27/10/08

O que é unção?

E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento. 1 João 2:20

Tenho pensado muito sobre os clichês que ouço da boca de irmãos, seja em palavras ou canções e quero me deter na palavra unção que está na moda. Noto que dificilmente alguém profere uma oração ou canção sem mencioná-la. Há também os que pedem uma “Nova unção”, mas afinal o que é unção? Sem querer encerrar o assunto com este pequeno texto, mas tão somente compartilhar minha compreensão sobre o tema e se possível contribuir com o crescimento do Corpo Vivo de Cristo faço essa reflexão.

A unção no Antigo Testamento tinha o objetivo de separar ou consagrar algo ou alguém para a santificação e o serviço exclusivo de Deus, geralmente no templo.
No Novo Testamento todo aquele que é nascido de novo é santificado por Cristo é uma nova criatura. O Emanuel “Deus Conosco” (não é Deus longe de nós ou só para alguns) passa a habitar num templo humano onde o Espírito Santo faz a morada neste templo. Sendo assim a unção é o próprio Espírito que habita e santifica a pessoa regenerada em Cristo.

Esta unção (o Espírito Santo) capacita o salvo em Cristo para servi-lo “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas”...At 1.8, ou seja, não é algo para classificar as pessoas entre ungidos e não ungidos os que têm “mais poder ou menos poder”, ou para criar qualquer categoria no Corpo de Cristo. A função do Espírito Santo é capacitar-nos para o serviço e testemunho d’Ele entre os homens.

Não encontro nas Escrituras base para uma “nova unção”, pois um só é o Espírito que atua entre nós “Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou”. 1 João 2:27 . Se a unção permanece não é necessária que seja trocada por um nova, (ou será que alguém quer outro espírito que não seja o Consolador?) bem como é questionável as modernas denominações das unções como a unção do riso, dos seres viventes, do leão, unção em spray para sentir o aroma da unção, unção do cachorro, unção dos nobres, transferência de unção, conquista, ousadia, Elias e outras mais que demonstram para qualquer pessoa com o mínimo de inteligência (produto em falta nos “ungidos”) que é mais um modismo reforçado pela mídia gospel e pelos “profetas e levitas” de plantão, que mais parecem camelôs do Templo vendendo bênçãos piratas e baratas.




Se fosse possível mensurar quantas “declarações e profetadas” são distribuídas nos templos evangélicos e encontros de louvor, dizendo que em “Porto Alegre” (ou qualquer cidade que seja) se levantaria uma nova geração, ou que uma unção está sendo derramada sobre este povo ou cidade ou que esta ou aquela cidade pertence ao Senhor Jesus – Declare isso povo de Deus... ditas por pseudos ungidos, estaríamos de fato morando em um país sem injustiça social, sem corrupção, com índices mínimos de violência urbana e doméstica, as crianças estariam todas na escola, vestidas, alimentadas e felizes. E você que lê este texto pode acrescentar tudo que melhoraria em sua cidade se as declarações dos “ungidos” se concretizassem. Falta discernimento espiritual entre o místico “Espírito Santo” e o misticismo que são as tentativas pagãs de manipular o sobrenatural. E sabe o porquê disto? Porque é muito mais fácil declarar algo do que viver, declarar uma benção do que ser uma benção e para conferir basta olhar a parábola do bom samaritano, onde os titulados na Lei e nos afazeres de Deus ficaram de fora da lista dos que Jesus considerou como próximo da vítima da violência, mas, aquele que agiu com amor e misericórdia foi elogiado.

Por isso, a importância dos frutos, sobretudo o amor e a unidade que serve como ponte para que o mundo creia em Jesus, e não declarações ungidas triunfalistas de quem já perdeu o tino da história e a consciência de ser exemplo para uma geração que clama por palavras e atos de vida.

O fato é que nunca medimos o que fica, avaliamos pela emoção do momento, pela euforia e o que fica depois que o roldão da unção passa? Normalmente ao invés de frutos, é uma busca por outra unção ou outra moda disfarçada de espiritualidade e assim, os crentões vão indo se enganando e sendo enganados e a vida vai passando e vão perdendo o melhor que ela pode oferecer que é uma vida de amor e serviço ao próximo, salgando e iluminando não somente com palavras, mas com gestos como o estender a mão a quem precisa com o olhar de amor, fruto de um compromisso com a palavra e com o Senhor que deixou seu Espírito “unção” para que tivéssemos intrepidez e capacidade para o trabalho que Ele nos comissionou.

Pense nisto, comente e vivamos conforme a consciência que o Espírito Santo nos tem ensinado e não conforme os ensinamentos do mundo que podem estar presentes até mesmo no púlpito de sua congregação. Mas sobre este assunto falarei em outra oportunidade.

Graça e Paz!!


Claudinho

Um comentário:

Cris Correa disse...

Parabéns pelo texto. Que Deus continue te ilumindando e que o Espirito continue te abençoando com discernimento. Vc escreveu o que poucos hj em dia percebem...infelizmente a maioria prefere acreditar em ''novas unções'' e dar ouvidos aos famosos ''ungidos''.

Bye o/