão e a Bíblia?

 Não é justo comparar os dois livros. O Corão está cheio de ódio, de ignorância, de erros. Não tem ética. É um livro doente que deveria ser banido das escolas, das bibliotecas, das mesquitas. A Bíblia, por outro lado, tem Jesus Cristo, que foi perseguido, torturado, e mesmo assim continuou amando as pessoas e seus opressores. Os dois livros têm deuses completamente diferentes. Um, o do Islã, é o do ódio. O deus da Bíblia é o do amor. Muitas coisas que fiz durante o meu trabalho com o Shin Bet foram inspiradas pelos ensinamentos de Jesus Cristo. Tenho um amor incondicional por ele. Cristo é o meu herói.


Mas a Bíblia também foi usada para justificar torturas e mortes durante a Inquisição, por exemplo. Ok... Mas essas coisas foram feitas por pessoas que não entenderam a principal mensagem da Bíblia. Não compreenderam as falas de Jesus Cristo, que é o nosso maior exemplo. O amor incondicional de Jesus não é um capítulo separado do livro, mas sua principal mensagem.


Você não teme promover o ódio entre religiões e se tornar um fundamentalista cristão? Eu sei quais são as minhas responsabilidades. Não quero promover uma rixa entre religiões. Eu amo os muçulmanos. Falo com eles com carinho. Mas preciso ajudar a consertar a religião deles. Ser forte e dizer a verdade, mesmo que isso possa causar confrontações. No mais, não há o risco de eu incitar uma guerra religiosa porque isso já acontece no Oriente Médio. Não seria algo novo.


Editora Sextante


ISBN: 9788575425619

Páginas: 288
Formato: 14 x 21 cm

Brochura

Preço: R$ 29,90

Solicite o 1º Capítulo através do e-mail:

momentodolivro@yahoo.com.br

Fonte: Momento do Livro

10/08/2010

A Nova Reforma Protestante

 

Matéria publicada no dia 9 de agosto de 2010

Inspirado no cristianismo primitivo e conectado à internet, um grupo crescente de religiosos critica a corrupção neopentecostal e tenta recriar o protestantismo à brasileira.
Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.

                                                                                  

Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

O cirurgião Irani Rosique (sentado, de camisa branca, com a Bíblia aberta no colo). Sem cargo de clérigo, ele mobiliza 2.500 pessoas no interior de Rondônia

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.

Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade” (leia o quadro abaixo). Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.



Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”


Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”

Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”

Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis. Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de border=0>recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste (foto ao lado), pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”

Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores ”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”

Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus(Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.

Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.

Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.

O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”

A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”

Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”

O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis (lembre AQUI) condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.

Sites como Pavablog, Veshame Gospel, Irmãos.com, Púlpito Cristão, Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.


A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”

Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.

A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.

O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”

A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.

Fonte: Revista Época