18/07/2008

(Não* Faz parte do meu show



Querida Ana Paula,


“Aquilo que a memória amou fica eterno”, compôs a poeta Adélia Prado. Perscruto os escaninhos da memória e descubro meu sobrinho mal sabendo falar, mas já cantando “Se tu olhares, Senhor, pra dentro de mim”. Alguns anos se passaram e a voz do Henrique continua doce e infantil. Ao olhar para sua trajetória no período, as mudanças foram bem mais sensíveis e um tanto esquisitas, Ana. Pode seguir a tua estrela. O teu brinquedo de 'star'.


Fui um dos primeiros blogueiros a divulgar sua performance leonina em Anápolis (GO). Como apregoa o jornalismo sadio, escrevi para os amigos do Diante do Trono a fim de abrir espaço para uma eventual manifestação sua. Eles me agradeceram com a costumeira fidalguia e fizeram chegar a você a informação. Sem obter qualquer tipo de resposta, postei o vídeo. Não me arrependi, como aconteceu com outro rapaz. Até hoje o fogo da discussão permanece aceso e mesmo seus fãs mais entusiasmados coram ao relembrar a cena patética.


Pra que usar de tanta educação. Pra destilar terceiras intenções. Seu silêncio sobre o assunto durou cerca de seis meses. Em meio a uma logorréia nonsense, você creditou a Deus a responsabilidade da patacoada. Infelizmente, os resultados mostraram que o animal da tal unção estava mais para hiena do que leão, tal o nível das piadas e deboches que se seguiram.


Fiz outras visitas ao seu blog e cada dia me assustava mais com o que lia. Até mesmo atos prosaicos como escolher uma roupa eram atribuídos ao Espírito “fashion” Santo. O cinto preto largo representava autoridade e botas pretas transmitiriam “força, poder, autoridade e conforto necessário para pular e pisar com força, profeticamente, na cabeça do diabo”. Examinei meu guarda-roupa e, decepcionado, nada encontrei de “profético”. Inspirado por seus delírios, imaginei os pastores da Universal vestidos de caubóis nas sessões de descarrego. Aiôôô... Espora no capiroto, irmãos! Pequenas poções de ilusão.


Congresso do Diante do Trono. Litros de chororô e muito siri-canta-na-lagoa, perdão, na Lagoinha. Aliás, ainda não consegui entender o porquê de tantas palavras estranhas em línguas (a ordem pouco importa, no caso) nos eventos públicos. Se contrariar a instrução paulina sobre esse assunto fosse estratagema eficaz, dona Sonia Hernandes estaria livremente batendo suas canelas episcopais em solo verde-amarelo. E sem a tornozeleira com GPS. Quem sabe eu ainda sou uma garotinha...


“Os teatros serão fechadas para peças evangelísticas... O Senhor fará novelas para o povo brasileiro... Cairá todo meio de comunicação que não glorifica o Senhor...” Socorro, Ana Paula! Isso foi ato profético ou visão de um dos círculos do Inferno de Dante? Tô cansado de tanta caretice, tanta babaquice. Desta eterna falta do que falar. Deus nos livre de Racine, Beckett e Molière serem substituídos pela trupe gospel. Proscênio não é picadeiro, com todo respeito aos artistas circenses.


Soube que rolou também a tal “unção do chulé”. Em vez de incentivar o serviço humilde, o ato foi criativamente entremeado por afirmações de que você e seu irmão seriam “curados” das críticas. No final da mis-en-scène burlesca, a água do “rio de Deus” foi jogada sobre os espectadores. Bobeira é não viver a realidade.


Infelizmente, o espaço nobre de que disponho aqui é inversamente proporcional à sua capacidade de protagonizar episódios bizarros. Você explicou que apareceu num programa brega de óculos escuros por causa de conjuntivite. Pela sucessão de “causos”, suponho que seja miopia crônica mesmo. Vide o lance da morte do fundador do Bloco Galo da Madrugada. Temo pelo futuro das reuniões de oração no país se você continuar a repetir que essas sandices são resultado de intercessão. O que me anima é ver o número crescente de pessoas discutindo bereanamente cada uma dessas ocorrências. Estamos meu bem por um triz pro dia nascer feliz.


Que Deus reavive em você o desejo de receber um “novo coração”. Quem teve a graça de ser aquinhoada com muitos talentos será intensamente cobrada, não é? Isso me motiva a interceder para que não se realizem em sua vida outros versos do poeta Agenor: O seu futuro é duvidoso; eu vejo grana, eu vejo dor. Minhas palavras podem parecer histriônicas, mas é genuíno meu desejo de ver águas purificadoras (ainda mais que as do Lete) banhando ministérios de música em todo o país, Ana. Tenho investido minha vida nesse intento, por isso jamais vou me calar, querida. Amando eu me acalmo e me desespero.


Big abraço


PS.: As preferências musicais do Henrique mudaram bastante. Hoje ele curte Akon, Boyz II Men e Queen. Prometi um CD do Cazuza para o espertíssimo garoto. =]
Fonte Site Cristinismo Criativo
Quem me dera ter a lucidez do Pavarini, belo texto onde expressa também minhas espectativas, pois um trabalho que tem a abrangência do DT, não deveria se expor ao ridículo e nem justificar sua esquisitices como uma ordem de Jesus.
Que o Verdadeiro Espírito de Deus os conduza a lucidez e ao Caminho do Evangelho de Jesus.
Valeu Pava
Claudio


29/06/2008

MILAGRES, SENTIDO E CONSCIÊNCIA






Gosto muito de ler os textos de Elienai Cabral Jr. , se destacam por uma inconformidade propositiva
Este não é diferente, me deixou inquieto, até mesmo porque tenho dito aos que tenho oportunidade de dialogar que as práticas cristãs precisam ter um sentido, vejo tantas coisas sendo feitas sem um sentido bíblico e sem a consciência e a lucidez exemplificadas pela vida de Jesus.
Me lembro de uma canção do Padre Zezinho que se não me falha a memória dizia " Jesus Cristo me deixou inquieto com o seu jeito de falar" . Sinto uma inquietude não somente pelas palavras do meu Salvador, mas também por não ver pessoas inquietas, de assimilarem sem refletir a forma e a performa da religião cristã.
Confesso que li e reli este texto, veio como um fio de esperançã. Refleti e creio que é tempo de diálogo, de rever a caminhada histórica do Corpo de Cristo, e de fazer do amor a alavanca de todo o sentido de nossas propostas de ação.
Boa leitura
Claudinho
MILAGRES, SENTIDO E CONSCIÊNCIA


Elienai Cabral Junior


Ninguém discorda de que estamos experimentando um tempo de angustiante desconstrução na teologia da Betesda. Continuo acreditando que os sentidos dessa desconstrução já vinham sendo apontados há muito tempo. O que não tínhamos era a maturação desses sentidos para fazer as perguntas necessárias e sugerir algumas respostas.

Creio que ninguém nunca inventa um sentido. Nunca surge um sentido até então inédito e impensável. O que há é o ponto de maturação de sentidos que nos puxam há muito tempo. Nesses pontos de maturação da nossa história, idéias consideradas estranhas, mesmo que ponderáveis, são testadas pelo tempo e as experiências. Se não se diluem, são adensadas, agravadas, ganham sobrevida e, se sobrevivem, agregam força de persuasão e plausibilidade. Se não sobrevivem, são esquecidas como um delírio infantil. Caso resistam, ganham força gravitacional, o poder da coerência de nos puxar para dentro de um sentido. Puxam-nos com a força da consciência de algo que mostra real.

Quem resiste, sem enlouquecer, a algo que lhe pareceu real? Só despreza algo novo que faz sentido e ama o que se mostra injustificável quem esquizofrenizou. Em outras palavras, se eu sei que uma idéia esgotou seu sentido e que outra idéia indica um mundo de sentidos novos, basta um pouco de coragem para acolher mudanças, propor novas lógicas e chegar a algumas conclusões.

Portanto, o que chamamos aqui de desconstrução não é uma demolição fortuita e muito menos arbitrária. Também não pode ser confundida com um arroubo irresponsável de novas idéias. Nossa experiência de desconstrução é o enfrentamento corajoso das implicações desses sentidos que há muito nos puxam. Sim, somos puxados pelos sentidos apontados pela história. Não confundam isso com nenhum novo determinismo. Mas entendam o “ser puxados” como uma consciência histórica, como a escolha pelo que salta aos olhos. Toda consciência é construída pela história. À medida que vivemos e refletimos o que vivemos, coletivamente, acolhemos o que faz e repelimos o que deixa de fazer. As individualidades interagem, mas, preciso frisar, a consciência é sempre coletiva. Sinto que esse é o momento que vivenciamos, o do surgimento de uma nova consciência.

Mesmo sendo coletiva a experiência de surgimento de nova consciência, cada um caminha no ritmo em que discerne a (sua) história. Por isso também escolhi a palavra maturação. Porque se trata de um processo que não pertence inteiramente à pessoa que o experimenta. Ninguém possui em sua livre iniciativa todo o movimento de abertura para uma nova lógica.

Além da boa vontade, da coragem, do despojamento, da sinceridade, de um alargamento de horizonte, há também elementos que não dependem apenas de vontade pessoal. Outras experiências escapam ao indivíduo, como as decepções sofridas com as explicações convencionais, uma vivência cultural e comunitária com o esgotamento de modelos antigos e a demanda por novos modelos que melhor respondam às expectativas. Além, é claro, de elementos subjetivos e psíquicos: alguns tendem à resignação, foram adestrados em sua formação pessoal a adiarem conflitos. Outros são inquietos e ávidos por enfrentar as novas questões que surgem e imediatamente propor novas respostas. Enquanto alguns experimentam inquietações e desencantos típicos de sua idade ou experiência de vida, outros tendem a um olhar idealista, apaixonado e otimista para a vida, também, mas não somente, em função de sua idade emocional.

Há tantas variantes quantas individualidades envolvidas no desenvolvimento da cosmovisão de uma comunidade. Logo, falamos de uma experiência marcada necessariamente pelo conflito e assimetria. É neste ponto que nossas fantasias de unidade e nossa obsessão por simetria institucional atrapalham. Nenhuma comunidade desenvolve sua cosmovisão com integridade e liberdade sem abrir mão da hegemonia e do espírito de manada.

O fato, no entanto, de falarmos de assimetria na formação de uma nova consciência não pode ser entendido como uma experiência desencontrada e anárquica. Novamente, falamos de uma consciência histórica, logo, de um fenômeno que a todos abarca. Senão, qualquer proponente de novas idéias sequer seria entendido, sendo confundido com um lunático. Como são, talvez, os líderes das chamadas seitas messiânicas que já tantas tragédias causaram na história recente do mundo.

Se uma nova idéia provoca amplo debate, atrai novos pensadores, agrega indivíduos não pessoalmente envolvidos e nem participantes de um mesmo segmento, como igreja, cidade, país ou religião é porque essa idéia é parte de uma nova consciência que nos puxa. Mesmo que a essa idéia sejam contrapostas ferozmente idéias conservadoras. Inclusive, o fato de representantes de idéias conservadoras, de antigas consciências, serem mobilizados e agirem com violência intelectual apenas confirma que as novas idéias nem são invenções, nem delírios, nem idéias absurdas. Ao contrário, talvez porque façam todo sentido e terminem por ameaçar a sobrevida de antigas consciências, sejam tão fortemente combatidas.

Minha primeira sugestão é de uma desistência acompanhada por uma aceitação. Precisamos desistir de um debate monofônico. Nossas conversas serão marcadas pela polifonia de idéias. Haverá tons distintos que precisaremos orquestrar se não quisermos desperdiçar a chance de construirmos com múltiplas percepções uma nova consciência. Mas também precisamos aceitar que temos bem mais em comum do que imaginamos. Por isso defendo que essa nova consciência sobre Deus, a Bíblia, a fé, a salvação, a oração, os milagres e todos os demais assuntos da vida cristã já se mostra nos sentidos que sempre nos puxaram.

Nessa altura do campeonato, os debates de idéias já criam grupos distintos. Cada um se forma em função da identidade de cada participante e dos preconceitos de muitos que acabam por catalogar e isolar os diferentes. É natural que os iguais se aproximem para melhor argumentar. Mas é lamentável que algumas pessoas isolem outras em categorias preconceituosas, tais como: os progressistas, os de esquerda, os conservadores, os fundamentalistas, os legalistas, os liberais e assim por diante. Catalogados pelos preconceitos, perderemos a condição de ampla conversa. Precisamos nos aproximar através das conclusões comuns a todos. Meu esforço inicial será o de intuir alguns desses elementos em comum.

Para tornar nossa conversa mais produtiva, escolho um tema que, segundo entendo, é bem mais que um assunto entre tantos. Milagres. Escolho-o por ver convergir nele nossas maiores tensões. Mas principalmente porque, como já indiquei, é um tema mais abrangente que um simples assunto. É um tema que nos remete ao todo do modo de ver Deus, a humanidade, a liberdade, o amor, a vida autêntica, o sofrimento, a ética e outros ainda. Talvez pudéssemos começar afirmando que o tema dos milagres é o centro nervoso da consciência humana.

Para a consciência religiosa tradicional, não apenas cristã, o debate a respeito dos milagres é o mais intenso. Nenhuma afirmação repercute mais que a aquela que checa a consistência do que acreditamos ser milagre. Nenhuma dúvida atormenta mais que aquela que questiona a expectativa por um milagre. Nenhuma negação afronta mais que aquela que abre mão da pertinência de um milagre. Por quê? Minha idéia é que a discussão sobre milagres é a discussão sobre um modo de viver. Uma cultura. Um modo de se colocar na vida. E um modo de vida é a cultura que desenvolvemos para nos sentirmos seguros diante da imprevisibilidade da história e das ameaças de um mundo que, com freqüência, se mostra hostil.

Basta aceitarmos o tipo de hipótese proposta por Jesus ao “jovem rico” (Mt 19.16-30) para entendermos a dificuldade de se lidar com mudanças de consciência. O jovem se aproxima como que puxado pelo anseio de algo novo, mas ainda desconhecido. Há uma questão: “Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?” Jesus o remete a um modelo que não consegue mais responder: “obedeça aos mandamentos.” A pergunta insiste com a confirmação de anseio por outras respostas diferentes das que carregou a vida toda: “A tudo isso tenho obedecido. O que me falta ainda?” Jesus respondeu com algo mais que uma proposta radical, um exercício de mudança de consciência: se quisesse ser perfeito, o jovem rico deveria vender tudo o que tinha, dar o dinheiro aos pobres para então segui-lo. Por um instante, ao menos, aquele jovem rico sentiu-se sem a segurança de todos os bens conquistados. Sentiu-se a mercê de um projeto de vida que abria mão da segurança das riquezas. Por um instante, Jesus deu ao jovem a oportunidade de imaginar-se sem o modo de vida com o qual construíra toda a sua história, de sentir-se participante de uma outra consciência.

O episódio se encerra com a força inibidora de qualquer mudança: a sensação de insegurança diante do desconhecido. Uma antiga cultura, mesmo que esgotada em sua pertinência, sustenta-se em sua capacidade de domar mentes inquietas com apelo do medo. Triste, o jovem partiu como chegou: perguntando-se pelo que ainda faltava, mas sem força para romper com um padrão sobre o qual firmou sua segurança existencial.

Importante foi a constatação feita por Jesus da gigante dificuldade de alguém redimensionar seu modo de vida: “é mais fácil um camelo entrar pelo fundo de uma agulha que um rico entrar no Reino de Deus”. A pergunta dos discípulos, que não eram ricos, nos diz que a questão não era apenas sobre riqueza, mas sobre abrir mão dos pontos de apoio para experimentar uma nova realidade: “neste caso, quem pode ser salvo?” Ou seja, ninguém, a princípio, está propício a abrir mão de sua cultura de segurança. A resposta de Jesus é o anúncio de esperança do Reino de Deus: “Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis”. A interpelação de Pedro reafirma que o que estava em questão não era ser rico ou ser pobre, mas a segurança em um mundo ameaçador: “Nós deixamos tudo para seguir-te! Que será de nós?”

Quando falamos de milagres estamos tratando sobre um modo de vida organizado para gerar segurança em um mundo que nos ameaça. Qualquer questionamento que levante a possibilidade de não esperar por milagres produz a mesma angústia que sentiu o jovem rico, a de ter todos os amparos construídos até então derrubados. O que parece inaceitável.

Mas até aqui apenas justifiquei os conflitos que estamos experimentando neste momento de surgimento de uma nova consciência. A pergunta a ser respondida é a que reúne os lugares comuns desta nova consciência na Betesda. Alguns prováveis acordos:

1. Não podemos duvidar do poder de Deus em realizar um milagre, muito menos de que milagres possam acontecer. Negar a possibilidade do milagre é negar a natureza de Deus, a dinâmica surpreendente da vida tanto quanto diversos depoimentos registrados na Bíblia. Nosso questionamento está sobre o posicionamento de Deus frente ao nosso anseio por milagres. Nossa questão seguinte é se devemos organizar nossa a vida a partir da expectativa de milagres. Mais ainda, se devemos nos empenhar pelo milagre ou fazer dele objeto de nossa oração.


2. Nem a quantidade, nem a qualidade de nossas orações estão relacionadas com a realização divina de um milagre. O Deus da graça nada faz em nosso favor porque somos mais ou menos convincentes, mas porque é misericordioso. A noção de que a intensidade da fé e o volume de oração e demais disciplinas devocionais podem nos aproximar da chance de um milagre se assemelha à lógica pagã de espiritualidade. Denúncia feita por Jesus no sermão da montanha. (Mt 6.7-- Relacionar milagre com desempenho esvazia o Deus bíblico de sua bondade, conhecimento e compaixão.


3. O milagre não é a solução divina para o problema do sofrimento humano. Se a solução para o sofrimento humano fosse o milagre, Deus deveria realizar todas as curas e livramentos que a dor humana reivindica. Se Jesus não curou todas as pessoas, ao contrário, seu ministério teve um alcance geográfico minúsculo: a galiléia, é porque sua resposta ao sofrimento humano não foram os milagres por ele realizados. Sua resposta ao sofrimento humano foi a solidariedade de Deus, que se fez idêntico e nos ensinou a viver com coragem e esperança. No pão partido e na carne sofrida. No vinho bebido e no sangue derramado. No prazer e na dor. Inteiramente solidário. Completamente imitável.

Se, portanto, os milagres realizados por Jesus não resolveram o problema do sofrimento humano, eles incorporaram uma mensagem. O que eles significaram importa mais do que o que eles desempenharam imediatamente. Nossa leitura dos evangelhos deve se empolgar menos com o poder demonstrado e muito mais com os valores indicados.


4. Os milagres na Bíblia nunca tiveram êxito em gerar amigos para Deus e nem pessoas melhores. Toda seqüência prodigiosa na Bíblia é seguida de decepção para Deus. É a história do Êxodo, os dez prodígios das pragas não endureceram apenas o coração de Faraó como também o do povo hebreu que continuou pronto a dar as costas a Deus e a Moisés a qualquer instante. É a história dos evangelhos. Onde estava a multidão de pessoas beneficiadas pelos milagres de Jesus no momento da crucificação? Por que os favorecidos pelos milagres não se tornaram os amigos mais fiéis de Jesus? Depois de todos os milagres, por que Jesus clama: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que depois de tantos milagres realizados Jesus morre solitário e questionável? A Bíblia não seria a história do fracasso dos milagres em promover a vida humana?


5. Jesus, nosso modelo de vida, em momento algum foi beneficiado pessoalmente por qualquer milagre. Para escapar das ameaças precisou se esconder como qualquer homem faria (Jo 8.59). Na tentação do deserto, recusou todas as insinuações para que buscasse um milagre que facilitasse sua vida e carreira. Como afirma Ricardo Gondim no artigo publicado recentemente em seu site, “Tragédia, milagre e fé”

“Considero, inclusive, que nossas inquietações possam ser respondidas na tentação de Jesus no deserto. Trato o episódio como chave de compreensão de como podemos lidar com a vida. O Espírito levou Cristo até o deserto para ser tentado. Ali o diabo ofereceu três vantagens para que Jesus enfrentasse o desafio de viver: provisão, livramento e prosperidade. Caso aceitasse transformar pedras em pães, todos os famintos do mundo poderiam reivindicar a mesma coisa; se pedisse o socorro dos anjos, todos os acidentes seriam “evitáveis”; ao receber os reinos do mundo por decreto, o livre arbítrio humano ficaria anulado. Jesus rejeitou ter a fome satisfeita por magia; não permitiu que se criassem expectativas falsas de um mundo sem percalços; e rechaçou conquistar os reinos deste mundo pelo poder. Preferiu mostrar em sua própria vida que liberdade era a maior dádiva que Deus nos concedera.”


6. Não há nenhuma indicação na Bíblia de que devemos esperar por uma vida blindada. Estamos sujeitos aos acidentes da vida. Gostamos de citar as palavras de Jesus: “no mundo tereis aflição, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. E, se vencer o mundo como Jesus significa experimentá-lo do mesmo modo, inclusive uma com a possibilidade de uma morte injusta e violenta, certamente ninguém deve esperar ter um “corpo fechado” por Deus. Dizer ‘quero vencer o mundo como Jesus venceu’ significa dizer ‘não quero nenhum livramento divino de nenhum mal que possa vir sobre mim’, porque foi assim que Jesus se comportou.


7. O milagre é um evento sobrenatural, portanto não está ao alcance de qualquer movimento humano. Sendo assim, cabe a nós conduzirmos a nossa vida a partir daquilo que nos compete. Precisamos viver independentes de qualquer milagre. Pois se o milagre cabe a Deus e a uma dimensão que nos escapa, nada poderemos fazer para torná-lo viável. Se Deus atua milagrosamente contra os sofrimentos humanos, não há nada que façamos que possa tornar esse agir melhor ou mais freqüente, senão, falamos de um agir divino deficiente, de um agir divino que carece do agir humano para ser mais competente. Portanto, se há a possibilidade do milagre, ela não pode ser algo sobre o que estabelecemos nossos valores, expectativas e decisões. Se milagre é milagre não podemos contar com ele. Se é milagre o que Deus pode ou não fazer, precisamos viver como se nunca fosse acontecer.
Se milagre me escapa, organizar minha vida na expectativa de um é uma irresponsabilidade e uma insensatez. Talvez o motivo pelo qual Jesus conta a parábola do administrador desonesto com um elogio à sua inteligência. “O senhor elogiou o administrador desonesto, porque agiu astutamente. Pois os filhos deste mundo são mais astutos no trato entre si do que os filhos da luz.” (Lc 16.1-15) Flagrado em seu delito, o administrador resolveu a encrenca na qual se meteu sem contar a misericórdia de seu senhor e das demais pessoas. O resultado foi um plano brilhante que o cercou de amigos. Mesmo reprovável em um primeiro momento em sua moralidade, foi admirável em sua atitude diante da vida.


8. Qualquer teologia que desenhe um deus aquém de você deve ser descartada como uma idolatria. Na Bíblia, Jesus escolhe a figura do pai para descrevê-lo o mais próximo de nossa compreensão. A comparação é expressa basicamente assim: se vocês pais, sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos, como não vos dará tudo o que é bom o Pai que está no Céu. Se quisermos nos aproximar ao máximo da compreensão de como Deus age precisaremos, como Jesus, pensá-lo a partir de nosso ideal de paternidade. É André Torres Queiruga quem propõe o seguinte exercício: o que pensar de um pai que só providencia alimento e segurança para os seus filhos se os vizinhos intercederem? E o que dizer de um Deus que para agir exige ser lembrado de seu papel de provedor? Se eu em minha paternidade supero essa paternidade divina é porque não estou falando do Deus de Jesus, mas de um ídolo.

Mas se os seus filhos passam fome e sofrem violência, o que pensar de Deus senão que ele faz o papel inverso? Deve ser ele quem clama pelos seus filhos a mim e a você para que façamos algo. Porque se a iniciativa solidária é minha, se o ponto de partida de solução é meu, então eu sou melhor que esse deus. Os vizinhos são mais paternos presentes que o pai em sua própria casa. Mas nem sou eu o primeiro a me solidarizar e nem é uma intervenção sobrenatural a solução para o sofrimento humano. Mas sim, a solidariedade humana. Jesus se colocou definitivamente em todos os que sofrem (“os pequeninos”). Quem se solidariza com os que sofrem encontra e abençoa o próprio Deus neste mundo. (Mt 25.31-46)

A oferta de esperança da igreja ao mundo é de solidariedade e não promessas de milagre. Colocar as promessas de milagre como discurso da igreja é esconder-se da responsabilidade de agir. Gente solidária é a única esperança para gente que carece.


9. Se Deus não privilegia ninguém (Deus não faz acepção de pessoas, At 10.35-36), qualquer milagre que faça com o fim de atender a uma carência deve se estender a todos que também carecem. Se Deus transformou uma mulher estéril em uma mãe, não precisaria, na mesma comunidade, também ter impedido outra mulher de ser estuprada? Se Deus mandou alguém presentear outro com um carro novo, não deveria também ter providenciado alimento para as crianças que morreram naquele mês de desnutrição? Não deveríamos ao menos estranhar essas contradições e, novamente, suspeitar de uma teologia que propõe um deus pior do que nós?


10. Um cristão no exercício de sua consciência solidária precisaria sentir-se constrangido ao buscar um milagre enquanto milhões de pessoas simultaneamente padecem pela epidemia da AIDS. Sua oração deveria ser um clamor pelos outros sempre e não por suas aspirações.


11. Causam estranheza testemunhos de milagres parciais. A pessoa sofre um acidente, tem uma perna amputada e uma lesão que comprometerá sua locomoção definitivamente e testemunha o milagre de Deus impedir sua morte. Se foi feito por Deus, porque atendeu em parte às necessidades? Não seria esse tipo de testemunho um esforço coletivo por sustentar a cultura dos milagres e livramentos? A necessidade de acreditar que podemos contar com os milagres é tanta que interpretamos os eventos sempre para encontrar um fim glorioso.


12. Incomoda qualquer mente questionadora o fato de as ofertas de milagres, ou as expectativas por eles, excluírem um grupo de sofrimentos e limites humanos. A expressão é de Ricardo Gondim, só oramos por milagres dentro de uma zona de plausibilidade. Não esperamos muito ou nada por milagres em determinadas circunstâncias: alguém que sofreu a amputação de um membro do corpo, uma criança com Síndrome de Down, pessoas com nanismo e assim por diante. Temos mais ímpeto em orar pelos milagres que possuem alguma chance de acontecerem. Cogitamos o milagre com mais modéstia se possui muito pouca chance de acontecer. Sequer o cogitamos em situações extremas.


13. A Bíblia não pode ter sua interpretação superidealizada. Talvez a mais trágica crença incorporada pela tradição evangélica seja a que coloca a Bíblia acima da vida. Não quero substituir uma pela outra. Também não me atrevo a colocar a vida acima da Bíblia. Mas precisamos entender que só há uma Bíblia com autoridade final sobre nós: aquela que está inexoravelmente conectada à vida. A Bíblia vivida é a única que tem autoridade sobre a vida sem a sufocar, ou mesmo violentar. Uma Bíblia que transcende à vida, acima dela, independente dela, não significa nada, não diz nada, geralmente mata. A Bíblia precisa ser pensada em sua mundanidade.

Como um livro de palavras, sendo todas as palavras sempre precárias para dizer com precisão, a Bíblia carece de nosso esforço sensível, amoroso e modesto de interpretá-la a partir da única realidade que dispomos: a vida que vivemos. Por um cristianismo que contemple os desafortunados, uma Bíblia vivida que nos liberte da opressão de uma Bíblia anterior e acima da vida.

A cultura dos milagres – essa que se apresenta como um modo de vida amparado nas intervenções milagrosas de Deus – está necessariamente construída sobre uma interpretação idealizada da Bíblia. O que torna a atitude de alguns crentes irresponsável, absurda, até mesmo criminosa, mas coerente com a sua compreensão da Bíblia:


Sem socorro, menina morre enquanto pais rezavam
Uma menina americana de 11 anos morreu de diabetes enquanto seus pais rezavam pela sua cura, sem chamar médicos para socorrê-la, informaram as autoridades de Wisconsin.
Os pais da garota, Dale e Leilani Neumann, foram acusados de homicídio culposo (sem intenção de matar). O casal acredita somente na Bíblia e está convencido de que sua filha estava nas mãos de Deus, segundo declarou a mãe da menina.
Segundo a agência Ansa, a garota morreu no dia 23 de março passado em sua casa em Weston, vítima de um nível muito baixo de insulina no sangue. Os pais nunca a levaram a consultas médicas.
Redação Terra


Não faz o menor sentido sustentar uma interpretação da Bíblia que não experimentamos de fato, ou que contradiz a vida. A autoridade da Bíblia está exatamente em sua promoção da vida: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.” (2Tm 3.16-17)


Tenho ouvido com mais freqüência que gostaria, quando no esforço por compreender Deus e suas manifestações em nossa vida, a advertência de que Deus não é alcançável pela lógica humana, de que ele está acima da nossa lógica. O que me parece um absurdo completo. Se de fato fosse assim, haveria um fosso intransponível entre Deus e a humanidade. Sequer dele faríamos qualquer referência. Nem o nome Deus seria pronunciado. A dizermos “Deus” o fazemos sempre de dentro de uma lógica. Porque palavras só significam algo dentro de uma lógica.

Dizer que Deus não cabe em uma lógica é outra coisa. Até porque nenhuma verdade cabe absolutamente em uma lógica. Ninguém cabe dentro de uma lógica. Muito menos Deus. Portanto, abdicar do pensamento para conhecer Deus é matar “Deus” em nossa experiência. O que dá razão novamente a Nietzche. Mas não apenas matamos Deus com uma abdicação do pensamento, matamos a nós mesmos. Desistimos do que nos toca e nos reivindica compreensão.

Portanto, o exercício de construir uma consciência é idêntico ao de viver. É com esse compromisso que somos puxados pela consciência. O de viver com sentido. É com esse compromisso que precisamos responder as questões aqui levantadas. O de fazer teologia para a vida.

Este artigo foi apresentado no 12º Encontro de Pastores da Igreja Betesda no Nordeste, realizado entre os dias 30/04 e 02/05/2008. Minha pretensão foi a de reunir argumentos que têm constituído uma ampla conversa dentro da denominação e oferecer uma pauta de discussão.

A Igreja Betesda é uma denominação de origem assembleiana, com 27 anos de fundação. Desde então foi marcada pela busca de práticas e reflexões afinadas com os novos anseios do mundo moderno. Acabou por se desvincular institucionalmente das Assembléias de Deus no Brasil.

Acredito que a experiência da Igreja Betesda sirva de amostragem para um fenômeno que a todos envolve. Senão com a atitude assumida de ressignificar a teologia, ao menos com a sensação de esgotamento do modelo até então vivenciado e anelo por algo novo.

http://www.ricardogondim.com.br/
< QUEIRUGA, André Torres. Fim do Cristianismo Pré-moderno. Editora Paulus.

21/06/2008

O LEÃO, A PASTORA E O FUTEBOL


Continuando a série de comentários sobre as notíciais de Recife, posto material publicado no Blog Ação Reação, que vem reforçar a impressão minha, que não é de hoje, sobre os desvaneios da lider do DT.
Claudinho


O Leão, a pastora e o futebol

Por Riva Moutinho


O texto abaixo foi extraído do Blog Oficial da Ana Paula Valadão (http://blogdaana.wordpress.com/2008/06/12/noticias-de-recife/):

“Olá amados,

Nos últimos dias temos visto Deus agir de maneira tremenda em Recife, e por toda a parte, nos preparando para o que Ele irá fazer nos dias 4 e 5 de julho sobre aquela terra e sobre toda a nossa nação.

No fim de semana aconteceu ali o Seminário de Intercessão, e nas palavras dos guerreiros que participaram, foi um dos mais marcantes dos 36 que já passaram por esse Brasil a fora.

Ao preço de dores de parto, um enorme peso espiritual foi quebrado, houve muitas libertações de vidas e da atmosfera da cidade, e o Senhor tem revelado profeticamente a Sua glória para aquele lugar.


Enquanto o seminário acontecia, no Chevrolet Hall a cidade celebrava uma das maiores festa de S. João do Nordeste. Mas cremos que estaremos ali tomando posse do terreno do inimigo. Acreditamos que esta nação será conhecida pelas festas ao Rei Jesus! Na madrugada de domingo para segunda, depois do seminário, os noticiários publicaram a morte do fundador do “Galo da Madrugada”, o maior festival da cidade, que já chegou a reunir 3 milhões de pessoas pelas ruas do Recife. Ficamos boquiabertos. Ele faleceu de uma cirurgia no joelho.


Outro evento importante foi ver essa semana, o Sport Club do Recife se tornar o campeão do Campeonato do Brasil! Os jogadores, muitos crentes, glorificavam a Deus e até declararam na mídia que esta vitória foi o cumprimento das promessas do Senhor.


Creio que também não é coincidência ver na bandeira do Recife, um leão segurando uma cruz. Deus tem Seus planos e estratégias e não é em vão que estaremos indo ali exatamente nesta hora.”



A pastora-do-leão-de-quatro voltou... aliás, ela continua com a cabeça no leão... ou seria o leão na cabeça? Enfim, a pastora parece ter gostado da idéia de colocar na internet o seu diário pessoal. O interessante é que apenas comentários a favor são publicados. O que houve com o contraditório?


Depois de imitar, segundo ela, um leão no palco que mais parecia uma pessoa procurando sua lente de contato pelo chão, Ana Paula Valadão continua a criar coerências que apenas sua mente e a de seus fãs acham normais; as quais só posso concluir que devem agitar a alma de Freud, esteja lá onde ela estiver.
No último texto que comentei dela, tentei comentar cada parágrafo, o que não me foi possível tendo em vista tamanho disparate presente. Neste gostaria apenas de comentar dois pontos, uma vez que não há em mim nenhum apreço por tal literatura (se pudermos chamar a isto de literatura).


Depois de se vestir como uma guerreira, a pastora-do-leão-de-quatro encontrou com outros “guerreiros” e todos com “dores de parto” quebraram o peso espiritual que pairava sobre a cidade de Recife e, ainda, se preparam para entrarem no “terreno do inimigo” chamado São João. Coitado do “seu” João! Será que alguém falou com ele que há um monte de “guerreiros” querendo invadir seu território?


E como não poderíamos esquecer, de maneira alguma: Eis o leão aparecendo novamente. O futebol, um esporte profano, teve sua transformação para um “evento importante”, e isso porque o Sport (aquele time que tem o leão como mascote) venceu o Corinthians e se consagrou campeão da Copa do Brasil. Assim ela enche a bola dos jogadores do Sport dizendo que Deus havia cumprido uma promessa. Aí, fico eu pensando daqui: e os jogadores evangélicos corintianos? Não tinha promessa nenhuma para eles a não ser a do vice campeonato? Putz.


Outro fator delirante da pastora-do-leão é o último parágrafo apresentado acima: “Creio que também não é coincidência ver na bandeira do Recife, um leão segurando uma cruz.” Coincidência realmente não é, mas o que não é mesmo é a referência que nas entrelinhas ela quis insinuar ou afirmar existir pelo fato do leão segurar a cruz na bandeira da cidade do Recife. Leia com bastante atenção a maneira como o site da Prefeitura do Recife (http://www.recife.pe.gov.br/pr/simbolos.php) descreve a bandeira municipal: “Através da Lei 11.210, de 15 de dezembro de 1973, a municipalidade recifense instituiu uma bandeira para a cidade, composta de símbolos que se referem a fatos memoráveis da história do Recife. A bandeira do Recife é retangular e tem por base três colunas verticais, sendo que as laterais são em azul e a central em branco, reportando às cores da bandeira do Estado de Pernambuco, do céu brasileiro e da paz. A força e a fé, ideais almejados pelo ser humano, são representados pela frase em latim Virtus et Fides.


Símbolos de fé, força e esperança completam o visual da bandeira do Recife. São eles: a cruz, representando a colonização portuguesa, que trouxe o cristianismo para o Brasil; o leão neerlandês coroado, em amarelo, remetendo ao escudo de armas de Maurício de Nassau e ao Leão do Norte, apelido adquirido por Pernambuco pelo seu potencial histórico de lutas e, por fim, o sol e a estrela, ambos em amarelo, aludindo ao nosso astro maior e à representação da república brasileira, considerada originária das terras pernambucanas, através do movimento de 1817.”


Brincadeiras a parte, o lado mais sombrio do texto desta menina-do-leão fica por conta do comentário ridículo e descabido sobre a morte do fundador do Galo da Madrugada, o sr. Enéas Freire. Ele conseguiu transformar o Galo da Madrugada no maior bloco carnavalesco do mundo, segundo o próprio Guinness Book. Enéas morreu aos 86 anos de parada cardiorespiratória.


Repare que a pastora-do-leão-de-quatro logo após falar sobre a morte do Sr. Enéas, escreve as palavras: “outro evento importante”. Haja estômago para ler tanta baboseira vindo de uma única pessoa e que, infelizmente, adoece milhares de pessoas pelo mundo afora. Há de se ter, ao menos, o mínimo de respeito para com as pessoas, inclusive pelos familiares daqueles que se foram.

Mas Deus gravita ao redor da Sra. Valadão-filha realizando todos os caprichos e mimos que ela deseja: um Personal God criado em algum lugar de uma mente empobrecida e ensandecida pelos desvarios de uma religião.


BH 20/06/2008

19/06/2008

Diante do Trono ou seria Distante



Recebi pelo fórum mmc do Yahoo (Musica Musico Cristão) o texto abaixo, visitei o blog http://hojeteologia.blogspot.com/2008/06/distante-do-trono.html para conferir e de fato como me disse uma vez um amigo -"... a gente tem que doar as córneas, pois numa vida só não se consegue ver tudo". A leitura dispensa comentários, mas o que me choca não é a Sandi gospel vender loucuras, mas a legião de cegos seguidores que além de ouvir e dizer amém reproduzem em escalas mais bizarras a "pedagogia diantetronista".

Que Deus tenha misecórdia e o Espírito Santo os conduza a sanidade e a saúde mental e espiritual.


Claudinho


Abaixo o recorte do blog A fé em busca de entendimento





Distante do Trono


O texto que publico abaixo é um trecho do blog da Ana Paula Valadão. Quando terminei de ler, fiquei pasmado, custei a acreditar. Ela fica feliz porque durante um seminário no Nordeste houve um clamor por avivamento, e como resposta morreu o fundador do bloco "Galo da Madrugada" do Recife. Eles oraram e Deus como resposta matou alguém? Que absurdo é este? E por fim ela destila mais "abobrinha gospel" ao dizer que a vitória do Sport na Copa do Brasil foi também resultado do clamor. E fala sobre o Leão que aparece no camisa do Sport e o compara ao Leão de Judá...


Eu preferia acreditar que não fosse verdade.Publico abaixo o trecho do blog e a também a indignada opinião do Sérgio Pavarini em seu blog:


No fim de semana aconteceu ali o Seminário de Intercessão, e nas palavras dos guerreiros que participaram, foi um dos mais marcantes dos 36 que já passaram por esse Brasil a fora. Ao preço de dores de parto, um enorme peso espiritual foi quebrado, houve muitas libertações de vidas e da atmosfera da cidade, e o Senhor tem revelado profeticamente a Sua glória para aquele lugar.


Enquanto o seminário acontecia, no Chevrolet Hall a cidade celebrava uma das maiores festa de S. João do Nordeste. Mas cremos que estaremos ali tomando posse do terreno do inimigo. Acreditamos que esta nação será conhecida pelas festas ao Rei Jesus! Na madrugada de domingo para segunda, depois do seminário, os noticiários publicaram a morte do fundador do “Galo da Madrugada”, o maior festival da cidade, que já chegou a reunir 3 milhões de pessoas pelas ruas do Recife. Ficamos boquiabertos. Ele faleceu de uma cirurgia no joelho.


Outro evento importante foi ver essa semana, o Sport Club do Recife se tornar o campeão do Campeonato do Brasil! Os jogadores, muitos crentes, glorificavam a Deus e até declararam na mídia que esta vitória foi o cumprimento das promessas do Senhor.Creio que também não é coincidência ver na bandeira do Recife, um leão segurando uma cruz. Deus tem Seus planos e estratégias e não é em vão que estaremos indo ali exatamente nesta hora.


fonte: blog da Ana Paula Valadão


No excelente Para curar um mundo fraturado (Séfer), o Rabino Jonathan Sacks conta algo interessante:


"Os chassidim contam uma história sobre o segundo Rebe de Lubavitch (o "Mitteler" Rebe). Certa vez, ele estava tão concentrado em seus estudos que não escutou seu filho pequeno chorar. Mas o avô (Rebe Shneur Zalman de Liadi) ouviu, desceu as escadas, pegou o bebê no colo e ninou-o até que voltasse a dormir. Aproximou-se então de seu filho, ainda imerso nos livros, e disse: 'Meu filho, não sei o que você está estudando, mas se o deixa surdo ao choro de uma criança, não é a Torá'. Viver a vida da religiosidade é ouvir o lamento silente dos aflitos, solitários, marginalizados, pobres, doentes, impotentes - e responder."


Se o resultado da "batalha espiritual" protagonizada pelos intercessores do grupo Diante do Trono é o regozijo disfarçado de pasmo ante a morte do fundador do maior bloco de carnaval do mundo (segundo o Guiness), algo está errado. Sobre o lance do leão na bandeira do Sport nem dá p/ comentar, tal a sandice (eivada quem sabe de um matiz egóico travestido de expressões "espirituais").


Prezaria saber os resultados dessa espécie de "boacumba gospel" após pantomima semelhante ocorrida no Rio de Janeiro há alguns meses.No início do ministério, Ana Paula cantava "Dá-me um coração igual ao teu, meu Mestre". Ao que parece, essa oração não foi respondida.


Infelizmente.

15/06/2008

Entrevista que Sérgio Pavarini concedeu a União dos Blogueiros Evangélicos.
Vale a pena conferir




Tem culpa eu?
UBE - Quem é o irmão Sérgio Pavarini?

Sérgio Pavarini - Nas palavras de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa):


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

UBE - Com entrou foi seu primeiro contato com a ferramenta blog


Sérgio Pavarini - Há 9 anos edito newsletters semanais. O blog foi o passo natural p/ diminuir o espaço entre as edições e estreitar ainda + o relacionamento c/ os leitores. Em abril, o PavaBlog# completou 2 anos. A newsletter PavaZine# tem hj + de 150 mil leitores, boa parte fora do rebanho.


UBE - Que as sugestões daria para a UBE?


Sérgio Pavarini - Listei 10 "mandamentos" p/ cristãos blogueiros:

1- Use linguagem coloquial


Guarde a "paz do Senhor" p/ a igreja e esqueça eventuais títulos hierárquicos. "Blog do apóstolo-arcanjo João Imaculado" não é uma boa pedida.

2- Mantenha o tom bem-humorado


A blogosfera é um ambiente caracterizado pela informalidade. Não tente transformá-lo numa catedral.

3- Esqueça o discurso triunfalista


O papo de "blogueiros cristãos unidos vão mostrar a força do Evangelho etc." é pura perda de tempo. Qq blog c/ fotos pornôs terá em alguns meses + audiência que toda a blogosfera cristã obterá nos próximos dez anos.

3- Seja generoso



Nunca se esqueça de colocar eventuais fontes e links nos posts. Visite outros blogs, deixe seus comentários e elogie todas as vezes que curtir algo que leu. No entanto, não coloque o endereço do seu blog nos comentários p/ não transformá-lo em mera propaganda.


5- Respeito à diversidade


Não transforme o bolgroll em lista das congregações do presbitério. Nem todos os seus leitores terão as mesmas preferências que as suas.

6- Converse com estranhos


Por trás de cada blog há uma pessoa c/ sentimentos, carências, problemas e conhecimento em dvs áreas. Nunca desperdice a chance de compartilhar idéias. Vc sempre será o + abençoado.

7- Seja você mesmo


Resista à tentação de criar um personagem, mostrando algo que não é e qualidades que não tem. Ao contrário dos jornalistas, os leitores sempre sabem separar o joio do trigo.

8- Destrua os muros


A blogosfera é um ambiente sem barreiras geográficas, sociais ou qq outras. Se deseja falar apenas c/ gente que deve pensar como vc, desista do blog. Nem na igreja vc vai conseguir isso. Graças a Deus!

9- Maracujina na veia


Alguém discordou de sua opinião? Nada de amaldiçoar o cara ou vetar o comentário. Combata idéias, jamais pessoas. Sempre.

10- No capricho


Qq que seja o estilo do blog, faça o seu melhor. Em várias áreas, "cristão" ainda é sinônimo de "medíocre". O melhor selo que seu blog pode ostentar é o reconhecimento dos leitores.

UBE - Fale-nos de seu trabalho na revista CristianismoHoje.


Sérgio Pavarini - Colaboro regularmente c/ várias revistas e sites. Desde o início, sempre escolhi temas e abordagens diferentes das convencionais. Não tenho soluções p/ os problemas da igreja, mas compartilhar angústias e inquietações abre o debate e amplia a reflexão.


UBE- Em poucas palavras e de forma geral, como o irmão percebe a igreja evangélica no Brasil


Sérgio Pavarini - Imatura, sectária, míope e irrelevante na maioria dos setores. Como escrevo há algum tempo e milhares de pessoas lêem meus textos, tenho uma parcela enooorme de culpa nesse quadro. Não fosse a maravilhosa graça de Deus...

UBE - Faça suas considerações finais


Sérgio Pavarini - Os cristãos já foram conhecidos no Brasil como o "povo do Livro". Hj sequer lemos a Bíblia. Sou apaixonado pela leitura e uso regularmente o blog p/ incentivar as pessoas a lerem +. Sugiro aos blogueiros relacionar no blog os livros que estão lendo, recomendar obras que curtiram ler e ajudar os leitores a desenvolver esse hábito essencial. Como disse o Mário Quintana, "Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas; os livros só mudam as pessoas".

fonte: União de Blogueiros Evangélicos
Postado por Pavarini às 6:16 PM
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08/06/2008

Possa eu me dispor

No meio de um mundo onde as pessoas tem fome e sede...

Possa eu louvar ao Deus que alimenta o faminto e sacia o sedento,

Dispondo-me a compartilhar do meu pão e da minha água.


No meio de um mundo onde as pessoas são oprimidas e abusadas...

Possa eu louvar ao Deus que chama por compaixão e justiça,

Dispondo-me a ser justo e compassivo.


No meio de um mundo cheio de guerra e rumores de guerra...

Possa eu louvar ao Deus que, em Cristo, oferece paz para todos,

Dispondo-me a ser pacífico e pacificador.



No meio de um mundo caracterizado pelo vazio espiritual...

Possa eu louvar ao Deus que dá significado e conteúdo à existência,

Dispondo-me a ser exemplo de vida plena e abundante.


No meio de um mundo cujas oportunidades são desiguais...

Possa eu louvar ao Deus que não faz acepção de pessoas,

Dispondo-me a partilhar algo do muito que me tem sido dado.

Copyright © Luís Wesley de Souza

fonte Blog Luis Wesley

http://luiswesley.blogspot.com/2006_10_01_archive.html

19/05/2008

A Mensagem da Cruz

Rude Cruz...

Em tempos de aridez musical e de mediocres inspirações vale a pena escutar antigos clássicos, que inpiraram e inspiram a alma.

Valorizei mais o retorno a alguns clássicos do hinário evangélico após assistir um dvd com um "show" ao vivo de uma turma chamada Toque no Altar e restituição, já tinha ouvido falar, mas nunca visto e ouvido a tal da "teologia da restituição" http://www.metodistalivre.org.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=51&sg=0&form_search=&pg=1&id=1719 (já postei um artigo sobre o assunto) é história da carochinha, queria saber da onde tiram tanta bobagem, sinceramente - vão se converter!, pois andam se enganando e enganando neófitos e cascudos na fé com unções extravagantes e restituições, até acho que essa turma tem algo a ver com o Imposto de Renda pois adoram uma restituição.

Mas falando sério cliquem no link abaixo e ouçam esse belo arranjo feito pelo grupo De Las Alturas dos Andes, com um maravilhoso violão fazendo a introdução.

Rude cruz se erigiu,
Dela o dia fugiu,
Como emblema de vergonha e dor;
Mas contemplo esta cruz,
Porque nela Jesus Deu a vida por mim pecador.

Sim eu amo a mensagem da cruz
Té morrer eu a vou proclamar
Levarei eu também minha cruz
Té por uma coroa trocar

Desde a glória dos céus,
O cordeiro de Deus,
Ao calvário humilhante baixou;
Essa cruz tem prá mim Atrativos sem fim,
Porque nela Jesus me salvou

Nesta cruz padeceu
E por mim já morreu,
Meu Jesus para dar-me O perdão;
E eu me alegro na cruz,
Dela vem graça e luz
Pra minha santificação

E eu aqui com Jesus,
A vergonha da cruz
Quero sempre levar e sofrer;
Cristo vem me buscar,
e com Ele , no lar,
Uma parte da glória hei de ter

http://www.4shared.com/dir/2201237/c83befca/sharing.html

02/05/2008

Parei de ouvir música cristã

Mark Carpenter

Há dois anos escrevi neste espaço que lamento o estado da música cristã.

Percebi agora que simplesmente parei de ouvi-la. Acabo deverificar o que tenho armazenado no WMP. Não há nada de "música cristã", a não ser as gravações de cinco artistas que mal cabem no gênero: John Coltrane, Sufjan Stevens, U2, Leigh Nash e a extinta Sixpence None the Richer. Parei de comprar CD's do gênero após acumular uma longa lista de decepções.


Cabe aqui uma definição. Por "música cristã", me refiro à categoria criada pelas gravadoras que produzem música popular para consumo pelo público "gospel". "Música cristã" não é bem um gênero musical, pois o que existe é um mix retalhado de músicas que emprestam de gêneros legítimos.
Não incluo na minha definição a música usada na igreja para o louvor coletivo. Música de canto congregacional independe de padrões musicais usados na avaliação de desempenho performático e na análise crítica da letra como poesia.


O gênero conhecido como worship music tem como foco direcionar a atenção para as virtudes e as promessas de Deus, de forma que a qualidade de música em si passa a ser menos importante que seu aspecto pragmático no culto de adoração. Neste gênero específico, os critérios de avaliação resumem-se à (1) ortodoxia teológica da letra,(2) capacidade de envolver a participação da congregação e (3)qualidade técnica da execução pelo ministro de louvor, pelos instrumentistas e pelo backing vocal. Ou seja, worship music tem muito mais a ver com worship do que com music. Não minimizo a importância deste gênero, pois a própria Bíblia valoriza o louvor coletivo.
Meu lamento, então, reflete apenas a paupérie artística de muita música produzida para consumo cristão fora da igreja. É como se a indústria cristã tivesse determinado que o que vale é o conteúdo da letra: desde que ela contenha certos chavões, frases ou narrativas evangelísticas — além de um estilo bacana apreciado pelo mercado alvo—, é desnecessária a busca da verdadeira expressão artística. Basta o"suficiente". Acaba tendo mais em comum com propaganda que com arte. Para fazer um jingle, não precisa chamar Caetano. Qualquer Emmerson Nogueira serve.



Percebo que há muita gente talentosa nas bandas das igrejas, pessoas realmente apaixonadas pela música e dispostas a sacrificarem para melhorar. Mas muitos são vencidos pela baixa expectativa da maioria, pelo padrão acomodativo e pelo ambiente em que o verdadeiramente excelente é visto com desconfiança. O desafio para aqueles músicos que realmente desejam a arte é aprenderem a fazer benchmarking pessoal comos melhores, e colocarem o seu talento a serviço do reino de Deus, e não apenas a serviço das gravadoras evangélicas.


Isto não significa que já não existam cristãos fazendo boa música. Mas, por ironia, usualmente os músicos que levam a sério tanto seu cristianismo quanto a qualidade musical são aqueles que rejeitam o rótulo "música cristã" para assim distanciarem-se da média medíocre. São esses que revitalizam na música o espírito criativo, que reflete abeleza e a verdade de Deus.


Parei de ouvir música cristã e comecei a buscar mais a boa música,inclusive aquela composta e executada por cristãos.


• Mark Carpenter é diretor-presidente da Editora Mundo Cristão e mestre em letras modernas pela USP."

Marcos Elias (Praia Grande - SP)


Fonte Blog Teologia e Arte
PS
O universo musical cristã foi achovalhado, a estética foi mudada, tenho comentado isso a algum tempo, trocamos expressões espontâneas por chavões que se repetem sem fim e o conteúdo foi trocado, o centro não é mais Deus e sua soberania e sim as necessidades do homem.
Fica o texto para nossa reflexão, pois nem tudo que leva o nome de Deus é de Deus e nem tudo que se canta nas congregações tem a ver com louvor.
Claudio

21/04/2008

Religiões na mídia, por Ir. Lédio de Jesus Matias*



Está cada vez mais difícil em nosso país ver televisão, ouvir rádio ou ler um jornal sem nos perguntarmos a qual denominação religiosa pertence esse programa ou meio de comunicação.

Milhões são gastos diariamente em programas e materiais de cunho religioso. Não quero entrar no mérito da origem desse dinheiro e do quanto ele poderia ser aplicado em outras ações, bem mais meritórias, e quanto bem ele poderia fazer, se bem aplicado.

Sei que estou tocando num assunto polêmico e de difícil abordagem, visto que, como se diz em ditados populares, religião, futebol e política não se discutem. Como cristão, e formado em Teologia, eu deveria me sentir feliz e orgulhoso em ver Jesus Cristo sendo tão anunciado e propagado como está sendo atualmente.

Mas, na verdade, eu me pergunto: Será que Jesus Cristo, do qual conhecemos bem as características, simples e silenciosas, de anunciar Deus, seu Pai, está feliz e é dessa forma que quer ser anunciado? Será que ele se sente bem sendo exposto diariamente por diversas opções religiosas como um mero produto de venda e consumo, para satisfação e gozo pessoal? Será que ele se sente bem em ser apresentado como a solução de todos os problemas?

Acredito que até aqueles que, em tempos passados, anunciavam o fim das religiões e da fé cristã estão surpresos e com dificuldade de entender e explicar essa avalanche de programas religiosos que estamos presenciando.

O Cristo da Bíblia que conhecemos não gostava de ser usado e apresentado dessa forma pelos seus. Ao ver o templo de sua época sendo utilizado indevidamente, como lugar de vendas e de exposição errônea da fé, sentiu ira e mostrou-se inconformado com tal fato.


Ele preferia sempre anunciar e fazer suas pregações nas casas de famílias e nos lugares pobres e, quando percebia que era procurado apenas pelos milagres que realizava, evitava se utilizar disso como um trunfo e procurava se afastar para lugares desertos.

Com certeza, a Bíblia é farta de vários outros exemplos bonitos de condutas de Jesus, que viveu sua vida toda fazendo o bem, acolhendo crianças, coxos e paralíticos. Todos esses belos exemplos de vida nos fazem pensar seriamente se esse bombardeio do uso do seu nome é realmente a forma mais adequada e evangélica de se fazer.


Temo que toda essa exposição exagerada da fé cristã possa se tornar algo tão comum e banalizado que as pessoas já nem se dêem mais conta do quanto deve ser sagrado e divulgado com respeito e cuidado o nome e a pessoa de Jesus Cristo.

Diante de tantos convites para abraçarmos uma determinada fé em detrimento de outra, é difícil não ficarmos na dúvida de qual será mesmo a verdadeira denominação religiosa que temos que seguir.

Por isso, finalizo este texto ousando recordar aos líderes religiosos de nossas igrejas cristãs o versículo bíblico em que o próprio Cristo reza pela unidade dos cristãos, dando-nos a entender que não há sentido nenhum em ficar disputando fiéis para suas fileiras, sem levar em conta a forma e o jeito de fazê-lo: "Pai Santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um, como nós somos um" (Jo, 17,11).

Almejo, assim, que busquemos acima de tudo, independentemente de nossas crenças ou convicções religiosas, fazer sempre o bem, tornando esta casa em que vivemos um lugar mais digno e humano para todos.


*Teólogo e pedagogo, mestre em Educação


Fonte Jornal Zero Hora edição de 20 de abril de 2008.

10/04/2008

Pasto universal do reino de Deus

Aedes = desagradável + aegypti = Egito. Proteção divina contra dengue.

Você receberá um cálice com o óleo santo para que todos sejam livres desta epidemia.


O endereço não deixa dúvidas. Catedral Mundial da Fé, na av. Dom Hélder Câmara, digo, av. Suburbana, Rio de Janeiro. Caso seja eleito, não é improvável que Marcelo Crivella tente revogar decreto do ex-prefeito Luis Paulo Conde para devolver à avenida seu antigo nome.


Água benta do rio Jordão, rosa milagrosa, sal abençoado, campanha para trocar o anjo da guarda, lenços ungidos... Não há limites nos expedientes usados pela Igreja Universal para atrair mais pessoas. Qualquer pessoa com conhecimentos bíblicos elementares pode discorrer sobre a falta de embasamento nas Escrituras para a maioria das práticas da denominação. No entanto, a igreja tem sido agressiva nas retaliações e, como resultado, poucos ousam questionar as táticas da organização.


Classificada pela Veja como “a empresa que mais cresce no país”, a Universal é tema controverso até entre os pesquisadores. Para Andeers Ruuth, ela pode ser definida como “Igreja de Supermercado”. O cara vê a placa “pare de sofrer” enquanto passa pela rua, entra no templo, assiste à reunião, dá uma oferta (momento mais importante) e vai embora.



Eduardo Refkalefsky e Cyntia Lima discordam. Para eles, pastores e obreiros trabalham com o intuito de transformar o freqüentador esporádico em fiel assíduo e, claro, dizimista. Seja qual for o trabalho acadêmico, todos concordam num ponto: a ênfase na grana. Para entender um pouco melhor a questão, é necessário voltar aos primeiros passos da caminhada de Edir Macedo no evangelho.



Durante doze anos, ele foi membro atuante da Igreja Pentecostal de Nova Vida, comunidade emergente na década de 60 fundada por Robert McAlister. Segundo relatos, o missionário canadense era tão convincente na hora das ofertas que era comum as pessoas doarem até o dinheiro da passagem do ônibus de volta.
Em seu livro “Dinheiro: Um assunto altamente espiritual”, McAlister revela seu modus operandi: “Durante mais de 25 anos tenho assumido o púlpito com duas coisas preparadas: minha mensagem bíblica e o apelo para as ofertas. Sempre soube que nenhuma das duas pode ser improvisada, resultando quase sempre a improvisação em fracasso”. Macedo foi um bom aluno e hoje tem, digamos, uma espécie de “Livre-docência” na área.


“Antes” e “depois”


Ao menos por um instante, vou deixar Maquiavel quieto e afirmar com indisfarçável satisfação que a Universal é uma das comunidades mais acolhedoras do segmento evangélico. Calcula-se que o exército de obreiros no país tenha mais de 500 mil integrantes. Travestis hipermaquiados e pessoas humildes malvestidas são tão bem-recebidas nos templos quanto uma perua que pisa seus sapatos Prada em outra igreja neopentecostal. Com mais de seis milhões de membros, a igreja tem um histórico enooorme de vidas transformadas, especialmente nos extratos marginalizados.


Com perdão pelo clichê, é possível afirmar que a Universal foi um divisor de águas no protestantismo brasileiro. A igreja completou 30 anos em julho do ano passado e construiu um império de comunicação com 23 emissoras de TV e 40 de rádio. Reportagem da Folha de S.Paulo que provocou uma enxurrada de processos orquestrados revelou que a holding macedônica tem ainda outras 19 empresas registradas em nome de 32 membros da igreja, na maioria bispos.



A ascensão da Universal promoveu no Brasil um matrimônio quase indissolúvel. Após seu crescimento vertiginoso, o termo “dinheiro” com freqüência vem à mente quando alguém ouve a palavra “evangélicos”. Pelo mesmo raciocínio simplista, pastores são confundidos com charlatões. Várias igrejas chamadas “tradicionais” tiveram de alterar o discurso na hora de recolher dízimos e ofertas para não serem confundidas com a denominação que mais deslustrou a imagem do rebanho verde-amarelo em toda a história. Pesquisa do Vox Populi de 1996 mostrou que a IURD é a mais desaprovada das grandes instituições brasileiras, com apenas 17 % de aprovação. O índice é menor até que o do Congresso Nacional. Fogueira nada santa.


Meu coração era preto


Alguns episódios contribuíram para enodoar o prestígio da Universal. Em 12 de outubro de 1995, o então bispo Sérgio von Helde cismou de dar chute numa imagem de Nossa Senhora Aparecida em pleno feriado da Padroeira. As imagens transmitidas na noite seguinte no Jornal Nacional provocaram um verdadeiro deus-nos-acuda. Trocadilho à parte, não houve socorro divino capaz de consertar a pisada na santa, digo, na bola.


O prejuízo doeu numa parte extremamente sensível da denominação: o bolso. Grandes anunciantes cancelaram contratos com a TV Record e houve queda no número de freqüentadores, especialmente no México e na Espanha. Segundo Macedo, von Helde atrasou o trabalho da igreja em dez anos. Em 2006, ele saiu da Universal em razão de novos chutes, desta vez no sentido figurado. Após ser punido por maltratar outros pastores, ele se desligou da igreja.


No final do mesmo ano de 1995, a TV Globo exibiu também no Jornal Nacional o vídeo que mostra momentos de descontração de Macedo e alguns pastores. Após uma partida de futebol, o líder da Universal ensina como pedir ofertas e inscreveu nos anais da trajetória do rebanho a indefectível expressão “dá ou desce”. Nem o sabonete de arruda foi capaz de retirar a mácula na imagem da instituição e até hoje o vídeo é hiperacessado no YouTube.


A guerra aos umbandistas é uma das grandes e controvertidas marcas da Universal. Ao mesmo tempo que combate as religiões afro, se apropria não apenas de expressões do dialeto do candomblé, como coloca os pastores de roupa branca nas chamadas “sessões de descarrego”. Após inúmeros protestos e processos, o grau de beligerância arrefeceu um pouco, porém a intolerância continua em alta. Uma confissão ligeira: nunca compreendi o fato de, a despeito do extenso know-how em práticas exorcistas, nunca terem obtido sucesso em afastar a única entidade cujo nome foi revelado por Jesus: Mamom.



Uma nova história


A despeito do sucesso empresarial, a comunicação tem sido um calcanhar-de-aquiles na organização. Sobram números e falta influência, num simulacro perfeito do que acontece com o povo de Deus. Por exemplo, publicam o jornal com maior tiragem do país e raramente uma linha ultrapassa as fronteiras dos templos de gosto duvidoso.


No ano passado, toda a mídia fez estardalhaço com o lançamento de “O Bispo: a história revelada de Edir Macedo”, publicado pela Larousse. Diretor de jornalismo da TV Record, Douglas Tavolaro incorporou o espírito “reescrevinhador” de Ali Kamel e amalgamou novas versões para cada uma das nódoas com veleidades e irrelevâncias sem-fim. Entidades ecológicas deveriam protestar com o destino triste de tantas árvores. O livro não vendeu o esperado nas livrarias e, claro, fez sucesso nos templos da igreja.


É provável que um livro de receitas de dona Ester (esposa de Macedo) obtivesse o mesmo patamar de vendas. Ao menos, seríamos poupados da constrangedora tentativa de transformar Macedo em mártir por conta de sua prisão em 24 de maio de 1992. Os mártires do cristianismo não merecem tamanho vitupério.


A lua-de-mel com a mídia durou somente o período em que a igreja obteve espaços generosos para divulgar a obra soporífera e chapa-alva de Tavolaro. Atualmente, chamar a denominação de “seita” já é suficiente para render um processo contra quem cometeu tal “heresia”. Penso que deveriam se preocupar bem mais com as palavras que irão ouvir naquele dia em que os bodes serão separados das ovelhas.


No poema “O guardador de rebanhos”, Alberto Caeiro afirma que “pensar é estar doente dos olhos”. Que o Eterno Guardador do rebanho continue velando e abençoando cada uma das dedicadas ovelhas de seu pasto universal. Afinal, nas palavras do poeta “a única inocência é não pensar...”.


este é o texto que deve ser publicado na próxima edição da revista Eclésia. Obviamente, duas páginas não são suficientes nem p/ tocar na superfície de um tema c/ tantas implicações.

Coloquei alguns links p/ quem quiser saber (e ver) um pouco +.

Fonte Pavablog